Torcer pra um time de futebol é coisa do diabo?


Por Renato Vargens

Hoje, logo ao final do jogo entre Vasco e Botafogo recebi o seguinte comentário no meu  Facebook de uma leitora que recriminava meu gosto pelo esporte: -"Pastor peça para o Senhor te mostrar a entidade demoníaca que está a frente dos times de futebol."
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Como é que é? Pensei com meus botões: Demônio do futebol?

Pois é, sinceramente eu não sei mais o que esse povo vai inventar. Infelizmente alguns evangélicos têm promovido ensinamentos absolutamente antagônicos as Sagradas Escrituras. Tais pessoas movidas por uma espiritualidade esquizofrênica atribuem o bem a Deus e o mal a Satanás. Para elas o mundo se divide em duas partes, cujos governantes são Deus e o diabo. Os que creem nisso, ensinam que tanto Deus como o Coisa Ruim, possuem poderes independentes, e como titãs que são, lutam pelo domínio do universo. Para estes, o mundo também foi dividido entre o bem e o mal, cujos ambientes apontam para o domínio e senhorio de Deus ou de satã. Nesta perspectiva, o templo é santo, o teatro pagão, a casa de show lugar de promiscuidade, e o estádio de futebol morada do capeta.

Volta e meio ainda ouço alguém dizer que o esporte tal é o do Capeta e que crente que é crente não se contamina com manjares do cão. Segundo estes, um cristão verdadeiro jamais irá assistir a um jogo de futebol, até porque, aquele lugar é antro de pecado.

Segundo esta perspectiva tudo aquilo que não esteja aparentemente relacionado com o sagrado é espúrio. Em outras palavras, os adeptos do dualismo cristão preferem viver a vida em guetos espirituais, “satanizando” tudo aquilo que Deus nos deu para o prazer.

Caro leitor, praticar futebol, assistir um jogo no estádio, ou torcer por um clube de futebol não é pecado, e nem tampouco ofende ao Criador. As Escrituras nos ensinam que somos seres inteiros e livres, e como tais somos chamados a viver uma devocionalidade equilibrada e saudável. É claro, que não convém no domingo você deixar de ir ao culto de sua igreja para ir ao Maracanã, entretanto, não existe nenhum problema em celebrar a vida, a família e os amigos indo ao estádio torcer pelo seu time do coração em datas alternativas.

Infelizmente o dualismo dos evangélicos “budificou” a existência, transformando qualquer atividade que se faça fora da igreja como pérfida e sem “graça” . Sem que percebamos parte da Igreja de Cristo demonizou todo tipo de lazer, excluindo da agenda da fé qualquer atividade que possa implicar em risos, festas e celebração.

Prezado amigo, Cristo não nos escraviza nem tampouco nos aprisiona em um mundo burrificado onde a festa e a alegria é proíbida. Antes pelo contrário, por sua graça somos livres e não precisamos mais viver manietados a dogmas e conceitos do farisaísmo moderno.

A Ele toda glória!

Fonte: [ Blog do autor
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A Natureza da Fé Bíblica



Por J. I. Packer

Em primeiro lugar, o que é fé? Vamos aclarar a questão. A idéia popular a respeito é que se trata de um certo otimismo obstinado: a esperança tenazmente assegurada, face à adversidade, de que o universo é fundamentalmente amigável e de que as coisas podem melhorar. Diz a Sra. A. à Sra. B.: "Você precisa ter fé". Mas, tudo quanto ela quer dizer é: "Coragem, não desanime se as coisas vão mal". Isso, porém, é apenas a forma da fé, sem seu conteúdo vital. Uma atitude confiante que seja divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é a fé no sentido bíblico.

Em contraste, a noção histórica da Igreja Católica Romana acerca da fé tem sido de mera confiança e docilidade. Para Roma, a fé é apenas a crença naquilo que a Igreja Romana ensina. De fato, Roma distingue entre fé "explícita" (a crença em algo que foi compreendido) e fé "implícita" (o assentimento incompreensível de qualquer coisa, seja o que for que a Igreja Romana assevere). A Igreja Romana diz que somente esse último tipo de fé, que na realidade é apenas um voto de confiança no ensino da igreja e que pode manifestar-se lado a lado com a total ignorância da doutrina cristã, é requerido dos leigos para a sua salvação! E evidente que a fé, na concepção da Igreja Romana, quando muito, é apenas o conteúdo da fé, sem sua forma apropriada; pois conhecimento, pouco ou muito, divorciado de qualquer correspondente exercício de confiança, não é a fé, no total sentido bíblico. O exercício da confiança é precisamente o que se faz ausente na análise da Igreja Romana. Segundo Roma, fé consiste em confiar nos ensinos da igreja. Mas, de acordo com a Bíblia, fé significa confiar em Cristo como Salvador, e isso é algo totalmente diferente.

Na Bíblia, ter fé ou crer (no grego, o substantivo é pistis; o verbo é pisteuõ) envolve tanto confiança como entrega da vida. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22, 26), as promessas de Deus (Rm 4.20), o caráter de Jesus como Messias e Salvador (1 Jo 5.1), a realidade da ressurreição (Rm 10.9), o evangelho (Mc 1.15) e o testemunho dos apóstolos (2 Ts 1.10).

A natureza da fé, porém, é invariável. É uma apreensão responsiva de Deus e de sua verdade salvadora; é um reconhecimento da resposta dada por Deus à necessidade humana, que doutro modo jamais seria atendida; é a compreensão de que o evangelho é a mensagem pessoal de Deus, bem como o convite pessoal de Cristo ao seu ouvinte; é o mover-se confiante da alma em direção ao Deus vivo e ao seu Filho.

Isso se torna claro através da mais comum das construções gramaticais no Novo Testamento grego — o verbo pisteuo com a preposição eis, ou, ocasionalmente, com a preposição epi, com o objeto direto no acusativo — cujo significado é "confiar para dentro de" ou "confiar sobre". Esta construção jamais aparece no grego clássico e raramente na Septuaginta. Trata-se de uma nova expressão idiomática, desenvolvida no Novo Testamento, para expressar a idéia de um movimento de confiança que se dirige ao objeto da confiança e que descansa no mesmo.

Esse é o conceito bíblico e cristão de fé. Os reformadores frisaram esse conceito, afirmando que a fé não é apenas fides (crença), mas também fiducia (confiança). Nas palavras do bispo Ryle:

A fé que salva é a mão da alma. O pecador é como um homem que está se afogando, prestes a afundar de vez. Ele vê o Senhor Jesus Cristo oferecendo-lhe ajuda. Ele a aceita e é salvo. Isso é fé (Hb 6.18).

A fé que salva é o olho da alma. O pecador é como um israelita picado por uma serpente venenosa no deserto e que está à morte. O Senhor Jesus lhe é oferecido como a serpente de bronze, levantado para sua cura. O pecador olha para Ele e é curado. Isso é fé (Jo3.14, 15).

A fé que salva é a boca da alma. O pecador está definhando por falta de comida e sofrendo de uma doença dolorosa. O Senhor Jesus lhe é apresentado como o pão da vida e o remédio universal. Ele O recebe e fica bem de saúde e forte. Isso é fé (Jo. 6.35).

A fé que salva é o pé da alma. O pecador é perseguido por um inimigo mortal e teme ser vencido. O Senhor Jesus lhe é apre¬sentado como uma torre forte, um refúgio e um esconderijo. O pecador corre para Ele e fica em segurança. Isso é fé (Pv 18.10)". {Old Paths — Caminhos Antigos — pp. 228 e 229).

Por todo o Novo Testamento, de fato, esse é o conceito normal de fé. As únicas exceções são as seguintes:

1. Algumas vezes, "fé" exprime o conjunto das verdades em que cremos (Jd 3 e 1 Tm 4.1, 6, etc).

2. Algumas vezes, "fé" significa um mais estrito exercício de confiança, que opera milagres (Mt 17.20, 21; 1 Co 13.2). Mesmo nos dias do Novo Testamento, porém, a fé salvadora nem sempre era acompanhada pela "fé que opera milagres" (cf. 1 Co 12.9) e vice-versa (cf. Mt 7.22, 23).

3. Em Tiago 2.14-26, "fé" e "crer" denotam mero assentimento intelectual à verdade, sem a correspondente resposta de uma vida de obediência confiante. Mas, parece que Tiago estava simplesmente imitando o uso da palavra "fé" daqueles a quem procurava corrigir (cf. v. 14), e não precisamos supor que ele normalmente a usasse em um sentido tão limitado (por exemplo, a sua alusão à fé, no verso 5, claramente envolve um sentido muito mais amplo).

Fonte: [ Josemar Bessa ]
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Esperança para os Homossexuais

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Por John MacArthur
 
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1 Coríntios 6.9–11)
 
Tais fostes alguns de vós. A igreja de Corinto, como as igrejas de hoje, tinha ex-fornicadores, ex-adúlteros, ex-ladrões, e assim por diante. Embora muitos cristãos nunca foram culpados dos pecados particulares listados, todo cristão era impuro antes de ter sido salvo. Todo cristão é um ex-pecador. Cristo veio para o propósito de salvar pecadores (Mt 9.13). Essa é a grande verdade do cristianismo: nenhuma pessoa pecou de maneira tão profunda ou prolongada que não possa ser salva. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Mas alguns tinham deixado de ser assim por um tempo, e estavam voltando ao seu antigo comportamento.

Paulo usa mas (alla, a mais forte partícula adversativa grega) três vezes para indicar o contraste da vida cristã com a vida mundana que ele tinha acabado de descrever. Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificado. Não fazia diferença o que eles eram antes de serem salvos. Deus pode salvar um pecador de qualquer e todo pecado. Mas faz uma grande diferença o que um crente é após a salvação. Ele deve viver uma vida que corresponda à sua limpeza, sua santificação e sua justificação. Sua vida cristã deve ser pura, santa e justa. A nova vida produz e requer um novo tipo de vida.

Lavados fala de nova vida, de regeneração. Jesus “nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3.5). Regeneração é a obra de re-criação de Deus. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17). “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus” (Ef 2.10). Quando uma pessoa é lavada por Cristo, ela nasce de novo (João 3.3-8).

Santificados fala de novo comportamento. Ser santificado é ser feito santo interiormente e ser capaz, no poder do Espírito, de viver exteriormente uma vida justa. Antes da pessoa ser salva ela não tem nenhuma natureza santa e nenhuma capacidade de viver de maneira santa. Mas em Cristo recebemos uma nova natureza e podemos viver o novo tipo de vida. O domínio total do pecado é destruído e substituído por uma vida de santidade. Mediante a sua pecaminosidade carnal os coríntios estavam interrompendo essa obra divina.

Justificados fala de uma nova posição perante Deus. Em Cristo somos vestidos de Sua justiça e Deus vê em nós agora a justiça do Seu Filho, e não o nosso pecado. A justiça de Cristo é creditava em nossa conta (Rm 4.22–25). Somos declarados e, na nova natureza, feitos justos, santos, inocentes e sem culpa, pois Deus é “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26).

Os crentes de Corinto tinham experimentado uma transformação em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. O nome de Deus representa a sua vontade, o seu poder e a sua obra. Por causa da submissão voluntária de Cristo à vontade do Pai, sua morte na cruz em nosso favor, e sua ressurreição dentre os mortos, ele fez provisão para a nossa lavagem, santificação e justificação.
 
- Sobre o autor: John MacArthur é um autor e pregador popular. Tem servido como pastor-mestre na Grace Community Church, em Sun Valley (Califórnia), desde 1969. MacArthur faz parte da quinta geração de pastores de sua família. Seu ministério de púlpito tem se estendido ao redor do mundo por meio do programa Grace to You e de seus escritórios-satélites na Austrália, Canadá, Europa, Índia, Nova Zelândia, Singapura e África do Sul.
 
Fonte: Sítio Grace to You
Tradução:
Felipe Sabino de Araújo Neto – janeiro/2012
Via: [ Monergismo ]
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Três possíveis explicações da razão pela qual Deus permitiu o pecado

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Por Samuel Falcão
 
De acordo com tudo quanto foi dito acima, vemos que o mal moral, tanto em sua origem como em seu prosseguimento, foi incluído nos decretos de Deus como permitido, mas permi­tido com algum sábio objetivo.

Que Deus decretou permitir o pecado, desde toda a eterni­dade, vê-se no fato que, também desde toda a eternidade, Ele decretou salvar pessoas mediante a morte de Cristo, como se declara na seguinte passagem das Escrituras: “Não foi medi­ante coisas, corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resga­tados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Ped.1:18-20; veja-se também o v. 2 e Rom.8:29; 2Tim.1:9; Tito1:2; Apoc.13:8).

Há outra pergunta a fazer em conexão com este magno as­sunto, a saber: Por que permitiu Deus que o mal entrasse no mundo? Se Ele odeia o mal e tem todo o poder, de modo que podia tê-lo impedido, por que o permitiu com suas conseqüên­cias indescritivelmente dolorosas? Esta é a pergunta que mais nos deixa perplexos. Jamais seremos capazes de responder a ela nesta vida.
“A permissão e a presença do pecado no universo, onde Deus infinitamente santo, exerce domínio, oca­sionam um entrechoque de idéias, as quais, por tudo quanto envolvem, nenhum espírito humano pode har­monizar completamente. Tendo-se em vista as duas realidades inconciliáveis, Deus e o pecado, é certo que a solução da dificuldade não será descoberta nem na suposição de que Deus era incapaz de impedir o apa­recimento do pecado no universo, nem de que Ele não pode fazê-lo cessar a qualquer momento. Na pro­cura dessa solução, é certo que o dilema não será ven­cido ou atenuado, supondo-se que o pecado não é excessivamente mau à vista de Deus — pois Ele tem-lhe aversão absoluta. O fato permanece sem modificação, que Deus, ativa e infinitamente santo e absolutamente livre em seus empreendimentos, sendo capaz de criar ou não criar, e de excluir o mal daquilo por Ele criado, permitiu não obstante que o mal aparecesse e ope­rasse na esfera dos anjos e do homem. Esta perplexi­dade sobe de ponto, atingindo um grau imensurável, se considera o fato de que Deus sabia, quando per­mitiu a manifestação do pecado, que este lhe custa­ria o maior sacrifício que lhe seria possível fazer — a morte de seu Filho. As Escrituras atestam, com bas­tante ênfase que (a) Deus é todo-poderoso e, por con­seguinte, não recebe imposição do pecado contra sua vontade permissiva; (b) que Deus é perfeitamente santo e odeia o pecado incondicionalmente; e (c) que o pecado está presente no universo, ocasionando toda sorte de malefícios aos seres criados e que esse dano, em vista da incapacidade de alguns de entrarem na graça da redenção, pesará sobre eles por toda a eternidade”. [1]

Embora as perguntas acerca deste problema sejam de fato desconcertantes, algumas respostas têm sido sugeridas. Vou referir algumas.

1. “Sendo o propósito final de Deus trazer os homens à sua semelhança, estes, para alcançar esse fim, devem chegar a saber em certo grau o que Deus sabe. De­vem reconhecer o caráter maligno do pecado. Este, intuitivamente, Deus conhece; mas tal conhecimento pode ser adquirido, pelas criaturas, apenas por meio de observação e experiência. Obviamente, se o pro­pósito divino tem de ser realizado, ao mal deve-se permitir que se manifeste. O que a demonstração do pecado e sua experiência podem significar para os anjos não está revelado”.[2]

2. Uma segunda explicação é que a existência de agen­tes livres no universo seria uma possibilidade virtual de revolta contra Deus, em qualquer tempo. Noutras palavras, a existên­cia de vontades livres, capazes de se opor à vontade de Deus, seria, por toda a eternidade, um principio potencial de pecado, e tal princípio de pecado tinha de ser trazido “a juízo completo e final”. Deus desejou tornar impossível, no fim, não somente a realidade do pecado, mas até sua possibilidade. Como não é possível condenar uma abstração, Deus permitiu que o pecado ou o mal se concretizasse, de modo a poder ser condenado na cruz, onde seu caráter foi plenamente revelado nos sofrimentos do Filho de Deus. Por essa forma todas as criaturas de Deus aprenderiam que coisa insana, penosa indescritivelmente in­grata e desastrosa é desobedecer a Deus, e depois da experiên­cia dolorosa do pecado todas elas se conformariam natural e alegremente com a sua perfeita vontade e trilhariam seus caminhos sapientíssimos. Foi esta a experiência do Filho Pródigo.

3. Uma terceira explicação é que Deus permitiu o peca­do a fim de ter oportunidade de dar a conhecer sua justiça e sua graça, que jamais poderiam ser reveladas se no mundo não houvesse pecadores, para serem condenados, ou serem salvos. Paulo sugere isso nas seguintes passagens: “Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu po­der, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, prepa­rados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão?” (Rom.9:22,23). “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo... para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado... a fim de sermos para louvor da sua glória” (Ef.1:4-6, 9-12).

É interessante, porém, notar que a Bíblia jamais procura responder nossas perguntas sobre o problema do mal e do so­frimento.

No caso clássico de Jó, a única resposta que Deus lhe deu foi que, se ele não podia entender os fatos mais simples da na­tureza, como podia compreender os mistérios divinos? Todavia, deve ter sido um gozo e glória indizíveis para ele saber que seus sofrimentos contribuíram para a glória de Deus e confusão de Satanás. E note-se também que no fim tudo para Jó veio a ser melhor do que no princípio. E o mesmo acontecerá a todos quantos pertencem a Deus.

No caso do cego de nascença, temos o que podemos cha­mar “o problema do mal num caso concreto”. Cristo, no en­tanto, não procurou responder a pergunta acerca desse proble­ma, porém fez melhor, isto é, primeiro declarou que os sofri­mentos daquele homem foram permitidos para a glória de Deus, e depois o curou. E assim aprendemos que Cristo não veio para responder nossas perguntas quanto ao problema do mal, mas, muito melhor do que isso, veio para destruir o mal. Co­mo Ele disse naquela ocasião: “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (Jo.9:4,5). E havendo dito isso, deu luz ao cego.

Cristo veio para destruir o mal, “para destruir as obras do diabo” (1Jo.3:8). Foi Ele que se tornou semente da mulher para esmagar a cabeça da serpente. E Ele fez isso mediante sua vida, morte e ressurreição (Heb.2:14). Agora Ele está à direita do Pai, aguardando o tempo fixado por Deus, em seus decretos, quando todos os seus inimigos serão postos por es­trado de seus pés (Heb.1:13). No livro do Apocalipse, onde se nos descrevem as últimas coisas, vemos o Cristo vitorioso destruindo todo o mal e toda oposição a Deus, e lançando a an­tiga serpente, que é o diabo e Satanás, no lago de fogo e enxo­fre. Será isso o fim da grande luta anunciada em Gen.3:15, fim glorioso com a vitória completa da luz sobre as trevas, da verdade sobre a mentira, da vida sobre a morte, do bem sobre o mal, de Deus sobre Satanás.

É verdade que não podemos explicar o problema intrincado do mal, mas isso não é o que mais importa: o mais importante é sabermos que o mal será destruído e no final tudo redundará na glória de Deus e no gozo e felicidade de todos quantos lhe pertencem.
 
Notas:
[1] L. S. Chafer, B. S., XCVI: 149, 150
[2] L. S. Chafer, B. S., XCVI: p.152

Fonte: Escolhidos em Cristo – O Que de Fato a Bíblia Ensina Sobre a Predestinação, Samuel Falcão, Ed. Cultura Cristã, 1997.
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]
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Jó e a Esquerda - um pequeno esboço

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Por: Leonardo Bruno Galdino

[16] Se retive o que os pobres desejavam ou fiz desfalecer os olhos da viúva; [17] ou, se sozinho comi o meu bocado, e o órfão dele não participou [18] (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como se eu lhe fora o pai, e desde o ventre da minha mãe fui o guia da viúva.); [19] se a alguém vi perecer por falta de roupa e ao necessitado, por não ter coberta; [20] se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com a lã dos meus cordeiros; [21] se eu levantei a mão contra o órfão, por me ver apoiado pelos juízes da porta, [22] então, caia a omoplata do meu ombro, e seja arrancado o meu braço da articulação. [23] Porque o castigo de Deus seria para mim um assombro, e eu não poderia enfrentar a sua majestade.

Jó 31.16-23 (Almeida Revista e Atualizada).

Versos 16 a 21: exatamente o que o PT e demais regimes comunistas fazem (especialmente o v. 17);

Verso 22: uma oração que eles estão muito longe de fazer;

Verso 23: o que inevitavelmente os aguarda.

Soli Deo Gloria! 

Fonte: [ Optica Reformata ]

Confessionalidade e Distinção

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Por Lucas G. Freire  

Uma igreja que se diz protestante mas que rejeita todas as confissões da igreja e que diz acreditar “só na bíblia” descarta a própria base histórica para se dizer protestante.

As boas confissões da igreja, tais como o Credo apostólico, o Credo Atanasiano, as Três Formas de Unidade e os Padrões de Westminster são exposições fieis do conteúdo das Escrituras e tem servido a Igreja de Cristo ao longo de toda a história, desde o tempo em que Israel declarava conjuntamente a sua confissão de fé (Dt. 6). As boas confissões provam todas as suas declarações a partir da bíblia e declaram que a bíblia é a única regra infalível.

Os Testemunhas de Jeová dizem acreditar na bíblia também. Mas eles rejeitam as confissões da igreja porque as confissões e credos afirmam coisas como por exemplo a doutrina da Trindade. As confissões servem como um resumo da fé histórica da igreja e são símbolos da igreja porque a distinguem de falsos movimentos. A Declaração da Calcedônia, por exemplo, distingue a igreja cristã dos falsos movimentos contra a doutrina da Trindade.

As confissões também auxiliam a liderança da igreja a disciplinar deslizes no ensino. A igreja confessional não permite ensino que vá contra as confissões. As confissões, escritas em conjunto por homens santos do passado, em jejum e oração, e com conhecimento do texto bíblico, proveem um critério mais sóbrio do que as preferências pessoais de um ou dois pastores na hora de lidar com um ensino falso específico.

O cristão que rejeita qualquer confissão de fé da igreja de Cristo na verdade está afirmando que a igreja começou no século XXI, e que os pais do passado jamais entenderam o evangelho, a ponto de nenhuma dessas confissões serem boas o suficiente para hoje. Isso é rasgar a noiva de Cristo e ofende o princípio bíblico de que Deus ao longo da história tem preservado um povo para Si.

A igreja que rejeita qualquer confissão de fé, justamente por rejeitar aquilo que a distingue dos falsos movimentos e tendências, deve se contentar em não se considerar protestante ou reformada ou distinta de qualquer forma. Na verdade, estará perigosamente correndo o risco de ser mais um dos tantos movimentos sectários.

Exeter, véspera do Dia da Reforma, 2010.

Sobre o autor: Lucas Freire é mestre em relações internacionais e doutorando em política. 

Fonte: [ Monergismo ]
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Combatendo o pecado com a verdade!


Por C. H. Spurgeon

Paulo nos oferece o modelo completo de um ministro cristão. Pastor vigilante, ele se preocupava sem cessar com o rebanho confiado a seus cuidados. Ele não se limitava a pregar o Evangelho, e não cria ter completado todo o seu dever em anunciar a salvação, mas seus olhos estavam sempre voltados às Igrejas que havia fundado, seguindo-as, com um interesse zeloso, no seu progresso ou declínio na fé. Quando ele tinha que ir proclamar o Evangelho eterno em outras regiões, ele não cessava de velar pelo bem estar espiritual de suas vibrantes colônias cristãs da Grécia e da Ásia menor, semeadas por ele em meio às trevas do paganismo; e enquanto acendia novas lâmpadas na tocha da verdade, ele não negligenciava aquelas que já flamejavam. É assim que, em nosso texto, ele dá à pequena Igreja de Filipos uma prova de sua solicitude, lhes dirigindo conselhos e advertências. E o Apóstolo não era menos fiel que vigilante. Quando via pecado na Igreja, não hesitava em denunciá-lo. Ele não lembrava a maioria dos pregadores modernos, que se vangloriam de não ter jamais tido uma relação pessoal com seu rebanho ou jamais ter incomodado suas consciências, e que põem sua glória naquilo que é enganoso; porque tivessem eles sido fiéis, tivessem exposto sem impureza todo o conselho de Deus, teriam infalivelmente, uma vez ou outra, ferido a consciência de seus ouvintes.

Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. (Fil. 3:18,19).

Paulo agia totalmente diferente: ele não temia atacar frontalmente o pecador, e não somente tinha a coragem de declarar a verdade, mas sabia da necessidade de insistir sobre esta verdade: "Repetidas vezes eu vos dizia, e eu vos digo ainda, que muitos entre vós são inimigos da cruz de Cristo”.

Mas se, por uma parte o apóstolo era fiel, por outra ele era cheio de afeto. Como todo ministro de Cristo deveria fazer, ele amava verdadeiramente as almas sob seu encargo. Se ele não podia admitir que algum membro das Igrejas colocadas sob sua direção se desviasse da verdade, não podia mais ainda lhes repreender sem derramar lágrimas. Ele não sabia brandir a ira com o olho seco, nem denunciar os juízos de Deus de maneira fria e indiferente.

As lágrimas brotavam de seus olhos, enquanto que sua boca pronunciava as mais terríveis ameaças; e quando censurava, seu coração batia tão forte de compaixão e amor, que aqueles a quem ele se dirigia não podiam duvidar da afeição com que suas censuras eram ditadas: “Eu, repetidas vezes vos dizia, e agora vos digo até chorando”.

Meus amados. A advertência solene que Paulo, outrora, dirigiu aos Filipenses nas palavras de meu texto, eu as dirijo a vocês hoje, para que entendam.

Temo que esta advertência não seja menos necessária em nossos dias que nos tempos do Apóstolo, porque em nossos dias como nos dias do Apóstolo, há vários na Igreja cuja conduta testemunha fortemente que são inimigos da cruz de Cristo. Que posso dizer? O mal, longe de diminuir, me parece ganhar terreno a cada dia. Há, em nosso século, um maior número de pessoas que fazem profissão de fé que no tempo de Paulo, mas há também mais hipócritas.

Nossas Igrejas, eu lhes digo para sua vergonha, toleram em seu seio membros que não têm nenhum direito a este título; membros que estariam bem melhor se postos em uma sala de festim, ou em qualquer outro lugar de dissolução e loucura, mas que jamais deveriam molhar os lábios no cálice sacramental ou comer o pão místico, emblemas dos sofrimentos de nosso Senhor. Sim, em vão procurariam dissimular que há vários entre nós – (e se tu voltasses à vida, ó Paulo. Quanto não te sentirias apressado em nos dizer, e quantas lágrimas amargas não derramarias ao nos dizer!...) – que são inimigos da cruz de Cristo, e isto porque o deus deles é o ventre, porque eles dirigem suas afeições às coisas da terra, e sua conduta está em completo desacordo com a santa lei de Deus.

O que legaremos aos nossos filhos?

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Por C.H.Spurgeon

"O justo anda na sua integridade;
felizes lhe são OS filhos depois dele." Provérbios 20.7


A ansiedade a respeito de nossa família é algo natural. No entanto, seremos sábios se a convertermos em um interesse a respeito de nosso próprio caráter. Se andarmos diante do Senhor com integridade, faremos mais para abençoar nossos descendentes do que se deixássemos em herança para eles grandes possessões. Uma vida piedosa de um pai é um riquíssimo legado para seus filhos.

O justo deixa seu exemplo para seus herdeiros; e isto, em si mesmo, será uma mina de verdadeira riqueza. Quantos homens podem traçar o sucesso de suas vidas ao exemplo deixado por seus pais!

O justo deixa-lhes também a sua reputação. Os homens pensam o melhor a nosso respeito, quando somos filhos de um homem que era digno da confiança deles, quando somos os sucessores de um homem de negócios que tinha reputação excelente. Oh! que todos os jovens se mostrem ansiosos para conservar os nomes de suas famílias!

Acima de tudo, o justo deixa aos seus filhos as suas orações e a bênção de um Deus que ouve as orações. Isto faz que nossos descendentes sejam favorecidos entre os filhos dos homens. Deus os pode salvar, mesmo depois de termos partido deste mundo. Oh! que eles sejam salvos imediatamente!

Nossa integridade pode ser o instrumento de Deus para salvar nossos filhos e filhas. Se eles perceberem a veracidade de nosso cristianismo sendo comprovada por nossas vidas, pode acontecer que por si mesmos eles creiam em Jesus. Senhor, cumpra esta promessa à minha família.

Fonte: [ O Calvinismo

Cinco visões sobre Apologética

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Por Steven B. Cowan 

O livro Five Views on Apologetics [Cinco Visões sobre Apologética], editado por Steven B. Cowan, leva o leitor a comparar e contrastar formas diferentes de “fazer” apologética:
O objetivo da apologética é responder persuasivamente objeções honestas que mantém as pessoas longe da fé em Jesus Cristo. O livro Five Views on Apologetics examina o “como fazer” da apologética, colocando cinco visões importantes sob o microscópio: clássica, evidencial, pressuposicional, epistemologia reformada e caso cumulativo. Oferecendo um fórum para apresentação, crítica e defesa, este livro permite que os contribuintes interajam com os pontos de vista diferentes. 4 ª capa, Five Views on Apologetics

O que segue é um excerto da introdução do livro:

Método Clássico

O método clássico é uma abordagem que começa empregando a teologia natural para estabelecer o teísmo como a cosmovisão correta. Após a existência de Deus ter sido assim demonstrada, o método clássico passa para uma apresentação das evidências históricas para a divindade de Cristo, a confiabilidade da Escritura, etc., a fim de mostrar que o Cristianismo é a melhor versão de teísmo, em oposição ao, digamos, judaísmo e islamismo. Essa escola é chamada de método “clássico” porque assume que esse é o método usado pela maioria dos apologistas importantes dos primeiros séculos. William Lane Craig contribui com a defesa da apologética clássica desse volume. Outros apologistas contemporâneos que podem ser classificados como apologistas clássicos incluem R.C. Sproul, Norman Geisler, Stephen T. Davis e Richard Swinburne.

Costuma-se argumentar que a ordem das duas fases na apologética clássica é essencial. Isto é, antes que alguém possa discutir de forma significativa as evidências históricas, a existência de Deus já deverá ter sido estabelecida, pois a cosmovisão de uma pessoa é uma grade através da qual os milagres, fatos históricos e outros dados empíricos são interpretados. Sem um contexto teísta, jamais poderia demonstrar-se que um evento histórico foi um milagre divino. O outro lado da moeda dessa afirmação é que ninguém pode apelar a supostos milagres a fim de provar a existência de Deus. Como Sproul, Gerstner e Lindsley argumentam, “milagres não podem provar a existência de Deus. Na realidade, somente Deus pode provar milagres. Isto é, somente sob a evidência anterior de que Deus existe é que um milagre torna-se possível”. Contudo, ninguém que se considera um apologista clássico insistirá nesse ponto, como William Lane Craig deixa claro neste volume (…). Craig argumenta que a metodologia clássica não precisa insistir na necessidade teórica na ordem desses dois passos, mas apenas, dada a natureza dos argumentos probabilistas, que essa ordem é a melhor estratégia argumentativa.

O Método Evidencial

O método evidencial tem muito em comum com o método clássico, exceto na resolução do problema com respeito ao valor dos milagres como evidência. O evidencialismo como método apologético pode ser caracterizado como uma abordagem “de um passo”. Os milagres não pressupõem a existência de Deus (como afirmam a maioria dos apologistas clássicos contemporâneos), mas podem servir como um tipo de evidência a favor da existência de Deus. Esse método é bastante eclético em seu uso das várias evidências positivas e críticas negativas, utilizando tanto argumentos filosóficos como históricos. Todavia, ele tende a se focar primariamente na legitimidade de acumular vários argumentos históricos e outros indutivos em favor da verdade do cristianismo.

Dado esse foco, os evidencialistas podem e irão argumentam em favor do teísmo e do teísmo cristão ao mesmo tempo, sem recorrer a uma teologia natural elaborada. Eles poderiam começar, por exemplo, argumentando em favor da factualidade histórica da ressurreição de Jesus e então argumentar que tal evento incomum é explicável somente se um ser muito parecido ao Deus cristão existir. Tendo então estabelecido a existência de Deus por meio da ressurreição miraculosa de Cristo, o evidentalista irá então afirmar que a ressurreição de Jesus também autentica suas reivindicações de ser Deus encarnado e seu ensino sobre a autoridade divina da Escritura.

Além de Gary R. Habermas, um dos contribuintes deste livro, defensores do evidencialismo incluem John W. Montgomery, Clark Pinnock e Wolfhart Pannenberg (veja o artigo de Harbermas para vários outros que ele classifica sob esse método).

O Método do Caso Cumulativo

O terceiro dos Quatro Grandes é o método do caso cumulativo. O termo “caso cumulativo” é usado por apologistas de maneiras diferentes daquela que estamos usando neste contexto, mas Basil Mitchell, um antigo proponente dessa visão, deu a esse método tal nome, e assim o usaremos aqui. O leitor cuidadoso sem dúvida observará que esse método pertence à mesma família ampla do método evidencial (e talvez clássico). Contudo, ficará evidente também que como uma estratégia argumentativa, o método do caso cumulativo tem algo distinto a oferecer. De fato, essa abordagem apologética surgiu por causa da insatisfação que alguns filósofos tinham com os outros métodos do tipo evidencial (i.e., os dois primeiros dos Quatro Grandes).

De acordo com os defensores da apologética do caso cumulativo, a natureza do caso em favor do Cristianismo não é em nenhum sentido estrito um argumento formal como uma prova ou um argumento de probabilidade. Nas palavras de Mitchell, o método do caso cumulativo “não se conforma ao padrão ordinário de raciocínio dedutivo ou indutivo”. O caso é mais parecido com o resumo que um advogado apresenta num tribunal ou que um crítico literário faz para uma interpretação particular de um livro. É um argumento esclarecido que reúne várias linhas ou tipos de dados numa espécie de hipótese ou teoria que explica de forma abrangente esses dados e faz isso melhor do que qualquer hipótese alternativa.

Paul Feinberg, o metodologista do caso cumulativo neste volume, diz que “os teístas cristãos estão insistindo que o cristianismo faça melhor uso de toda a evidência disponível do que qualquer outra cosmovisão alternativa em oferta, quer essa alternativa seja alguma oura visão teísta ou o ateísmo”. (…) Os dados que o caso cumulativo procura explicar inclui a existência e a natureza do cosmo, a realidade da experiência religiosa, a objetividade da moralidade, e outros fatos históricos, tais como a ressurreição de Jesus.

Além de Feinburg e Mitchell, a escola do caso cumulativo incluiria provavelmente C.S. Lewis e C. Stephen Evans.

O Método Pressuposicional

Devido aos efeitos noéticos do pecado, os pressuposicionalistas geralmente sustentam que não existe terreno comum suficiente entre crentes e incrédulos que permitiria os seguidores dos três métodos anteriores alcançar os seus objetivos. O apologista deve simplesmente pressupor a verdade do cristianismo como o ponto de partida apropriado na apologética. Aqui a revelação cristã nas Escrituras é o quadro através do qual toda a experiência é interpretada e toda a verdade é conhecida. Várias evidências e argumentos podem ser estabelecidos em favor da verdade do cristianismo, mas esses no mínimo pressupõem implicitamente premissas que podem ser verdadeiras apenas se o cristianismo for verdadeiro. Os pressuposicionalistas tentam, então, argumentar transcendentalmente. Isto é, eles argumentam que todo significado e pensamento – na verdade, todo fato – pressupõe logicamente o Deus das Escrituras.

John Frame representa o pressuposicionalismo neste volume, e ele coloca a questão dessa forma: “Nós deveríamos apresentar o Deus bíblico, não meramente como a conclusão a partir de um argumento, mas como aquele que torna o argumento possível” (…). Ao demonstrar que os incrédulos não podem argumentar, pensar ou viver sem pressupor Deus, os pressuposicionalistas tentam mostrar que a cosmovisão deles é inadequada para explicar suas experiências do mundo e fazer os incrédulos enxergarem que somente o cristianismo pode fazer a experiência deles ter sentido.

Outros pressuposicionalistas incluem Cornelius Van Til e Gordon Clark (…), bem como Greg Bahsen e Francis Schaeffer.

Esses quarto métodos apologéticos lutavam pela supremacia quando comecei pela primeira vez a estudar apologética e o problema da metodologia nos anos oitenta. Contudo, muita coisa aconteceu na filosofia e apologética nos últimos vinte anos ou mais. Um dos desenvolvimentos mais dramáticos foi o surgimento da epistemologia reformada. Kelly James Clark contribui com este volume sugerindo que essa nova epistemologia religiosa tem algo distinto a dizer com respeito ao método apologético.

A Abordagem da Epistemologia Reformada

“Desde o Iluminismo”, diz Clark, “tem havido uma demanda para expor todas as nossas crenças às críticas esquadrinhadoras da razão” (…). Dizem-nos que se uma crença não é apoiada por evidência de algum tipo, é irracional crer nela. A epistemologia reformada desafia essa suposição epistemológica “evidencialista”. Aqueles que defendem essa visão sustentam que é perfeitamente racional uma pessoa crer em muitas coisas sem evidência. De maneira mais impressionante, eles argumentam que a crença em Deus não requer o apoio de evidência ou argumento para que isso seja racional. A apologista da epistemologia reformada não evita necessariamente estabelecer argumentos positivos em defesa do cristianismo, mas ele argumentará que tais argumentos não são necessários para a fé racional. Se Calvino está correto que os seres humanos nascem com um sensus divinitatis (senso do divino) inato, então as pessoas podem correta e racionalmente chegar a ter uma crença em Deus imediatamente, sem o auxílio de evidências.

Para o epistemologista reformado, então, o foco tende a estar na apologética negativa ou defensiva, à medida que desafios à crença teísta são encontrados. No lado positivo, contudo, o epistemologista reformado irá, nas palavras de Clark, “encorajar os incrédulos a se colocarem em situações onde as pessoas são tipicamente apanhadas pela crença em Deus” (…), tentando despertar nelas seu senso latente do divino.

A lista de epistemologistas reformados contemporâneos inclui o contribuinte deste volume, Kelly James Clark, já mencionado. Mas quatro outros nomes que estariam no topo desta lista seriam Alvin Plantinga, Nicholas Wolterstorff, George Mavrodes e William Alson.

Novamente, deixe-me dizer que essas cinco metodologias apologéticas não constituem uma lista exaustiva de abordagens apologéticas. Elas representam, contudo, as estratégias argumentativas mais conhecidas e populares na comunidade acadêmica de apologética. É a minha esperança, bem como dos outros contribuintes, que essa obra promova discussão frutífera adicional da metodologia apologética e seja útil à igreja universal e ao Senhor Jesus Cristo.

Fonte: Cowan, Steven B. (editor), Five Views on Apologetics, Zondervan, Grand Rapids, Michigan, 2000. Páginas 15-20.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – abril/2011
Estraído do site: [ Monergismo ]
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23 de Abril - Dia Mundial do Livro: A leitura de livros no Brasil

Em homenagem ao Dia Mundial do Livro que se comemora hoje (23 de abril), segue abaixo uma entrevista com o Pr. Natanael Rinaldi* feita no ano passado referente ao tema:


Por Pr. Natanael Rinaldi

A revista VEJA edição de 3 de agosto de 2011 traz um artigo sobre a falta de leitura de livros pelo povo brasileiro. Diz o artigo: “A leitura de livros, não parece estar num bom momento no Brasil de hoje; a opinião pública também não.”... ”Da atitude geral do governo diante da leitura, então, é melhor nem falar: registre-se, em todo o caso, sua profunda satisfação em anunciar, sempre que é incomodado pelo noticiário de escândalos publicado na imprensa que “o brasileiro não lê nada”. Naturalmente, ninguém se coloca hoje como inimigo dos livros, mas é certo que muitos se beneficiam com o fato de que a leitura, nestes dias, tem poucos amigos na praça. Quanto menos se lê, menos idéias são mantidas em circulação. Quanto menos idéias, menos espaço sobra para a discordância, a procura de alternativas e a fiscalização dos atos do governo. O resultado, na prática, é uma indiferença generalizada em relação ao comportamento de quem governa. Não há que fazer quanto a isso.”

PR. NATANAEL: Não é triste tomar conhecimento de que o nosso povo não aprecia a leitura?

Sim. Muito triste. Às vezes observo pessoas nas filas dos bancos quase uma hora antes de os bancos abrirem e com tristeza vejo que apenas estão conversando, mas não vejo uma pessoa sequer com um livro esperando a hora de o banco abrir. Dificilmente numa viagem se vê uma pessoa com um livro aberto aproveitando o tempo para crescer no conhecimento.

Isso se dá também com a leitura da Bíblia? Os crentes não gostam de ler a Bíblia e outras literaturas evangélicas?

Infelizmente, também isso é uma realidade. Alguns até adquirem a "caixinha de promessa" para lerem um só versículo quando saem depressa de casa atrasados para o serviço e depois só à noite quando vão deitar.

Por que é oportuno que leiamos mais? Que vantagens adquirimos com nossas leituras?

Alguns razões podem ser apontadas: Melhora cada vez mais a nossa capacidade e velocidade de leitura; Aumento o nosso vocabulário. Passamos a conhecer mais palavras quando temos o capricho ao ler uma palavra desconhecida ir ao dicionário e procurar o significo da palavra. Aumenta também o nosso conhecimento geral, dependendo da leitura que fazemos.


Pode citar um texto bíblico que recomende a leitura da Bíblia?

O apóstolo Pedro que era um pescador, mas como todo o judeu que aprendia a ler já em casa com os pais, ele recomenda que cresçamos no conhecimento nas coisas concernentes ao reino de Deus. Textualmente ele escreve: II Pedro 3:18 - “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém.” Crescer na graça é ter uma vida devocional cada vez mais intensa na comunhão com Deus nos exemplos colhidos na Bíblia, como Jesus que sempre tinha um tempo para se isolar e orar períodos longos em conversa com o Pai celestial. E o crescimento no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo se relaciona com a sua vida apontada nos evangelhos, com seus ensinos; leitura freqüente dos livros escritos por Paulo e tantos outros escritores da Bíblia. A leitura de livros que nos ajudam a interpretar a Bíblia também é necessária. Além do que consultas a Dicionários e Enciclopédias bíblicas. Há muita leitura que pode aumentar o nosso conhecimento para melhor servirmos a Deus.

Quase todo o crente tem um ou mais exemplares da Bíblia. Por que os católicos quase não lêem a Bíblia?

Dois lados a considerar: 1) os crentes têm mais de um exemplar da Bíblia. Quando vão à igreja carregam suas Bíblias e isto é muito bom. Pelo menos somos identificados pela nossa Bíblia. Antigamente, eram poucos os crentes e quando passavam eram observados pelos demais que diziam entre si, “lá vai um bíblia”. Porém ter várias Bíblias, carregar uma Bíblia quando vamos à igreja, mas se não lermos e não estudarmos a Bíblia, ficamos sem nada saber o que ela contém. 2) já os católicos nem todos têm Bíblia em casa, mas é freqüente conversarmos com os católicos e descobrirmos que quase nada sabem acerca da Bíblia. É um livro praticamente desconhecido. Isso é resultado da cultura na qual vivemos. O povo brasileiro não encontra tempo para ler. A recomendação da Bíblia para todo o cristão é deixada pelo apóstolo Pedro, I Pedro 3:15 – “Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,”.

Existem "líderes" que ensinam que não se deve ler a Bíblia com muita freqüência sob a alegação de que a letra mata?

Sim, infelizmente. Enquanto Jesus ensinou João 5.39 – “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” Orou por seus seguidores para serem santificados através da sua palavra, João 17.17 17 – “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.”; há líderes religiosos que ensinam ao contrário alegando que não se deve ler a Bíblia porque “a letra mata” indicando o texto de 2 Coríntios 3.6, quando, na verdade, o texto está se referindo ao antigo concerto feito entre Deus e o povo de Israel, apontando que as tábuas da lei traziam morte por que não alcançou seu objetivo devido à incredulidade do povo. Mas, citar a Bíblia para abster-se da sua leitura, é incentivar o analfabetismo bíblico.

*Sobre o autor: Pastor Natanael Rinaldi, 83 anos, é pastor da Igreja Evangélica da Paz, foi presidente do ICP durante vários anos, formado em direito e teologia é pesquisador de religiões e figura entre os mais renomados apologistas do Brasil.

Fonte: [ CACP ]

Para aqueles que desejam adquirir mais conhecimento Bíblico através da leitura de excelentes livros de auxílio, segue uma ótima bibliografia reformada como referência, clique aqui!

Crer é também agir

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Por Marcelo Berti

Em 1972 em Londres, John Stott lançava um pequeno livro que foi referência para o cristianismo de sua época: “Your Mind Matters” que ficou conhecido em português como “Crer é também pensar”, publicado seis anos mais tarde no Brasil. Nesse livreto Stott escreveu sobre a expressa dicotomia existente entre a Fé e a Razão visando demonstrar que não são mutuamente-excludentes, mas mutuamente necessárias no exercício da fé cristã. Provavelmente o que moveu Stott a escrever esse livro foi o avanço da ideologia de que a fé cristã é uma expressão de uma crendice infundada e que não se pode explicar, e não uma Fé que Pensa e Conhece.

Essa foi a marca fundamental desse livreto, mas muitos dos seus leitores provavelmente se esqueceram do modo como o autor encerra seu livro: Ele nos convida a evitar o intelectualismo estéril da fé. Uma das grandes decepções do intelectualismo da fé é sua capacidade de conduzir cristãos à reflexão inerte, que nada faz. Esse modo de viver a fé de nada adianta: A Fé ensinada pelas Escrituras implica em ação.

Em Romanos 1.5, Paulo demonstra isso ao usar uma expressão muito interessante: “por quem [Jesus Cristo] recebemos a graça e a missão de pregar para louvor do seu nome, a obediência da fé entre todas as nações” (BJ). Essa pequena expressão é de altíssima significância:

Em primeiro lugar ela nos demonstra que a obediência da fé era o conteúdo da missão dos apóstolos. Observe que a expressão “missão de pregar” foi traduzida em outras versões (ARA, NVI) por “apostolado” em referência ao ministério de Paulo. Ou seja, por intermédio de Jesus Cristo Paulo pregava a obediência da fé entre os gentios: “Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência” (Rm.15.18; cf. Rm.10.3, 16).

Em segundo lugar ela nos ensina que para Paulo a aceitação da mensagem de Cristo é entendida como um ato de obediência à Vontade de Deus (cf. Jo.6.40). Ou seja, exercer fé (crer) para Paulo estava relacionado a uma postura prática de submissão a Deus, o que implica no abandono das vontades pessoais, a submissão às vontades do pecado e a completa sujeição ao Senhorio de Deus: “uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm.6.18); “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm.6.22).

Em terceiro lugar ela nos ensina a pensar na fé como um ato essencialmente prático. É bem verdade que a fé é fundamentada não na sabedoria humana, mas no poder de Deus (1Co.2.5) que é oferecida graciosamente por Deus como um presente imerecido (Ef.2.8), mas é recebida por aqueles que “glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo” (2Co.9.13).

Portanto, temos que nos lembrar constantemente da funcionalidade da nossa fé em submissão ao nosso Deus, na realização de Sua vontade em uma vida em conformidade com Seu caráter. Não podemos ter a fé somente como um conjunto de informações sobre nossa religiosidade (credo): A Fé que recebemos nos conduz a uma vida de boas obras, que o Próprio Deus preparou para realizarmos (Ef.2.10).

Que sejamos assim: homens e mulheres cheios de fé que conduzem muitas pessoas à obediência da fé em Cristo Jesus (At.11.24).

Fonte: [ NAPEC ]

Bendito sinal da vida divina

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Por - C. H. Spurgeon

Perdas e adversidades são constantemente utilizadas pelo grande Pastor para trazer de volta ao lar suas ovelhas desgarradas: “Estando eles angustiados, cedo me buscarão” (Os 5.15).

À semelhança de cães treinados, tais circunstâncias conduzem as desgarradas de volta para o rebanho. Os leões não podem ser domados, enquanto estão sendo bem alimentados. A grande força deles têm de ser reduzida; assim, eles se submeterão às ordens do domador. Freqüentemente, o crente se torna obediente ao seu Senhor por meio de receber pão seco e trabalho árduo. Quando se tornam ricos e prósperos em seus bens, muitos crentes levantam imponentemente sua cabeça e falam com arrogância. Assim como Davi, eles bajulam a si mesmos, dizendo: “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: Jamais serei abalado” (Sl 30.6).

Quando o crente enriquece, está cercado de muitos amigos, desfruta de boa saúde e tem uma boa família, ele com freqüência permite que o Sr. Segurança Carnal se alimente à sua mesa. Então, se esse crente é um verdadeiro filho de Deus, existe uma vara que está sendo preparada para ele.

Sua prosperidade se dissolverá como um sonho. Uma parte dos seus bens vai embora – quão rapidamente suas perdas entram em cena! Onde elas acabarão? Se, quando tais embaraços ocorrem, esse crente começa a sentir-se perturbado por seu afastamento do Senhor e retornar a Ele – essa atitude será um bendito sinal da vida divina. Benditas são as ondas que jogam o marinheiro sobre a rocha da salvação! As perdas nos negócios habitualmente são santificadas para enriquecer nossas almas. Se a alma eleita não vier ao Senhor na abundância, ela virá na escassez. Se falharmos em honrá-lo no auge da prosperidade, Ele permitirá que desçamos ao vale da pobreza. Apesar disso, não desanime, herdeiro da aflição, quando você for repreendido. Pelo contrário, reconheça a mão amável que o disciplina e afirme como o filho pródigo: “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai” (Lc 15.18).

Fonte: [ O Calvinismo ]

A igreja e o bungee jumping teológico que entretém a multidão

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Por Marcos Sampaio

No século passado, o pastor protestante Charles Spurgeon advertiu certa vez que a igreja estava se afastando da pureza do evangelho. E este alerta ecoa até aos nossos dias e a igreja não pode ignorar diante de tantos abusos e um evangelho tão distorcido que muitos líderes têm defendido e divulgado em nossas igrejas brasileiras.

Comunidades e pastores que em nome dos resultados tem tornado o cristianismo mais teatral e atraente, com bastante luz, shows, cambalhotas… Enfim, inovações que sutilmente tem tomado o lugar da pregação e exposição fiel das Escrituras.

Na verdade, um tipo de bungee jumping teológico que mais entretém a multidão. Um novo cristianismo onde existe ausência da profundidade bíblica, exposição do pecado, da mensagem da cruz, renúncia pessoal como a natureza espiritual da genuína fé cristã.

O que se observa é um evangelicalismo moderno descendo a níveis baixos misturando a verdade de Deus com um tipo de religião de entretenimento e adaptações mundanas para atrair as multidões. Com isso é obscurecido o cristianismo histórico e a pregação de todo o conselho de Deus que penetra e impacta poderosamente a alma do mais incrédulo pecador.

Parece que alguns líderes evangélicos não acreditam mais na suficiência das Escrituras. O que presenciamos em muitas congregações é a ênfase do aqui e agora tornando as Escrituras absolutamente superficiais.

Outro evangelho onde o auto-interesse terapêutico ofusca o conhecimento de Deus, o marketing triunfa sobre a pregação, as opiniões e estratégias humanas excedem à confiança na exposição bíblica e as preocupações com poder e status quo são mais óbvias do que o preocupar-se com a piedade e a fidelidade cristã.

Que a igreja não se comprometa tornando a Escritura mais aceitável. Que a sua pregação seja pura e sem artifícios mundanos.

Que os nossos pastores e líderes não recorram à industria de marketing para ajudá-los a atrair pessoas para Cristo, mas descansem unicamente no soberano poder de Deus. Que a igreja se esforce cada vez mais para resgatar a verdade de Deus que é eterna e relevante para todas as culturas, épocas e lugares.

Pense nisso!

Fonte: [ Carta Protestante ]
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Confissão Belga - Marcas da Igreja Verdadeira e da Falsa

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Art.29 - As marcas da verdadeira igreja, de seus membros e da falsa igreja.

Cremos que se deve discernir diligentemente e com muito cuidado, pela Palavra de Deus, qual é a verdadeira igreja, visto que todas as seitas, que atualmente existem no mundo, se chamam igreja, mas sem razão (1). Não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham entre os sinceros fiéis; contudo, não pertencem à igreja, embora sejam membros dela (2). Mas queremos dizer que se deve distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja, de todas as seitas que se dizem igreja.

As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho (3), apura administração dos sacramentos (4) como Cristo os instituiu, e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados (5). Em resumo: ela se orienta segundo a pura Palavra de Deus (6), rejeitando todo o contrário a esta Palavra (7) e reconhecendo Jesus Cristo como o único Cabeça (8).

Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a ninguém convém separar-se dela. Aqueles que pertencem à igreja podem ser conhecidos pelas marcas dos cristãos, a saber: pela fé (9) e pelo fato de que eles, tendo aceitado Jesus Cristo como único Salvador, fogem do pecado e seguem a justiça (10), amando Deus e seu próximo (11), não se desviando para a direita nem para a esquerda e crucificando a carne, com as obras dela (12). Isto não quer dizer, porém, que eles não têm ainda grande fraqueza, mas, pelo Espírito, a combatem, em todos os dias de sua vida (13), e sempre recorrem ao sangue, à morte, ao sofrimento e à obediência do Senhor Jesus. NEle eles têm a remissão dos pecados, pela fé (14).

Quanto à falsa igreja, ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus regulamentos do que à Palavra de Deus e não quer submeter-se ao jugo de Cristo (15). Ela não administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, mas acrescenta ou elimina o que lhe convém. Ela se baseia mais nos homens que em Cristo. Ela persegue aqueles que vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus, e que lhe repreendem os pecados, a avareza e a idolatria (16).

É fácil conhecer estas duas igrejas e distingui-las uma da outra.

1- Ap 2:9. 2- Rm 9:6. 3- Gl 1:8; 1Tm 3:15. 4- At 19:3-5; 1Co 11:20-29. 5- Mt 18:15-17; 1Co 5:4,5,13; 2Ts 3:6,14; Tt 3:10. 6- Jo 8:47; Jo 17:20; At 17:11; Ef 2:20; Cl 1:23; 1Tm 6:3. 7-1Ts 5:21; 1Tm 6:20; Ap 2:6. 8- Jo 10:14; Ef 5:23; C1 1:18. 9- Jo 1:12; 1Jo 4:2. 10- Rm 6:2; Fp 3:12. 11- 1Jo 4:19-21. 12- Gl 5:24. 13- Rm 7:15; G1 5:17. 14- Rm 7:24,25; 1Jo 1: 7-9. 15-At 4:17,18; 2Tm 4:3,4; 2Jo :9. 16- Jo 16:2.

Fonte: [ Orthodoxia ]

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Verdades e Mitos sobre a Páscoa

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Por Augustus Nicodemus Lopes

Nesta época do ano celebra-se a Páscoa em toda a cristandade, ocasião que só perde em popularidade para o Natal. Apesar disto, há muitas concepções errôneas e equivocadas sobre a data.

A Páscoa é uma festa judaica. Seu nome, “páscoa”, vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”, uma referência ao episódio da Décima Praga narrado no Antigo Testamento quando o anjo da morte “passou por cima” das casas dos judeus no Egito e não entrou em nenhuma delas para matar os primogênitos. A razão foi que os israelitas haviam sacrificado um cordeiro, por ordem de Moisés, e espargido o sangue dele nos umbrais e soleiras das portas. Ao ver o sangue, o anjo da morte “passou” aquela casa. Naquela mesma noite os judeus saíram livres do Egito, após mais de 400 anos de escravidão. Moisés então instituiu a festa da “páscoa” como memorial do evento. Nesta festa, que tornou-se a mais importante festa anual dos judeus, sacrificava-se um cordeiro que era comido com ervas amargas e pães sem fermento.

Jesus Cristo foi traído, preso e morto durante a celebração de uma delas em Jerusalém. Sua ressurreição ocorreu no domingo de manhã cedo, após o sábado pascoal. Como sua morte quase que certamente aconteceu na sexta-feira (há quem defenda a quarta-feira), a “sexta da paixão” entrou no calendário litúrgico cristão durante a idade média como dia santo.

Na quinta-feira à noite, antes de ser traído, enquanto Jesus, como todos os demais judeus, comia o cordeiro pascoal com seus discípulos em Jerusalém, determinou que os discípulos passassem a comer, não mais a páscoa, mas a comer pão e tomar vinho em memória dele. Estes elementos simbolizavam seu corpo e seu sangue que seriam dados pelos pecados de muitos – uma referência antecipada à sua morte na cruz.

Portanto, cristãos não celebram a páscoa, que é uma festa judaica. Para nós, era simbólica do sacrifício de Jesus, o cordeiro de Deus, cujo sangue impede que o anjo da morte nos destrua eternamente. Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e isto não somente nesta época do ano, mas durante o ano todo.

A Páscoa, também, não é dia santo para nós. Para os cristãos há apenas um dia que poderia ser chamado de santo – o domingo, pois foi num domingo que Jesus ressuscitou de entre os mortos. O foco dos eventos acontecidos com Jesus durante a semana da Páscoa em Jerusalém é sua ressurreição no domingo de manhã. Se ele não tivesse ressuscitado sua morte teria sido em vão. Seu resgate de entre os mortos comprova que Ele era o Filho de Deus e que sua morte tem poder para perdoar os pecados dos que nele creem.

Por fim, coelhos, ovos e outros apetrechos populares foram acrescentados ao evento da Páscoa pela crendice e superstição populares. Nada têm a ver com o significado da Páscoa judaica e nem da ceia do Senhor celebrada pelos cristãos.

Em termos práticos, os cristãos podem tomar as seguintes atitudes para com as celebrações da Páscoa tão populares em nosso país: (1) rejeitá-las completamente, por causa dos erros, equívocos, superstições e mercantilismo que contaminaram a ocasião; (2) aceitá-las normalmente como parte da cultura brasileira; (3) usar a ocasião para redimir o verdadeiro sentido da Páscoa.

Eu opto por esta última.

Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]
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Nossa Apologética tem de apontar para Cristo

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Por Nathan Busenitz


O alvo da apologética deve ser evangelístico e, assim sendo, sua mensagem deve estar centrada na pessoa e obra de Jesus Cristo. Ele é a resposta a todos os males sociais e a cada coração que o busca. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado”, Paulo explicou aos coríntios, “escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1 Co 1.23). De maneira semelhante, disse aos crentes de Colossos: “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Cl 1.28). Armado com o lema “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21), Paulo enfrentou o mundo como embaixador de Cristo, rogando aos ouvintes “em nome de Cristo, vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5.20). Ele jamais tomou uma posição apologética que não apontasse para Cristo. Quer no Areópago (At 17) quer no tribunal diante do governador romano (At 26), a defesa da fé feita por Paulo sempre era centrada no evangelho (1 Co 15.3-4).

Uma apologética que deixa de apresentar o evangelho por inteiro deixa no mesmo lugar os pecadores: ainda perdidos. Até confessarem Jesus como Senhor e crer que Deus o ressuscitou da morte, eles permanecem mortos em seus pecados (Rm 10.9). Sua eternidade depende do que farão com Jesus Cristo. À pergunta: “O que devo fazer para ser salvo?” Jesus é a única resposta (At 16.30-31). Para o problema do pecado, ele é a única solução. Como disse João Batista a respeito de Jesus: “quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36).

Não podemos nos contentar com uma abordagem apologética que diminua ou negligencie o evangelho. Afinal de contas, nossa meta final não é apenas converter os ateus ao teísmo ou evolucionistas ao criacionismo, mas chamar os incrédulos (quer sejam eles ateus ou teístas, evolucionistas ou criacionistas) a receberem Jesus Cristo. Os argumentos quanto ao teísmo e criacionismo são importantes, mas a apologética cristã será incompleta se parar por aí e não proclamar o evangelho.

Uma ilustração disso está no fato de que muitos evangélicos deram grande valor à conversão do renomado ateu britânico Antony Flew do ateísmo para o teísmo. Ele documentou sua mudança de ideia no livro There is a God, onde admitiu que os argumentos do projeto inteligente o levaram a “aceitar a existência de uma Mente infinitamente inteligente”. [1] No fim do livro, Flew nota que poderia estar aberto ao cristianismo, mas não chega a reconhecer nenhum compromisso pessoal com Cristo. Por sua parte, Flew se identifica como deísta. [2]

Como avaliar esse tipo de conversão? Por um lado, alegramo-nos porque um renomado ateu renunciou publicamente seus erros anteriores. Podemos ser gratos pelos esforços daqueles que, por sua influência, o ajudaram a ver a falência filosófica do sistema ateu. Mas não podemos estar completamente satisfeitos com o resultado, pois o Professor Flew não se tornou cristão.

Quando o apóstolo Paulo esteve diante da oposição, quer no areópago quer diante de Festo e Felix, não se contentou apenas em convencer seus ouvintes da existência de Deus. Na verdade, eles já eram teístas. Contudo, eles tinham renhida necessidade de se reconciliarem com Deus, razão pela qual a mensagem de Paulo era centrada no evangelho de Jesus Cristo. Em uma época quando o ateísmo naturalista ganha aprovação popular, poderá ser tentador pensar que defender a existência de Deus deva ser nosso principal alvo. Mas se deixarmos de fora a mensagem cristocêntrica do evangelho, nosso trabalho apologético ficará incompleto.[3] Fomos comissionados a fazer discípulos do Senhor (Mt 28.18-20), não apenas teístas. Assim, pregamos Cristo crucificado a todas as pessoas, quer elas creiam quer não creiam em Deus.

[1] Antony Flew, There Is a God (New York: HarperCollins, 2007), 158.
[2] Antony Flew e Gary R. Habermas, “My Pilgrimage from Atheism to Theism: An Exclusive Interview with Former British Atheist Professor Antony Flew,” Philosophia Christi 6, no. 2 (Winter 2004). Online at www.biola.edu
[3] Se nos esquecermos da mensagem do evangelho que é centrada em Cristo, corremos o perigo de nos juntar a outros teístas, incluindo cristãos não evangélicos, em um esforço de convencer os não teístas a tornarem-se teístas.

Fonte: Blog Fiel
Via: [ Ministério Batista Bereia ]

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Três falsos evangelhos: prosperidade, terapêutico e teologia da libertação.

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Por José Bernardo

Como Satanás está arrastando milhares de adolescentes e jovens para fora da Igreja e para longe da fé? Porque a Igreja não está sendo capaz de perceber e conter essa evasão? Onde toda essa maldade e destruição estão se apoiando? Um olhar cuidadoso para o cenário faz perceber que a estratégia usada pelo inimigo tem sido um ‘cavalo de troia’, belo por fora e cheio de destruição por dentro: a religião do ‘bem estar’.

Apoiado em uma interpretação flexível da própria Bíblia, o inimigo vem minando a fé bíblica da igreja evangélica e substituindo por essa nova religião, ainda difícil de distinguir para muitos, mas definitivamente oposta ao que Jesus ensinou. Há três correntes principais desse neo-paganismo, três falsos evangelhos que a grande maioria dos crentes está seguindo para longe de Cristo. Tais evangelhos não tem poder para salvar, não oferecem os elementos para a perseverança na fé. Adolescentes e jovens aprendem tais heresias de seus pais e essa é uma razão central de seu desvio.

Primeiro, enumeremos esses três ataques malígnos:

O evangelho do bem estar material – ou a teologia da prosperidade, movimento religioso surgido nas primeiras décadas do século XX nos Estados Unidos da América. Sua doutrina afirma, a partir da interpretação de alguns textos bíblicos como Gênesis 17.7, Marcos 11.23-24 e Lucas 11.9-10, que quem é verdadeiramente fiél a Deus deve desfrutar de uma excelente situação na área financeira, na saúde, etc. Não mais capaz de seduzir a população norte-americana que emergiu das crises econômicas no pós-guerra, esse falso evangelho foi despejado na América Latina por tele-evangelistas, rapidamente absorvido aqui pelo nascente movimento neo-pentecostal e é hoje refugo lançado covardemente contra a África por uma equivocada ação missionária.

O evangelho do bem estar psicológico – movimento que visa a descoberta e o tratamento de problemas emocionais, como medo, complexos, baixa auto-estima, no intuito de que as pessoas sejam tratadas no espírito, na alma e no corpo, com ênfase na cura da alma. O movimento, também originado nos Estados Unidos, resultou do esforço de manter a Igreja atraente para uma sociedade cada vez mais materialista e egocêntrica e têm raízes, tanto no evangelicalismo histórico, como no movimento carismático. Entre os evangélicos históricos surgiu no condicionamento do aconselhamento cristão pela psicologia e psicanálise, entre os pentecostais, dos esforços de cura interior. Ambas as correntes proliferaram a partir dos anos 80 com a enxurrada de livros evangélicos de auto-ajuda e hoje são um mal perfeitamente institucionalizado.

O evangelho do bem estar social – é um movimento essencialmente político que utiliza elementos do Cristianismo como alegoria para facilitar a disseminação de idéias de diferentes pensadores socialistas. Seus defensores a apresentam como, por exemplo, “uma interpretação da fé cristã através do sofrimento dos pobres, sua luta e esperança, e uma crítica da sociedade e do cristianismo através dos olhos dos pobres”. O movimento surgiu no seio do catolicismo Latino Americano, na esteira da influência marxista, foi fortemente combatido e diminuido pela Igreja Romana, proliferou entre ditos evangélicos em alguns países da América Hispânica e influenciou o evangelicalismo brasileiro com mais força a partir dos anos 80.

Diagnose do insólito

As causas dessa monstruosidade espiritual

Embora pareçam propostas diferentes, as três correntes religiosas são extremos próximos, identificados por três ensinos heréticos centrais: a) Antropocêntrismo – O cristianismo defende a centralidade de Deus e apresenta o ser humano como inútil e sem valor, as três teologias malígnas retomam o ser humano como centro de tudo e fazem Deus gravitar ao redor de suas necessidades, desejos e ações; b) Temporalidade – O cristianismo aponta para a vida na terra como uma passagem de provação para um mundo novo e eterno, as três teologias corrosivas se concentram no que pode ser obtido imediatamente, fixando a quem pode seduzir no que é presente, temporal e passageiro; c) Materialismo – O cristianismo aponta para as coisas espirituais, invisíveis, as três correntes teológicas cativam seu público ao que é material e carnalmente desfrutável, são evangelhos da sensualidade.

Os falsos evangelhos da prosperidade, terapêutico ou da libertação se contrapõe ao verdadeiro Evangelho do Reino, que anuncia o governo soberano de Deus em Cristo sobre a vontade humana e leva ‘cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo’ 2Co 10:5. Tais evangelhos são produzidos pelos inimigos da cruz, seu deus é o ventre (Fp 3:19).

A endo-apologia combaterá com dificuldade esses ataques malígnos. Os falsos evangelhos se mimetizam com capricho, usando o vocabulário dos evangélicos, suas expressões e a própria Bíblia para surpreender e destruir a fé bíblica. Esses falsos evangelhos promovem uma interpretação flexível das Escrituras, baseada principalmente na dedução e em um criticismo pretensamente acadêmico e energicamente desconstrutor. No discurso, usam e abusam do palavrório apaixonado, como se estivessem militando por uma grande causa e, quando não funciona, abundam na irreverência, no sarcasmo, na ironia e na zombaria. Todas os três praticam também uma contra-apologia preventiva, acusando de reacionários, desumanos, anti-cristãos e fundamentalistas aqueles que se atrevem a ir contra suas ambições egocêntricas, temporais e materialistas. Dessa forma surpreendem, sequestram e escravizam uma igreja que deixou as Escrituras de lado para abraçar o sensacionalismo.

Mas o aspecto mais venenoso de tais falsos evangelhos, é que são virais, não estão baseados nas teologias alucinadas que os geraram, mas nas características de seus hospedeiros. Quando o apóstolo Paulo nos preveniu disso, disse: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas…” 2Tm 3:1ss. Não é a teologia maligna, principalmente, que faz essa maldade prosperar, mas a natureza egoísta que impede os seres humanos de clamarem pelo verdadeiro Evangelho do Reino: Seja feita a Tua vontade, ó Deus. Egoístas, egocêntricos, esses são os hospedeiros de evangelhos oportunistas, que contagiam os mais jovens e causam seu desvio.

Fonte: [ Evangeliza Brasil ]
Via: [ Web Evangelista ] / [ Ministério Batista Bereia ]

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