O dom de variedade de línguas - 2/3

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Por Leonardo Dâmaso


2. A aplicação do dom de variedade de línguas e sua relação com os não crentes (14.12-25)

Tendo tratado acerca do dom de línguas relacionado aos crentes, Paulo, agora, discorre sobre o dom de línguas relacionado aos não crentes. O apóstolo enfatiza a importância da mente para o entendimento do que ocorre no culto público. Ele ensina que os atos “no Espírito” envolvem o uso do intelecto (vs.12-17), e instrui os coríntios no uso das línguas em face dos visitantes no culto (vs.20-25). 

Jesus nasceu de uma virgem

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Por Denis Monteiro

14º Dia do Senhor
35 - O que você entende, quando diz que Cristo "foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da virgem Maria"?
R. Entendo que o eterno Filho de Deus, que é e permanece verdadeiro e eterno Deus, tornou-se verdadeiro homem da carne e do sangue da virgem Maria, por obra do Espírito Santo.  Assim Ele é, de fato, o descendente de Davi igual os seus irmãos em tudo, mas sem pecado.
36 - Que importância tem para você Cristo ter sido concebido e nascido sem pecado?
R. Que Ele é nosso mediador e com sua inocência e perfeita santidade, cobre diante de Deus meus pecados no qual fui concebido e nascido. 
Catecismo de Heidelberg (1563)

Todos os que nascem neste mundo nascem de uma mulher que já não é mais virgem. Porém, Jesus também nasceu neste mundo e nasceu de uma mulher, mas há um diferencial para a história da humanidade; Jesus Cristo nasceu de uma mulher virgem, ou seja, que não teve nenhum contato com homem. E essa afirmativa foi justamente o que Maria perguntou ao anjo quando disse que ela seria mãe: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? (Lc 1.34).

Claro, a dúvida de Maria foi sanada logo após o esclarecimento do anjo: “Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a Tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (Lc 1.38). 

Mas as dúvidas sobre a veracidade do nascimento virginal de Cristo não vem de hoje, alguns até comparam o relato dos Evangelhos sobre o nascimento de Cristo como se fosse uma fábula pelo fato de ser parecida com alguns relatos em outras religiões, no mitologismo pagão. No entanto, podemos fazer algumas objeções a esse pensamento, pode alguém propagar uma história a judeus, inicialmente tentando convertê-los, onde, nesta história tivesse elementos pagãos? Seria um péssimo marketing para a seita judaica: o cristianismo. 

Entretanto, há uma pergunta essencial e duas respostas (pelo menos) concretas que diferenciam a necessidade do nascimento virginal de Cristo com outras religiões que tem a mesma “teoria”, mas uma coisa deve ficar bem clara: Jesus não teve que nascer de uma virgem para que Ele não fosse pecador, como se o sexo fosse transmissor de pecado, pois Cristo de qualquer forma seria e é santo porque isso faz parte de Sua natureza. Voltando a pergunta: Por que era essencial que Cristo nascesse de uma virgem? 

Primeiro, por intermédio do nascimento virginal de Cristo nós temos a certeza que se tornou verdadeiro homem. Ou seja, Cristo era Deus-Homem. Se Cristo não fosse homem nós não poderíamos acreditar em sua humanidade plena e nem na promessa que há na Escritura de que Jesus teria que ser da descendência de Davi, o verdadeiro herdeiro do trono (2 Sm 7.12), agora se Jesus não foi verdadeiramente homem todas as tentações que ele sofreu, todas as suas dores, agonias e sua morte podem ser contestadas. 

E por último, vemos acima que Cristo tinha que ser um homem verdadeiro, mas o Catecismo não para por ai. De forma resumida, explicando na resposta 36, a necessidade do nascimento virginal de Cristo faz com que tenhamos certeza em sua obra de redenção. Pois, Cristo sendo o nosso sumo sacerdote humano, compadeceu de nossas dores, porem não pecou em nenhum momento, oferecendo-se de uma vez por todas fazendo eterna redenção (Hb 4.15; 7.26,27). 

Por isso é importante crer que Cristo nasceu de uma virgem. Pois temos plena certeza da humanidade de Cristo e de sua perfeita redenção feita em lugar dos eleitos, sendo o segundo Adão, fazendo uma obra superior a de Adão levando sobre Ele nossas dores e nos justificando. Caso contrário, toda obra de redenção que a Bíblia mostra seria considerada mentira. 

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Fonte: Bereianos
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Um alerta contra a maldade

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Por Leonardo Dâmaso


Texto base: Provérbios 6.16-19

Introdução

Salomão traça uma descrição de seis pecados que Deus odeia, porém o sétimo Ele abomina. Cada um destes pecados demonstra a maldade do homem. Esta lista de sete pecados apresenta um quadro vívido e lacônico do “promotor de intrigas”. As formas de comportamento social enfatizadas por estes sete pecados destroem tanto o relacionamento de uma pessoa com a outra quanto o próprio “disseminador de contendas”.

Este catálogo de sete pecados baseia-se no que há dentro do coração do homem, isto é, na sua parte interior (veja Mt 15.19). Eles possuem uma ligação com o trecho antecedente (vs.12-14), e funcionam como um sumário destes alertas ao homem de “Belial”:

1) Olhos altivos (vs.13a, acena); 2) língua mentirosa (vs.12b, perversidade); 3) mãos (vs.13c, dedos), 4) coração (vs.14a); 5) pés (vs.13b); 6) testemunha falsa (vs.12b); 7) contenda (vs.14c).

No trecho a lume, esta lista também forma pares que resultam numa estrutura cruzada, tais como: mãos (vs.17c) e pés (vs.18b), e língua mentirosa (vs.17b) com falso testemunho (vs.19a). Por outro lado, existe um contraste destes sete pecados com as sete bem aventuranças. “Bem-aventurados os humildes de espírito” (Mt 5.3), contrasta com o primeiro pecado detestável, os olhos altivos, e “bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5.9), contrasta com a sétima abominação, o divulgador de conflitos (vs.19).  
           
Este catálogo de sete pecados que o Senhor detesta pode ser dividido em três partes:
1) Uma introdução a lista dos pecados que são execráveis para Deus (vs.16) 
2) As partes do corpo humano que são aplicadas indevidamente ao pecado (vs.17-18)
3) Duas atitudes antissociais (vs.19)

Explanação

1) Uma introdução a lista dos pecados que são execráveis para Deus (6.16) 

Antes de argumentar acerca dos seis pecados que são detestáveis a Deus, e o sétimo é abominável para Ele, Salomão começa com uma introdução, afirmando que estes seis pecados são menos graves que o sétimo pecado, o qual é gravíssimo. “A poesia hebraica passa do número menor para o maior em linhas paralelas para dar a ideia de “quanto mais” na segunda linha”.¹

O trecho composto pelos versículos 16-19 também está relacionada ao homem de “Belial”, que foi descrito no trecho anterior (vs.12-15). Este termo é abrangente em seu significado. “Belial” traz a ideia de alguém que é maligno, e significa também algo “sem proveito”; “inútil”; que não possui nenhum valor (1Sm 2.12; 1Rs 21.10). É frequentemente empregado no Antigo Testamento para enfatizar o pecado (veja, como exemplo, Jz 19.22). 

Abrange, ainda, uma tendência à destruição (Na 1.11,15); e, finalmente, “Belial” foi aplicado por Paulo como sendo um dos nomes de Satanás (2Co 6.15). Logo, os seis pecados que Deus aborrece, e o sétimo que ele abomina, são marcas desse tipo de pessoa, a qual peca com os olhos e com as mãos (13-17), com o coração (14-18), com os pés (13-18), causa divisões e maquina perversidades (14-19).

“Uma vez que as sete características são detestáveis para Deus, aquele que as possui será removido de sua presença benévola e entregue à perdição. A ligação com o versículo 15, ainda que não explícita, é clara”.²    
   
2) As partes do corpo humano que são aplicadas indevidamente ao pecado (6.17-18)

O “promotor de conflitos” peca contra Deus e contra os outros utilizando todas as partes do seu corpo. Ele peca com o seu comportamento, no pensamento, com a sua boca, proferindo mentiras particulares e públicas, e, por fim, com sua influência maligna (vs.17-19). Vejamos, então, cada um destes pecados que caracterizam o “homem agitador” que desencadeia inimizades nos lugares em que interage na sociedade.   

a) Os pecados comportamentais (vs.17a, c-18b)  

Salomão escreve que o “disseminador de intrigas” possui olhos arrogantes, mãos que derramam sangue inocente e pés que se apressam a correr para o mal.

i. Olhos arrogantes [literalmente, “par de olhos que se levanta”]

A arrogância é a exaltação de si mesmo sobre outras pessoas. O arrogante pensa que é melhor que os outros em tudo. Este pecado transgride as virtudes fundamentais que cada indivíduo possui; ou seja, todos possuem características que o fazem se destacar entre os outros, mas não que isso faça alguém ser melhor que outro.

O rei da Assíria é o exemplo de um homem dominado pela a arrogância (veja Is 10.13-14). Contudo, Deus humilhará e executará o seu juízo sobre o orgulhoso de coração que se coloca acima dos outros como foi com o rei da Assíria (Is 10.12; 2.11-12; veja, ainda, Pv 8.13; 16.5; 29.23; 30.13; 1Pe 5.5-6). Nenhum pecado se opõe mais à sabedoria e ao temor a Deus que o orgulho.

ii. Mãos que derramam sangue inocente

As mãos são uma parte do corpo que fica localizada entre o cotovelo e a ponta dos dedos. A expressão derramam sangue inocente “não é uma expressão neutra para “matar”; antes julga o ato; é um homicídio intencional e, portanto, apesar da exceção da compensação (Gn 9.6), é um homicídio que envolve culpa”.³ Sangue inocente traz a ideia de uma morte violenta, como o assassinato.

O homem de Belial, que derrama sangue inocente, mata o outro sem que o mesmo tenha feito algo contra ele. Caim matou seu irmão Abel sem que este tenha feito nada contra ele. Caim matou o inocente Abel simplesmente por inveja dele (Gn 4.2-8).

iii. Pés que se apressam a correr para o mal 

Os pés são a parte inferior do corpo ligado às pernas. A expressão se apressam para fazer o mal, denota a compulsão interior que a pessoa tem para fazer o mal contra o outro. Realça a urgência na execução de um plano malévolo. Quantos são os que não desperdiçam um passo sequer para prejudicar os outros de alguma forma!

b) O pecado mental (vs.18a)

i. Coração que trama projetos iníquos 

O coração é a sede dos pensamentos, sentimentos e vontade. É o que dá origem a toda a atividade física e espiritual da pessoa. Esta palavra aparece 46 vezes em Provérbios e 858 vezes no Antigo Testamento.

Na antropologia bíblica, o coração controla o corpo, suas expressões faciais (15.13), sua língua (15.28; 12.23) e todos os seus outros membros (4.23-27; 6.18). O coração também pensa, reflete e pondera (24.12). A função do cérebro era desconhecida no Antigo Testamento. Assim como os olhos foram feitos para ver e os ouvidos para ouvir, o coração se destina a discernir e levar à ação.4

Quando uma pessoa não tem discernimento ou julgamento, o hebraico fala de uma “falta de coração” (10.13). O coração também planeja (6.14, 18; 16.9); é o fórum interior no qual as decisões são tomadas.

Bruce Waltke salienta:

Os autores bíblicos também atribuíam funções espirituais ao coração. Na esfera religiosa o coração aceita e confia (3.5). Ele sente todos os tipos de desejo, desde as formas físicas mais ordinárias, como fome e sede, até as formas espirituais mais elevadas, como reverência e remorso. Um elemento intimamente relacionado com sua função piedosa é a atividade ética. O mestre adverte o filho para não permitir que seu coração cobice a beleza da adúltera (6.25) e não invejar os pecadores (23.17), mas “o coração sábio procura o conhecimento” (15.14). O estado ou condição espiritual do coração é básico para as suas funções fisiológicas e espirituais; ele pode ser sábio (14.33) e puro (20.9), ou perverso (17.20; 26.23-25). Essa direção ou predisposição do coração determina suas decisões e, portanto, as ações do indivíduo (Êx 14.5; 35.21; Nm 32.9; lRs 12.27; 18.37).6

Sendo assim, o coração do “divulgador de contendas” trama projetos iníquos. Esta expressão significa que este homem planeja em seu coração maneiras pérfidas de prejudicar os outros.  

c) O pecado verbal (vs.17b)

Salomão ressalta os pecados da boca na esfera particular e pública. Senão vejamos:   

i. Língua mentirosa

A língua é um órgão muscular que serve como instrumento para a fala. O termo mentirosa, unido à língua, denota uma falsidade agressiva que tem como alvo prejudicar o outro através das palavras. Assim, o “disseminador de intrigas” é alguém que difama o outro com mentiras, cujo intuito é arruiná-lo moralmente com as pessoas as quais se convive (Sl 109.2-3).

Matthew Henry escreve:

Nada é mais sagrado do que a verdade, e nada é mais necessário para a conduta de alguém do que dizer a verdade.  Deus e todos os homens de bem detestam e abominam a mentira.7

3) Duas atitudes antissociais (6.19) 

Salomão, agora, traça duas advertências para concluir a perícope sobre a maldade. Ele esboça dois pecados sociais: a testemunha mentirosa e o que dissemina conflitos pessoais. Este último pecado recebe a ênfase em toda a seção como sendo o pecado mais abominável para Deus. Senão vejamos: 

a) Os pecados sociais (vs.19)

i. Testemunha falsa que profere mentiras      
    
Uma testemunha é alguém que tem o conhecimento de uma situação que presenciou e que pode relatar num tribunal baseada no que viu ou ouviu em favor de alguém. No entanto, a testemunha falsa que profere mentiras refere-se a uma pessoa que transmite conscientemente uma falsa informação no tribunal com o intuito de prejudicar o outro. O nono mandamento da lei de Deus adverte a não mentir num testemunho (Êx 20.16).  

O objetivo da testemunha que mente é ameaçar a vida e/ou a propriedade de alguém, e não necessariamente defender ou promover a si mesma. Contudo, segundo Provérbios 19.5,9, a testemunha que mente não ficará empune, e o que profere mentiras não escapará, pois certamente perecerá (veja, também, 12.17; 21.28). A testemunha mentirosa sofrerá exatamente o mesmo castigo que pretendia impor a seu acusado, pois atrai a ira de Deus sobre si (Dt 19.18-20).    
   
Dar falso testemunho, que é uma das maiores maldades que a imaginação ímpia pode imaginar, e contra a qual a proteção é menor. Não pode haver maior afronta a Deus a quem se faz uma súplica através de um juramento, nem uma ofensa maior ao nosso próximo [de quem todos os interesses neste mundo, até mesmo os mais preciosos, estão abertos a um ataque deste tipo] do que dar intencionalmente um falso testemunho.8  

ii. O que semeia contendas entre os irmãos 

A palavra irmãos pode se referir aos parentes de sangue, como um irmão de sangue (Gn 25.26), um membro da mesma família (Gn 14.14), um compatriota, isto é, uma pessoa do mesmo país e/ou da cidade da outra (Gn 31.32; 18.19), e também pode ser aplicada aos “irmãos espirituais” unidos em Cristo pela fé (1Co 11.9-11; 2Co 11.9; 1Ts 4.6; 1Jo 4.20).

As contendas divulgadas causam nos relacionamentos mais íntimos efeitos devastadores, como divisão, discórdia e feridas emocionais prementes!

Conclusão

Aquele que promove inimizades na família, na turma de amigos, no trabalho e, especialmente na igreja, é abominável para Deus! O disseminador de conflitos é dissimulado, manipulador, mentiroso e distorce as informações. Ele diminui ou eleva a informação num patamar inexistente, para, assim, tentar fazer com que seja acreditado e enlace suas vítimas em sua teia de intrigas.

Que não sejamos homens de “Belial”! Que não sejamos “divulgadores de intrigas” em nossas casas, em nossas famílias, em nosso trabalho, com os nossos amigos e em nossas igrejas! Que Deus possa retirar da igreja todos os “Beliais”, todos os maliciosos! Que Deus purifique a sua igreja dos arrogantes, dos que derramam sangue inocente, dos que tem pressa em fazer o mal contra os outros, dos conspiradores de projetos malévolos, dos mentirosos e das testemunhas mentirosas; e, principalmente, dos promotores de divisões nos relacionamentos interpessoais, pois é a vontade de Deus que os irmãos vivam em união (Sl 133.1)! 
  
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Notas:
[1] Bíblia de Estudo Genebra. Notas de Rodapé, pág 817. 
[2] Bruce Waltke. Provérbios, volume 1, pág 441. 
[3] Ibid, pág 442.
[4] Ibid, pág 141.
[5] Ibid, pág 141-142
[6] Ibid, pág 142.
[7] Matthew Henry. Comentário Bíblico do Antigo Testamento. Jó a Cantares, pág 747.
[8] Ibid.   

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Fonte: Bereianos
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Conselhos Práticos para Grupos de Louvor

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Por Thiago Oliveira e Thomas Magnum


A vaidade é algo comum em todo ser humano, mas, gostaríamos, com esse texto, chamar a atenção dos músicos: instrumentistas e cantores. Esta é uma categoria que tem ganhado muita notoriedade com o boom da música gospel e vem moldando a forma de cultuar da Igreja. Anteriormente, a congregação cantava embalada por hinários e um organista. Isto foi mudando e após a revolucionária década de 1960 a sonoridade pop invadiu as liturgias, com isso boa parte das igrejas aderiu ao que chamamos de “liturgia contemporânea”.

Embora gostemos das letras contidas nos hinários, pois teologicamente são bem robustas, não desprezamos a musicalidade de nossa época. Os louvores podem sim ter uma melodia que comportem serem tocadas por instrumentos como guitarra, bateria e baixo. Quanto a isso, não há nada de errado em si. O foco importante deve estar no comportamento do grupo de louvor e, sobretudo, no conteúdo daquilo que se canta. Fica a pergunta no ar: Os louvores contemporâneos são bíblicos? 

Todos os cantores e instrumentistas que compõem os grupos de louvor devem saber exatamente o que significa louvar a Deus, e porque isso é parte importante no culto. Em Efésios 5.19, o apóstolo Paulo vai citar os elementos de culto e lá estão listados hinos e cânticos espirituais. Este é o respaldo bíblico para que a música seja parte importante no ajuntamento dos remidos para adorar ao Deus verdadeiro (durante a reforma do século 16, alguns teólogos eram contra as músicas executadas nos cultos). Portanto, é necessário entender que o objetivo do louvor não é demonstrar técnica exuberante e nem chamar a atenção da igreja a um determinado instrumento ou cantor. O objetivo do período de louvor é a glória de Deus.

Tendo este pressuposto bem definido (o louvor é para glorificarmos a Deus), gostaríamos de elencar alguns conselhos práticos para que os grupos de louvor pudessem se apresentar sem querer roubar a glória de Deus. Um princípio joanino deve vir sempre à mente quando o assunto é louvor e adoração: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3.30). Agora vamos aos pontos, que formam meia dúzia de conselhos bem práticos:

I) Cantem a Bíblia: Organizem o repertório com músicas que mostrem claramente passagens bíblicas. Algo precioso da herança reformada é o princípio de que temos que ler a Bíblia, orar a Bíblia, pregar a Bíblia, cantar a Bíblia e viver a Bíblia. Se ela é nossa fonte suprema de sabedoria, o livro da revelação que nos alimenta espiritualmente, o retrato de Cristo (pois aponta para ele) e nosso guia prático, então porque cantar letras derivadas de outros mananciais? Chega de tanto humanismo e psicologia barata que fala que “você é campeão e vencedor”. Paremos com esses “hinos” que amaciam nosso ego e que não tem respaldo na Palavra. Embasemos nossas canções na Sagrada Escritura. Isto agrada a Deus.

II) Não molde o repertório ao gosto pessoal: O culto é determinado por Deus e não está ao bel prazer do grupo de músicos.  Deus o instituiu para ser comunitário. A Igreja é quem louva e não o grupo de louvor sozinho. Lembrem que a congregação é multi-geracional, isto é, tem diversas gerações: idosos, adultos, jovens, adolescentes e crianças. Temos visto que o estilo de música mais atraente para o público jovem tem dominado as listas de canções nos cultos. Lembrem que, na igreja, nem todo mundo é fã de solos de guitarra e gritos ensurdecedores. Parem de tocar músicas que fazem aeróbica. Não desprezem os antigos hinos, toque-os alternando-os com hinos mais recentes. E não esqueçam da importância do nosso primeiro item, que é cantar a Bíblia.

III) Abaixem o volume e evitem o estrelato: Como dito acima, o culto é comunitário. A igreja canta junto numa só voz. A maioria esmagadora dos grupos de louvor cobre a voz da congregação devido ao alto volume do seu som amplificado. É preciso ter sensibilidade e evitar o exibicionismo. A congregação também encontra dificuldades quando a música escolhida tem um tom muito elevado, onde apenas o cantor consegue alcançar as notas. Ademais, quando um músico toca em uma apresentação fora da igreja, ele está apresentando sua arte, em muitos casos deve realmente demonstrar técnica e virtuosismo instrumental, mas, no culto solene o objetivo não é esse, é apenas acompanhar a melodia e conduzir o povo a louvar a Deus. Conduzir o louvor - e não se apresentar - é o propósito. Entendeu?

IV) Não queiram ser os mais importantes no culto: Como foi frisado, o momento de louvor é para a igreja cantar ao Senhor. Sendo assim, não é o momento para orações extensas e pregações no meio da música. A pregação será realizada pelo pastor. A música na igreja não pode ofuscar a pregação. Em muitos lugares temos de quinze à vinte minutos de pregação e quase duas horas de música. Nesse caso, tanto o pastor como os músicos devem ter ciência que estão em desobediência a Palavra de Deus e invalidando a pregação do evangelho. A música comunica o evangelho, mas, a pregação foi o meio criado por Deus para que os homens creiam e se arrependam dos seus pecados. Não se pode reposicionar a música no lugar da pregação. E também, o momento do louvor não prepara o coração da igreja para a pregação, quem prepara a igreja para o momento da exposição da Palavra é o Espirito Santo. Não acredite que o momento do louvor é mais importante no culto, pois não é. A pregação é o momento que Deus fala com sua igreja. A pregação foi determinada por Deus como meio de transmissão de sua poderosa graça, pois nela, a Escritura é exposta e por meio da exposição bíblica o Espírito Santo age convertendo corações. Tenham cuidado para não negligenciar aquilo que Deus deu importância no seu culto.

V) Zelem por uma boa conduta: Os músicos cristãos devem ter uma vida piedosa, santa e não escandalosa e ímpia como acontece em alguns casos. Tocar na igreja não pode ser um passatempo, mas, um exercício piedoso. Componentes carnais, insubordinados ou estrelas devem se arrepender ou então serem afastados de seus afazeres nas atividades musicais na igreja. Os músicos cristãos devem reger suas atividades diárias pela Escritura Sagrada. Devem ler a Bíblia, amar a Palavra de Deus. O momento de louvor não é um show, aqueles que cantam e tocam na igreja devem saber que sua presença a frente da congregação é algo de responsabilidade para com Deus e não para inflar o ego. Por isso deve-se atentar também até para o tipo de roupa do grupo. Mulheres com roupas extremamente apertadas e sensuais, ou homens da mesma forma amantes de si mesmo e da sensualidade não podem estar a frente desse momento solene no culto.

VI) Dediquem-se a música com esmero: Os músicos crentes devem estudar seu instrumento (isso inclui a voz) de forma excelente. Devem ser bons músicos, pois estão fazendo para glória de Deus. Certa feita, um sapateiro perguntou para Lutero o que deveria fazer para agradar a Deus. O Reformador lhe respondeu dizendo que ele deveria cuidar dos sapatos de maneira caprichada, assim, poderia até “engraxar sapatos para o louvor do SENHOR Deus”. Os músicos cristãos devem ter boa técnica e conhecer os mais variados gêneros musicais, devem ser exímios conhecedores de sua arte. Deus é o autor de todas as coisas. O grande artista que fez o homem a Sua imagem e semelhança, dotando o ser humano com vários dons. A música é um dom divino e precisa ser executada e desenvolvida com uma mentalidade reverente. O compositor erudito Johann Sebastian Bach entendeu isso. Ele compôs suas sinfonias dando o máximo de si e ao final de cada partitura colocava a sigla S.D.G. (Só a Deus Glória, do latim Soli Deo Gloria).

Bem, aqui finalizamos na expectativa que tais conselhos ajudem a todos os que trabalham com a música nas congregações. Falamos como irmãos em Cristo, e membros que amam a Igreja do SENHOR, valorizando o culto comunitário como sendo uma fonte vigorosa que nos incentiva no caminho do Evangelho.

Graça e Paz.

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Fonte: Electus
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Somos irmãos do nosso Senhor?

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Por Denis Monteiro


Você já parou para pensar como Jesus pode ser nosso irmão, sendo que, Ele é o unigênito de Deus e, ao mesmo tempo, Ele é o nosso Senhor? 

É exatamente isso que o Catecismo de Heidelberg vai tratar no 13º Dia do Senhor:

33. Por que Cristo é chamado "o único Filho de Deus", se nós também somos filhos de Deus?
R. Porque só Cristo é, por natureza, o Filho eterno de Deus. Nós, porém, somos filhos adotivos de Deus, pela graça, por causa de Cristo. 
34. Por que você chama Cristo "nosso Senhor"?
R. Porque Ele nos comprou e resgatou, corpo e alma, dos nossos pecados e de todo o domínio do diabo, não com ouro ou prata, mas com seu precioso sangue. Assim pertencemos a Ele. 

O 13º Dia do Senhor vai tratar sobre o segundo artigo da confissão cristã (o Credo Apostólico) – [Creio] em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor – e crer nestas duas verdades nos é humilhante. 

A Bíblia diz que somos Filhos de Deus e que Jesus é o único Filho de Deus, como nós podemos ser filho daquele que tem um único Filho? Cristo sempre foi o Filho de Deus (Hb.1.2), logo, Cristo não foi feito Filho de Deus, mas sempre o foi. Cristo é o Filho eterno e gerado de Deus, nunca houve um momento em que Cristo não existisse, pois Ele é a própria vida (Jo 5.26) e todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele (Cl 1.16), no princípio Ele sempre esteve com Deus (Jo. 1.1,2). No entanto, nós éramos filhos da ira por natureza (Ef 2.3), pois quando nossos primeiros pais caíram, toda a humanidade foi colocada debaixo da maldição do pecado e debaixo da ira de Deus, sendo merecedores do castigo eterno. E como nos tornamos filhos de Deus? 

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei. Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”. (Gl.4.4.-5).

A adoção é o meio pelo qual Deus fez com que nos tornássemos filhos d’Ele. Por meio da morte o Filho Unigênito, Jesus Cristo, Deus fez com que nós fossemos coerdeiros e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho (Rm.8.17; Ef.3.6). 

Assim como somos irmãos e coerdeiros com Cristo, Cristo é o nosso Senhor, porque nos resgatou (1 Co 6.20; 1 Pe 1.18,19) da condenação eterna para sermos escravos seus. Além de Cristo ser nosso Senhor por resgate (preço pago com seu sangue), Cristo é o nosso Senhor porque Ele é o primogênito de toda criação e o cabeça de todo o corpo (Cl 1.15,18), além do mais, em Cristo os três ofícios são vistos: Cristo é rei, profeta e sacerdote. Por isso Jesus é Senhor dos Senhores e Rei dos Reis (Ap. 17.14; 19.16). 

Mas, por que é humilhante crer nessas duas verdades acerca de Cristo?

Quando Cristo é descrito como o “Filho Unigênito” de Deus, não acrescentou e nem tirou nada que lhe pertencia. Mas quando nós nos tornamos filhos de Deus, por causa do Filho Unigênito de Deus, isso fez com que nos elevasse, na pessoa do Redentor, ao trono de Deus, onde se encontra em “corpo humano perfeito”, modelo de todos os humanos regenerados e destinados à incorruptibilidade corporal e espiritual na eternidade consumada em Cristo Jesus.

Portanto, aqueles que estavam destinados à ira eterna foram salvos, mostrando que a única pessoa que poderia nos remir de toda culpa era justamente o Filho de Deus que nada fez para receber a nossa condenação e que nada fizemos para receber tamanha graça. 

Do mesmo modo é quando olhamos para Cristo como Senhor, em alguns sistemas de governos terem um senhor sobre eles é normal, mas estes governos são totalitários e não há com que os subalternos se alegrem em obedecer ao seu senhor, mas Cristo sendo Senhor da criação, veio ao mundo e se relacionou, se humilhou e se doou em favor de nós pecadores. 

No entanto, Cristo é o nosso Senhor Soberano e governa as nossas vidas, portanto, é complicado quando vemos crentes dizendo que ninguém manda em sua vida, que ele faz o que bem entende, entre outras coisas. Esse pensamento autônomo não existe diante de Deus, mas, no entanto, o governo de Deus não é ditatorial, mas há um relacionamento com Deus, por Cristo, que nos faz desejá-lo a cada dia mais. Logo, obedecer a Seus mandamentos não é penejo (1Jo 5.3) porque o amor de Deus nos constrange. 

Portanto, que nós venhamos entender que nós não merecíamos chamar Deus de Pai, mas por causa do Seu grande amor em Seu Filho, nosso Senhor, aprouve a Deus no salvar da condenação eterna, nos dando o exemplo real de humildade. Porque o fato de Deus nos salvar não nos deve nos fazer orgulhosos, mas deve quebrar o nosso orgulho e arrogância. 

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Fonte: Bereianos
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O Eterno Propósito

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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha explica, com base em Efésios 3:11 e Romanos 8:28-30, qual é o plano de Deus para o Seu povo? Qual é o eterno propósito de Deus? Através dos decretos de Deus podemos ter a segurança de nossa salvação?

Assista!



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Fonte: Guerra pela Verdade
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O dom de variedade de línguas - 1/3

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Por Leonardo Dâmaso


Texto base: 1 Coríntios 14.2,4a, 13-17, 21-25, 27-35.

Introdução

No capítulo 14, Paulo estabelece algumas diretrizes para corrigir a forma desorganizada de culto que a igreja de Corinto estava realizando. Para isso, o apóstolo se concentra em dois dons espirituais – o dom de profecia e o dom de línguas. Segundo Paulo, estes dons estavam sendo usados no culto público de maneira equivocada, e, portanto, não estava promovendo a edificação dos participantes.

As heresias fatais do "Amor"

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Por Richardson Gomes


Nesses últimos dias tenho ouvido alguns discursos de certos mestres da atualidade, frutos de uma teologia pós-modernista, que têm como base ideológica o que eles chamam de amor. São doutrinas estranhas, porém muito conhecidas, que têm sido abraçadas e pregadas por pastores e líderes que são referências no cenário evangélico de hoje. Eloquentes, donos de excelentes oratórias, pastores como Ed René Kivitz, Caio Fábio, Ariovaldo(s), Ricardo Gondim, dentre outros, que afirmam heresias que acabam negando muitas verdades centrais de todo o cristianismo.

Creio que se os pastores não atentarem para um rigoroso zelo pelas verdades bíblicas, alinhando-se e adequando-se à teologia ortodoxa, serão certamente seduzidos pelo universalismo (que afirma que todo humano será salvo), pelo teísmo aberto (que tira de Deus o controle do mundo em que vivemos), pela teologia liberal (que nega a inerrância e a infabilidade da Bíblia), pela missão integral (coloca a ação social acima da pregação do evangelho) e outros pensamentos fatais. Com isso, permitirão que, aos poucos, essas ideias adentrem em suas igrejas e, com elas, o mundanismo e a secularização ganharão força e deixarão a Bíblia, a Palavra de Deus, de lado, caracterizando igrejas verdadeiramente doentes. Esse é o motivo porque isso é tão perigoso - e este alerta é tão importante.

Me preocupo muito quando observo no discurso de todos esses propagadores, uma carga superficialmente piedosa, tão grande que chega realmente a enganar quem quer que esteja ouvindo, se não houver forte teor crítico baseado nas Escrituras. Seus pensamentos se baseiam em valores como o amor de forma tal como se Deus, em nome desse amor, pudesse contradizer o que Ele revelou de si mesmo nas Sagradas Escrituras. Nem tudo que carrega palavras bonitas, carismáticas e até piedosas é bíblico. Não podemos nunca deixar princípios bíblicos de lado em nome do "amor". Deus é o próprio amor e ir contra ele não é amar (I Jo 4:8).

Cria-se então um "deus" que é feito de acordo com os princípios e valores humanos. Não é que Deus vai estar sempre contra todos os nossos princípios morais, uma vez que a moral nos foi dada pelo próprio Deus, mas, como diz Tim Keller: "se o seu deus nunca discorda de você, você pode apenas estar adorando uma versão idealizada de si mesmo". Diante de uma humanidade caída e pecadora, um deus baseado no pensamento humano seria, no mínimo, finito e pecador. E nesse deus, nenhum cristão deveria crer. O Deus da Bíblia não é separado em seus atributos. Ainda que Deus seja amor, Ele também é justiça. Ele também é santo e odeia o pecado. E se somos pecadores, sempre há momentos em que somos confrontados com verdades duras para nosso coração depravado. E o que fazer? Moldar Deus a nós mesmos ou sermos moldados por Ele?  

Uma grande parte de pregadores, líderes e pastores têm trazido às suas ovelhas mensagens que agradam ao homem e que são de fácil aceitação. São muito bonitas, carregam até alguns valores, mas negam verdades bíblicas e prejudicam o verdadeiro e fiel cristianismo. O problema do "falar o que os outros querem ouvir" têm crescido fortemente em muitas igrejas evangélicas. Através deles a Escritura começa a ser deixada de lado, a paixão pela santidade é esquecida e uma verdadeira piedade não é mais vivida. Em nome do "amor" muitos estão negando a Bíblia; em nome do "amor", estão barateando a graça de Cristo; em nome do "amor", estão deixando de pregar um Deus santo; em nome do "amor", estão mantendo crentes sem nenhum compromisso nas igrejas; em nome do "amor", estão deixando de lado o verdadeiro Amor, o amor cristão, o amor bíblico, o amor que vem de Deus e que nunca, em nenhuma hipótese, negará os Seus princípios. 

É isto que temos ouvido nesses difíceis tempos: "Deus é amor, Ele não te punirá", "o inferno estará vazio", "todos serão salvos", "continue como está", "é só amar, dar comida aos pobres e pronto, estarão quites com Deus", "Deus não iria se importar com isso", "o que vale é o amor", "Deus não se ira", e muitas outras frases que demonstram a falta de compromisso bíblico na pregação. Estes pensamentos movidos por Satanás são frutos de uma graça barata, que exclui a santidade em detrimento da "graça". Como se Deus tivesse deixado sua justiça de lado por ser Ele o amor. Não! Deus é amor e justiça e, ao mostrar sua misericórdia para conosco, aplicou sua justiça em Jesus Cristo. A verdadeira Graça Valiosa de Deus nos salva para que sejamos irrepreensíveis e que procuremos, a todo modo, agradar a Deus e amá-lo acima de qualquer coisa.  

Se não desembainharmos a espada do evangelho e lutarmos contra estas ideologias que pregam o respeito e a aceitação como se fossem contrárias ao zelo doutrinário, estaremos nos conformando com o mundo (Rm 12:2) e deixando-o entrar em nossas igrejas. O evangelho não é socialismo, não é uma ONG, nem autoajuda. O evangelho é o poder de Deus para salvar todo aquele que crê (Rm 1:16) e se não o conhecermos tal como ele é nas Escrituras, erraremos feio (Mt 22:29). Se olharmos apenas para o segundo mandamento mais importante (que é amar ao próximo como a nós mesmos) e taparmos os olhos para o primeiro (que é amar a Deus sobre todas as coisas) estaremos cumprindo de maneira totalmente errada e pecaminosa o segundo mandamento (Mt 22:37-39). Nunca poderemos amar ao próximo com um amor bíblico e cristão se não amarmos a Deus e a sua glória acima de qualquer outra coisa. Pois se amamos a Jesus, obedeceremos os seus mandamentos (Jo 14:15) mesmo que não agrademos os homens ou a nós mesmos. Atente-se para o que J. C. Ryle diz em um de seus livros:

"Estão se levantando mestres que atacam abertamente a doutrina da punição eterna, ou que estão procurando invalidá-la mediante as suas distorcidas explicações. Muitos estão ouvindo declarações plausíveis sobre 'o amor de Deus' e a impossibilidade de um Deus amoroso permitir um inferno de chamas eternas para os homens. Assim, a eternidade da punição é divulgada como uma mera 'questão especulativa' acerca da qual os homens podem acreditar da forma que mais lhes agradar. Em meio a todo esse dilúvio de falsas doutrinas, retenhamos firmemente a antiga verdade da Bíblia. Não nos envergonhemos de crer que existe um Deus eterno, um céu eterno e uma eterna punição. Lembremo-nos que o pecado é um mal infinito. Foi necessário uma expiação de infinito valor para livrar o crente das consequências do pecado; e há uma infinita perda, para o incrédulo que recusa o único remédio providenciado para resolver o problema do pecado. Acima de tudo, depositemos toda a nossa confiança nas claras afirmações bíblicas, como esta que temos à nossa frente. Um texto bíblico claro vale mais do que mil argumentos confusos."

Não quero, de maneira nenhuma, menosprezar o amor. Apenas quero ajudá-los a compreender o verdadeiro amor cristão. E este nunca será como é no mundo fora de Cristo. O amor verdadeiro não lança mão das Escrituras, não menospreza a glória de Deus, nem sua santidade, nem sua ira e nenhum de seus atributos. Este amor nunca fará parte de nenhum tipo de teologia liberal e nenhum discurso humanista. O amor cristão, no qual cremos, é aquele que exalta um Deus santo que se doou verdadeiramente para que pecadores como nós sejamos resgatados e totalmente transformados para o louvor da glória da Sua graça (Ef 1:4-6). 

"Amem o Senhor, todos vocês, os seus santos! O Senhor preserva os fiéis, mas aos arrogantes dá o que merecem." - Salmos 31:23

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Fonte: Electus
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O arminianismo e a salvação por graça e obras

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Por Álvaro Rodrigues


Não é de hoje que os arminianos, buscando se esquivar das consequências negativas de sua soteriologia, reivindicam aos brados que sua teologia jamais ensinou salvação por graça e também por obras. Esses arminianos argumentam que "a salvação na soteriologia arminiana decorre, como ponto de partida, da ação da graça de Deus que capacita os homens para que estes se tornem aptos a responder positivamente a ordem do evangelho no que tange ao arrependimento". E acrescentam que "é falso afirmar que a fé (não-resistir a graça), seja uma obra para salvação". Considerando tais argumentos, buscaremos respondê-los demostrando que, de acordo com a Escritura, a fé ou a não-resistência não são obras PARA a salvação, mas que ao mesmo tempo, tais ações são boas por definição, e que estas boas ações, no arminianismo, tornam-se a causa da eleição e salvação, e não a consequência.

É necessário primeiramente enfatizar a verdade de que a fé é um dom de Deus (Ef 2:8). Colocar a confiança em Cristo é uma capacidade dada por Deus, visto que o homem natural não pode exercer nenhuma boa ação para a salvação sem que antes o próprio Deus o capacite para tal. Esta verdade é crida não somente por calvinistas, mas é também aceita e defendida por arminianos. O que vai diferenciar os primeiros destes últimos é que, enquanto os primeiros (calvinistas) defendem que a aplicação da graça é irresistível naqueles que foram eleitos por Deus, estes últimos (arminianos) irão defender uma graça preveniente que pode ser resistida por todos. Já demostramos a incoerência da graça preveniente arminiana no texto "A incoerência da graça preveniente e da regeneração parcial no arminianismo". E já fizemos uma breve defesa da graça irresistível e sua aplicação no ato salvífico no texto "Respostas à algumas objeções contrárias à doutrina da graça irresistível"

Dirá o arminiano: "o ato de não resistir à graça não é uma obra para a salvação".

Resposta: A primeira coisa que devemos entender é que a ação de "não resistir a graça" é, por definição, uma boa obra, então quando se crê que somos salvos pelo fato de "não termos resistido" estamos colocando a causa de nossa salvação a essa boa ação que é "não resistir a graça". Desta forma, a salvação na cosmovisão arminiana é por graça e por boa obra, pois o não resistir é uma boa obra, e não uma má obra. É no calvinismo que de fato a fé bíblica e a ação de não resistir não são obras PARA alcançar a salvação. No arminianismo, a não-resistência e a fé tornam-se boas ações PARA se obter a salvação, e não boas ações como EFEITOS da eleição para a salvação. Ademais, a salvação no arminianismo sendo uma ação a priori de Deus, não muda o fato de que ainda assim a efetivação dela dependa totalmente da decisão do homem. Neste sentido, podemos entender que Deus precisa da ajuda do homem para que a salvação se torne efetiva. 

No calvinismo é diferente, a "não resistência" é consequência da eleição. Logo, quaisquer atitudes do homem (capacitado pela graça) tais como fé, arrependimento, e não-resistência, não são tidas como as CAUSAS da salvação. A CAUSA única seria a SOBERANIA DE DEUS quando elegeu certos homens para a fé, a não-resistência e o arrependimento. De forma que, no calvinismo, a causa da salvação não é a boa ação da não-resistência, mas sim A ETERNA DECISÃO DE DEUS de eleger para a boa ação da não-resistência. Como também, as ações de não-resistir, o arrependimento e a fé,  distinguem eleitos de não-eleitos. Estas ações demostram a eleição, o que é diferente de dizer que são CAUSAS DA ELEIÇÃO E SALVAÇÃO. Logo, não há salvação por boas ações no calvinismo. Já no arminianismo, essas boas ações CAUSAM A ELEIÇÃO de forma que a salvação é alcançada  por graça e boas ações.

Dirá o arminiano: "mas a fé nunca é vista na escritura como uma obra, mas sempre em oposição às obras".

Resposta: Claro, mas ela é sempre posta em oposição às boas obras que eram tidas por alguns (em especial judeus) da igreja primitiva como as CAUSAS da salvação. Estas obras seriam o que o Apóstolo Paulo denomina de "obras da Lei" (Gl 3:10). Era da preocupação dos Apóstolos, em especial do Apóstolo Paulo, demostrar que a salvação não era confirmada pelo guardar da Lei, mas sim pela fé como dom e fruto da eleição (At 13:48, Ef 2:8). Entretanto, a fé salvífica é, por definição, uma boa ação que leva inevitavelmente a outras BOAS ações as quais Deus também preparou para que, desde a fundação do mundo, andássemos nelas (Ef 2:10). Como já frisado aqui e em outros textos nossos,  é preciso notar que tais boas ações são resultados da ação prévia de Deus, o que se conhece por eleição. De forma que os arminianos jamais poderão acusar a soteriologia calvinista de defender salvação por boa obra, visto que essas boas ações, na soteriologia calvinista, não são CAUSAS, mas efeitos da eleição . 

O arminiano ainda poderá dizer: "Na teologia de Armínio, a graça preveniente é a causa última da resposta positiva ao evangelho". 

Resposta: Não. A causa última se encontra na volição positiva deste homem como resposta à ação capacitadora da graça preveniente. O papel da graça no arminianismo é capacitador. A graça preveniente é derramada sobre todos os homens para que estes se tornem capazes de crer em Cristo. Mas, a causa final da salvação se encontra na resposta destes homens, isto é, na não-resistência (obediência) ao evangelho. Na visão arminiana o homem é senhor de seu destino e eleição. Nesta visão, Deus não pode ser o Senhor da história, pois é apenas um sujeito que atua preso às decisões destes homens. Que tipo de Senhor da história é este que se encontra preso àquilo que os homens decidem? Que tipo de soberania é esta que encontra-se algemada ao querer humano? E não adianta usar o argumento de que Deus limitou a sua soberania, pois não há nenhuma passagem bíblica que confirme isto; muito pelo contrário, existem várias passagens bíblicas que confirmam o governo soberano de Deus sobre todas as coisas (Is 46:10, Sl 115:3, Dn 4:35, Pv 21:1, 16:33 etc)

Conclusão

Desta maneira entendemos que: em um sentido a fé não é obra, mas em outro sentido ela é sim uma obra. Ela é uma boa obra no sentido de que não é uma má ação crer que Cristo é o Salvador; porém não é uma boa obra no sentido de ser uma ação humana e CAUSATIVA da salvação, mas sim uma boa atitude como um dom dado por Deus aos seus eleitos (Ef 2:8, At 13:48). Entendemos também que: sendo a ação de "não resistir a graça", por definição, uma boa obra, e ainda assim crermos que somos salvos pelo fato de "não termos resistido", estamos, desta forma, colocando a causa de nossa salvação a essa boa obra que é "não resistir a graça". De forma que, diante de tudo o que foi esclarecido, podemos logicamente concluir que a salvação na cosmovisão arminiana é POR GRAÇA E POR BOA OBRA.

Soli Deo Gloria!

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Fonte: A Suficiência das Escrituras
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Oferta sincera, eleição e expiação limitada

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Por Turretinfan


Meu amigo Paul postou uma resposta à resposta de David Ponter aos comentários de James Anderson acerca da Expiação Limitada e da Livre Oferta. É um texto bastante detalhado, que vale a pena ser lido. Sendo assim, permita-me postar apenas algumas reflexões sobre o assunto, mais especificamente a objeção levantada:

A “livre oferta” do Evangelho é realmente “sincera”, uma vez que Jesus morreu somente por alguns e não por todos os indivíduos? Pois se senão se disponibiliza a expiação para eles, então a oferta aparentemente é insincera.

Essa é uma objeção recorrente levantada particularmente por parte dos amiraldistas e arminianos. Se tu crês que o Evangelho consiste em afirmar: “Jesus morreu por ti”, então essa objeção de fato faz sentido. Se devemos dizer às pessoas, indiscriminadamente, que Cristo morreu por eles, quando Ele não o fez, a oferta efetivamente não parecer ser muito sincera.

As Escrituras, entretanto, não apresentam o Evangelho dessa forma. Nelas, o Evangelho é expresso em termo de arrependimento de nossos pecados e na crença (isto é, na confiança total) em Cristo para a salvação. Se tu crês em Cristo e te arrependes de teus pecados, Deus há de ter misericórdia de ti.

Há um universo de diferenças entre estas duas mensagens: uma faz uma declaração incondicional com relação àquilo que Cristo realizou; a outra, por sua vez, faz uma declaração condicional acerca do que Deus vai fazer.

Todavia, mesmo entre aqueles que afirmam que o Evangelho não consiste em anunciar que “Jesus morreu por ti”, há alguns que não apreciam a ideia da salvação sendo oferecida àqueles para quem Deus não forneceu as condições necessárias. De fato, nossos amigos amiraldistas e arminianos por vezes nos pressionam com a ideia de que tal oferta condicional não é “sincera”, a não ser que Deus tenha algo preparado para essas pessoas.

Contudo, a simples ausência de condições para que todos sejam salvos não explica essa objeção. Imagine que uma empresa ofereça a “qualquer um que esteja disposto a vir até nossos escritórios e ouvir nossos funcionários explicarem as vantagens de nosso novo trator” um incentivo de “U$ 5, bastando apenas se dirigir até aqui e escutar o que temos a dizer”. Ninguém consideraria tal oferta “insincera” caso a empresa não possua o valor total que resulta de U$ 5 vezes o número de pessoas que hão de ouvir a oferta, contanto que ela possua o valor total resultante de U$ 5 vezes o número de pessoas que eles julgam que vão aceitar a oferta.

Portanto, contanto que as condições sejam suficientes para aqueles que irão “aceitar” a oferta, não vemos, pois, a oferta como “insincera”. Uma vez que, de acordo com a visão calvinista, Deus forneceu condições para todos aqueles que virão a Cristo, a oferta do Evangelho deve também ser considerada como sincera mediante esse critério.

Por trás da objeção permanece, todavia, a objeção de que uma “oferta” não é sincera, caso não se tenha intenção de dar realmente a coisa ofertada para aqueles a quem se oferece. Por exemplo, quando uma criança oferece seu sorvete acontece por vezes de ser apenas uma imitação da oferta que um dos pais também faz de dividir seu sorvete. Caso o pai ou a mãe tente aceitar a oferta da criança, esta pode recusar, gulosamente, a dividir com eles um pedaço. Logo, a criança somente ofereceu dividir o sorvete porque pensou que a oferta seria recusada. Uma oferta como esta é insincera.

Sem dúvida, neste ponto lidamos com o tipo de objeção que um amiraldista, ou alguém como Ponter, não pode sustentar de forma consistente. Afinal de contas, o problema com a oferta da criança não é que ela não tenha um sorvete para dividir, mas sim que ela não pretende abrir mão dele. O amiraldista admite que Deus não pretende salvar os não-eleitos. Consequentemente, se as circunstâncias são fornecidas ou não é um ponto completamente discutível.

Todavia, para aqueles que insistem que Deus deve ter a intenção de salvar, podemos ainda questionar legitimamente a validade dessa objeção. Não basta que Deus pretenda salvar todos aqueles que “aceitam” a “oferta”? A ideia de que Deus deve ter a intenção de salvar todos aqueles que Ele sabe que hão de rejeitar parece absurda quando expressa desse modo. Desse modo, podemos concluir que embora tal objeção possa apresentar um certo apelo intuitivo limitado, ela não resiste à análise intelectual.

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Fonte: Turretinfan
Tradução: Fabrício Moraes
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