Deus, por meio de Sua presciência, já sabia que o homem pecaria?

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Neste vídeo o Rev. Ricardo Moura responde a seguinte pergunta: Deus, por meio de Sua presciência, já sabia que o homem pecaria? Assista:



Para ver o debate na íntegra, clique aqui!
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Autor: Rev. Ricardo Moura Lopes Coelho
Fonte: Vídeo extraído do debate no programa Vejam Só, no dia 28/08/2015, entre o Rev. Ricardo Moura Lopes Coelho e o Bp. José Ildo Mello, sob o tema: O que a Bíblia quer ensinar quando afirma que o cordeiro foi morto desde a fundação do mundo? (Ap. 13.8)
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Educar na Disciplina do Senhor

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Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo... E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. (Efésios 6.1,4)

O filho está debaixo da autoridade dos pais e lhe deve obediência. O filho deve ser obediente aos pais porque Deus mandou e porque é justo. Ser pai, segundo os versos 2 e 3 significa ter o direito a ser honrado, portanto ser pai é um privilégio também. E mais, Deus também prometeu abençoar o filho que honrasse a seus pais.

Há dois ensinamentos claros nesse texto sobre como podemos educar nossos filhos na disciplina do Senhor:

I. NÃO PROVOCAR NOSSOS FILHOS À IRA.

Quando é que provocamos nossos filhos à ira? (1) Exigir mais do que pode fazer. (2) Brigar com eles na frente dos outros. (3) Não reconhecer o seu trabalho quando bem feito. (4) Compará-los com outros, diminuindo-os. (5) Não deixá-los escolher, mas escolher sempre por eles. (6) Desconsiderar as suas opiniões. (7) praticar disciplina com violência humilhante em vez da disciplina bíblica.

II. EDUCÁ-LOS NOS PRINCÍPIOS DE DEUS.

a) Ensinar e aplicar a disciplina.

A disciplina é positiva no ensinamento quando nosso filho é nosso discípulo (aluno) dentro de casa e negativa na aplicação de castigos. O ensino acerca do que é certo e do que se espera precisa vir sempre antes e após o castigo para surtir efeito duradouro. Instruir de como fazer certo e cumprir o discipulado da criança evita o castigo.

Para crianças, o método da disciplina negativa é a vara. Contudo a própria Bíblia nos diz como usa-la a fim de que não haja violência, mas apenas disciplina educativa. “Tu a fustigarás com a vara...”. Fustigar é bater com uma vara fina de forma a doer, mas não a machucar. Mesmo assim, a vara só deve ser usada em casos de desobediência deliberada, da rebeldia e da teimosia. Atos de irresponsabilidade e falta de destreza devem ser tratados de outra maneira.

b) Corrigir segundo a verdade e não por capricho.

Admoestar é trazer à memória da criança o que é certo para voltar a praticar o que é correto e abandonar o que é errado. A Admoestação pressupõe a aplicação de ensino prévio. Não se admoesta sem se ter a consciência de como deveria ter sido feito.

As crianças devem aprender assentadas em casa, andando pelo caminho, quando se deitam e quando se levantam (Dt 6.7). Por isso, devemos ensinar e encorajar nossos filhos a lerem a Bíblia todos os dias. Devemos ensiná-los e encorajá-los a orar sempre. Devemos orar com eles e por eles cotidianamente. Devemos deixar que vejam o nosso exemplo, porque os filhos imitam primeiro os pais. Uma verdade que tem de estar estampada em nossos corações firmemente é: Nossos filhos precisam de Deus porque são pecadores como nós (Sl 51.5).

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Autor: Rev. Hélio de Oliveira Silva
Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus
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A Predestinação

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(1)

1. Um decreto de Deus que afeta as criaturas pode ser tanto geral como específico.

2. O decreto geral é aquele em que ele determinou mostrar a glória de seu poder, sabedoria e bondade na criação e preservação de todas as coisas.

3. O decreto específico, chamado predestinação, é aquele que ele ordena esta glória de sua graça, misericórdia e justiça se revelando nas criaturas racionais, sejam eles eleitos ou réprobos.

PROPOSIÇÕES

I. Embora a predestinação seja um ato único e absolutamente simples na mente de Deus, todavia, levando em consideração a fraqueza do nosso entendimento, a predestinação como um destino último, pode ser diferenciada da predestinação com respeito aos meios. 

II. Todos os que estão predestinados para um destino, também têm predestinado os seus meios. 

(2)

1. A predestinação afeta tanto os anjos como aos homens.

2. A predestinação dos anjos significa que Deus determinou sempre preservar alguns deles em [sua] felicidade original, em Cristo como cabeça,[1] e punir outros eternamente em abandoná-los de seu estado de sua própria harmonia, para revelar a glória de sua graça e justiça.

3. A predestinação dos seres humanos significa que, da raça humana que ele criou à sua própria imagem, mas que caíram em pecado por seu próprio ato, Deus determinou na eternidade salvar alguns por meio de Cristo, mas também condenar eternamente os demais, mantendo-os em sua própria miséria, para que revelassem a glória de sua misericórdia e justiça. 

4. Entretanto, há dois aspectos [pars] da predestinação: eleição e reprovação.

PROPOSIÇÕES

I. A predestinação é num sentido um decreto absoluto e ao mesmo tempo não. 

II. Ele é absoluto com respeito a sua causa eficiente [causa efficiens impulsiva] o qual nem é a fé do eleito, nem o pecado do réprobo, mas absolutamente a livre vontade de Deus. Nem é a fé ou a santidade prevista a causa da eleição, nem se tornou eleita a pessoa porque creu. Pelo contrário, ele crê porque foi eleito. Em At 13:48 “creram os que estavam ordenados para a vida eterna”. Nem somos escolhidos porque seríamos santos, mas “a fim de que sejamos santos e inculpáveis nele, em amor” (Ef 1:4). Nem é o pecado previsto a causa da reprovação. Se fosse, todos seríamos reprovados. Que Deus agiu sobre a sua absoluta e livre boa vontade [beneplacitum] é evidente em Lc 12:33: “é a boa vontade do Pai dar-lhes o reino”, e de Rm 9:15: “terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia”, e 9:18: “ele tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem lhe apraz”.

III. Mas o decreto da predestinação não é absoluto com respeito aquilo que ele oferece [materia seu obiectus], nem em relação aos meios pelos quais ele conduz.

IV. Aquilo que a predestinação realiza não é o homem considerado absolutamente, mas o homem é quem caiu em pecado pelo seu próprio ato. As razões para isto são óbvias. (1) O decreto pressupõe pecado ao revelar misericórdia e a ira, ou a justiça; a misericórdia é sem sentido exceto na presença do sofrimento, bem como a justiça ou da ira é sem sentido exceto na presença do pecado. (2) Somente a culpa pode ser reprovada. Mas o homem não é culpado quando criado por Deus, senão quando ele foi deformado por Satanás.

V. Todavia, o pecado não é a causa da reprovação, mas uma necessária condição no objeto [materia seu obiectus]. Embora ele não seja a causa da reprovação, no entanto, o pecado é uma causa da culpa [causa reprobabilitatis]. A diferença entre ser culpado e ser reprovado é o mesmo que entre potência e ato; todos os homens são culpados por causa do pecado, mas nem todos são réprobos.

VI. Portanto, a predestinação pressupõe os seguintes decretos: (1) criar o homem; (2) conceder a imagem de Deus ao homem criado, mas de tal forma que pudesse perde-la; (3) permitir a sua queda.

VII. Os meios pelos quais o decreto é conduzido são tais que, embora Deus atue apenas pelo seu beneplácito, todavia, o eleito não tem base para orgulhar-se, nem o réprobo tem fundamento para reclamar. Sobre o primeiro confere imerecida graça, e, sobre o outro reserva punição. 

VIII. Numerosas questões surgem: (1) Sobre qual direito Deus condena um homem à reprovação, sendo ele sua própria criatura? (2) Por que ele não elege, ou condena igualmente a todos? (3) Por que ele escolhe alguém como Pedro, e condena outro como Judas? A resposta para a primeira questão depende da causa material, que é um homem tão caído como culpado. A resposta da segunda vem do propósito, porque Deus pretende revelar a glória de sua misericórdia e sua justiça. A resposta da terceira vem da causa ativa, porque este é o modo que Deus deseja fazê-lo. Do mesmo modo, seria como perguntar por que um oleiro faz diferentes pratos do mesmo monte de argila, a resposta é encontrada no seu propósito de servir aos muitos usos dos pratos numa casa. Mas se for perguntado por que ele faz um vaso de um pedaço de todo o barro, e um pote de outra parte, a resposta está na causa ativa: isto é o que oleiro quer.

IX. Cristo pode ser considerado tanto Deus-homem, ou como o nosso mediador. Do primeiro ponto de vista ele é, com o Pai e o Espírito Santo, a eficiente causa da nossa eleição. De uma segunda perspectiva, ele é o meio de executar a nossa eleição. Portanto, se diz que somos escolhidos em Cristo (Ef 1:4); e de fato, somos conduzidos à salvação por meio dele. O decreto que nos salva é predestinação para um destino final; que é dar Cristo como nosso cabeça, predestinação significando a aplicação.

X. As palavras gregas próthesis [propósito], prógnosis [presciência] e proorismós [predestinação], podem ser diferenciadas pelo propósito de instrução, embora sejam muitas vezes usadas como sinônimos. Assim, a palavra próthesis se refere à intenção de salvar, enquanto que prógnosis à livre graça pela qual Deus nos vê como seus, e proorismós designa a predestinação para Cristo e os outros meios da salvação. Rm 8:28-29: “porque sabemos, que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito [katá próthesin]”. “Pois aqueles que ele preconheceu [proégno] ele também predestinou [proórise] para serem conformes à imagem de seu Filho”. 

XI. Estão errados aqueles que ensinam a doutrina da eleição ao mesmo tempo que negam a reprovação. A Escritura ensina a reprovação do mesmo modo que a eleição. Is 41:9: “eu te escolhi, e não te rejeitei.” Ml 1:2-3: “amei a Jacó, mas odiei a Esaú.” Rm 9:18: “Ele tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem lhe apraz.” Rm 11:7: “o eleito é alcançado, e os outros endurecidos.” 1 Ts 5:9: “Deus não nos destinou para a ira, mas para a salvação.” 2 Tm 2:20: “vasos para honra, e outros para desonra.” Jd 4: “desde muito tempo alguns homens dissimulados, foram destinados para a condenação”. 

XII. Assim como Cristo não é a causa da eleição, mas da salvação, do mesmo modo a incredulidade não é a causa da reprovação, mas da condenação. A condenação difere da reprovação como o meio de realizar um decreto se distingue do próprio decreto.

XIII. O propósito da reprovação não é a condenação, mas a revelação da glória da justiça de Deus. Entretanto, o homem não pode alegar que foi criado para ser condenado; pois a condenação pela qual a pessoa foi rejeitada, se conduz para o mal, não é o propósito, mas o meio da execução do propósito de Deus.

XIV. Dois atos da reprovação podem ser aceitos com o propósito de instrução: a negação da imerecida graça, que é chamada de preterição, e a entrega da merecida punição, que é chamada de condenação.

XV. Ao examinar a nossa eleição pela lógica, faz-se necessário proceder dos meios de realizar do próprio decreto, fazendo a origem de nossa santificação. O argumento é o seguinte: todo aquele que sabe que recebeu o dom da santificação [in se sentit donum] pelo qual morremos para o pecado, e vivemos para a justiça, é justificado, chamado ou habitado com fé verdadeira, e eleito. Mas eu sei [sentio] isto pela graça de Deus; e assim, eu sou justificado, chamado e eleito.[2] 

XVI. É diabólico o argumento de que se eu sou um eleito, então não necessito de boas obras, e que se eu sou um réprobo, elas são inúteis. Em primeiro lugar, um cristão não precisa decidir se ele é um eleito ou um réprobo; pelo contrário, ele deve examinar a sua fé como um meio de [verificar] a sua eleição. 2 Co 13:5-6 “examinem-se, vejam se realmente estais na fé; provai-vos, a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. Mas espero reconheçais que não somos reprovados”. Em segundo lugar, este argumento separa assuntos que deveriam ser simples por serem corretamente subordinados, e une conceitos contraditórios. As boas obras devem ser subordinadas à eleição, mas nunca separados dela, bem como elas são os meios que quando realizados, certificam a nossa eleição. É contraditório para qualquer um, que sendo réprobo realizar boas obras.[3] 

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NOTAS:
[1] Sobre a relação dos anjos com Cristo, veja também Francis Turrentin, Loco IV, questão viii. Nota de John W. Beardslee III.
[2] Veja Turretin, Locus IV, questões xii, xiii. Nota de John W. Beardslee III.
[3] Wollebius define boas obras como sendo “aquelas ações que são realizadas pela graça do Espírito Santo, por causa de uma fé verdadeira e de acordo com as exigências da lei, para a glória de Deus, a certeza da nossa salvação e a edificação do nosso próximo”. Por isso, ele declara que um réprobo é incapaz de realizar boas obras. John W. Beardslee III, Reformed Dogmatics, p. 191. Nota de Ewerton B. Tokashiki.

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Autor: Johannes Wollebius
Fonte: Traduzido de Johannes Wollebius, Compendium Theologicae Christianae in: John W. Beardslee III, Reformed Dogmatics: seventeenth-century Reformed Theology through the Writings of Wollebius, Voetius, and Turretin (Grand Rapids, Baker Books, 1977), pp.50-53.
Tradução: Rev. Ewerton B. Tokashiki
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A generalização do caos

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Muitas pessoas encontram-se desanimadas com o quadro político, econômico e social no país, e são tomadas de sobressalto a cada novo escândalo veiculado pela mídia, chegando-se mesmo a uma angústia da alma, a um estado de desolação, sem esperanças ou perspectivas a motivá-las a um futuro, ainda que longínquo, em que o Brasil possa ressurgir da lama na qual está atolado até o cocuruto.

A questão não se resume aos escândalos diários, como se fosse apenas o desdobramento do ofensa à ordem do dia anterior, mas deve-se ter a real dimensão de tudo isto que está acontecendo e por quais motivos e objetivos acontecem. Não é simplesmente roubalheira ou corrupção ocasionais, ainda que perdurem ao menos nos últimos 12 anos de governo (até porquê o histórico de corrupção na república é algo germinal; iniciou-se antes mesmo do fim da Monarquia), e nem tão somente ligados apenas a um partido, o PT. É claro que as dimensões do furto, da corrupção, dos desvios públicos atingiram níveis inimagináveis nas mãos de Lula e Dilma, ao ponto em que a maior empresa brasileira e uma das dez maiores do mundo até 2008, encontra-se em estado falimentar; se fosse uma empresa privada já teria quebrado, mas como não é, respira por aparelhos, em coma.

A pergunta que se deve fazer é: Como se mantém um governo no poder? Como fazê-lo perpetuar-se? E garantir que se perpetue?

O dinheiro é apenas o meio para se conseguir isso, comprando votos, corrompendo, alugando cargos, favorecendo aos amigos do "rei", ou seja, aparelhando o Estado de tal maneira que não haja resistência à permanência ou manutenção no poder de um grupo ideológico. E os marxistas sabem e souberam muito bem fazer isso (e estão fazendo "com louvor"), debaixo de nossas barbas, sem que haja uma efetiva oposição, sem que muitas lideranças, por conveniência, desonestidade, cumplicidade ou ignorância de-se conta do acontece e foi tramado há mais de vinte anos pelo Foro de São Paulo [1], seguindo a cartilha do Fabianismo e Gramscianismo [2]. O que se chama "oposição" não o é de princípios mas de cargos e postos, apenas querem assumir o lugar do PT e tocar o barco tal ou qual eles tocam. Em suma, seria trocar seis por meia-dúzia. Então, pensar apenas em um escândalo, em um roubo, em um desmando, em uma afronta à lei, é ter uma visão localizada, minimizada da realidade, faltando-se compreender a abrangência efetiva do propósito marxista e sua união continental para a implantação de uma "pátria totalitária" na América Latina. Saindo o PT, entra-se outro partido de esquerda (onde estão os partidos conservadores no Brasil? Ninguém sabe, ninguém viu!), e a valsa continuará sendo tocada na mesma toada. O próprio fato da maioria das pessoas acreditarem no absurdo de que o PSDB e DEM são partidos de direita ou conservadores, detalha minuciosamente o estado de manipulação e ignorância histórica, política e de valores morais em que o país se encontra. É pessimismo, podem dizer alguns, mas a realidade o prova, e a história mais recente (vide Argentina, Venezuela, Bolívia, etc) apenas se repete por aqui também.

Qual a solução? A curto e médio prazo, não vejo uma solução efetiva. A coisa está tão preta, mas tão preta, que o "reino de terror" está em franco desenvolvimento, e o que virá pelos próximos meses e anos não é nada animador. Enquanto as pessoas permanecerem atentas apenas ao "último escândalo", nada ou pouco poderá ser feito efetivamente. A solução é a longo prazo, uma mudança de mentalidade, o abandono da mente carnal e marxista por uma mente cristã. E isso somente acontece quando as pessoas entendem e aceitam o Evangelho, em todo o seu corpo, em toda a sua totalidade. Para um veneno (o pecado, o crime, a impiedade, a imoralidade, etc), apenas o antídoto: Cristo![3]

Para muitos parecerá simplismo ou reducionismo, mas como alguém pode caracterizar ou considerar o Evangelho de Cristo desta maneira?

Porém o ódio deste mundo a ele e a sua palavra é algo entranhado no DNA humano, subindo à cabeça e descendo ao coração, de uma maneira tão virulenta que é mais fácil imaginar um mundo perfeito criado pelas mãos humanas mas que não saí do discurso ideológico, pois a realidade e a história provam, e provaram, a sua eficácia em negá-lo na prática, do que aceitar o jugo leve e suave de Cristo.

Ainda que o mundo não conheça a graça de Cristo, é-se possível viver em um mundo minimamente em ordem (se é que tal existe), mesmo na desordem pós-Queda [4]. Sociedades não muito antigas como a européia e a americana fundadas em valores cristãos parecem-me ainda possíveis; mesmo que na atual conjuntura de degradação mental e espiritual, seja uma loucura para os tolos!

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Notas: 
[1] O Foro de São Paulo é uma organização criada em 1990 por Fidel Castro, Hugo Chaves e Lula com o nítido objetivo de implementar a "grande pátria", ou seja, a comunização de toda a América Latina nos moldes de Cuba. Basta olhar para os nossos vizinhos (Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador, p. ex.), e também o Brasil, para ver como eles foram bem sucedidos em seus intentos nefastos. 
[2] Fabianismo e Gramscianismo são movimentos políticos marxistas que acreditam na progressiva e gradual evolução da sociedade, utilizando da democracia, para instalar o comunismo. 
[3] Mesmo sabendo que um reino de paz não acontecerá antes do retorno do Senhor Jesus, urge-se ainda mais a pregação do evangelho. Não para mudar o estado geral de coisas, as quais parecem quase irreversíveis, e não somente no Brasil mas no mundo, mas para que, ao menos, alguns saibam que a saída está aí, bem na cara de todos, mas por uma série de fatores, entre eles a Queda e a depravação total do homem (que a mentalidade moderna teima em não reconhecer), eles escolheram o caminho tortuoso da ilusão, de se criar uma outra realidade, onde o massacre ideológico teima em afirmar e insistir na criação de um mundo perfeito à margem de Deus e do seu Evangelho, o que é impossível, um sofisma dos mais grandiosos. De qualquer forma, como servos, resta-nos proclamar o Reino, e que ele venha!
[4] Queda é o evento no qual o homem e a mulher, no Éden, desobedeceram a Deus e, por isso, o pecado entrou no mundo. A visão bíblica e cristã é de que com ela toda a criação foi corrompida, não somente o homem, mas todo o Cosmos. 

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Autor: Jorge Fernandes Isah
Fonte: Kálamos
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Deus se fez Homem

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Deus se encarnou como prova de amor e o incrível é que foi um amor por inimigos (“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Rm. 5.8).

Este amor se revelou em uma encarnação que promoveu paz, Paz com Deus acima de tudo (Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; Rm. 5.1).

No Natal nos lembramos que Deus se fez homem, a Segunda Pessoa da Trindade assumiu a natureza humana para que, através da sua obediência, tanto ativa (cumprindo toda a lei de modo perfeito em nosso lugar), quanto passiva (sofrendo a maldição da lei em nosso lugar), fôssemos reconciliados com Deus.

Porém, não se trata apenas de paz com Deus, uma vez que a paz com Deus se revela na paz com nossos semelhantes. 

Deus nos amou e por causa do seu amor somos levados a amá-lo (Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 1 João 4:19) e não só a ama-lo como também a amar uns aos outros (Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. 1 João 4:11).

Quem não ama o próximo, na verdade, não ama a Deus (Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. 1 João 4:7), e Não tem paz com Deus, pois Deus não está nele (Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado. 1 João 4:12).

Declarar amor a Deus sem haver verdadeiro amor ao próximo é mentira (Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.” 1 João 4:20, 21).

Logo, podemos dizer que Cristo veio para colocar todo aquele que nele crê em paz com Deus, inimigos são feitos amigos de Deus e que esta paz se evidencia na paz com os irmãos, de tal modo que, se não amo não conheço a Deus (Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 1 João 4:8), se não busco ter paz com todos enquanto depende de mim (se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;” Rm. 12.18), não tenho paz com Deus e que devo perseguir a paz com todos e a santificação, pois sem ela não verei a Deus (Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, Hebreus 12:14.)

Celebramos todos o Natal? Celebramos o que? Se há ódio, rancor, amargura, indiferença não há o que celebrar, o momento é de contrição, de confissão de pecado, pois sem paz com o semelhante, enquanto depende de nós, não há paz com Deus e sem paz com Deus a encarnação de Cristo não salva, condena.

Mude de vida e prepare-se para ter o que celebrar no próximo Natal, mas não precisa esperar até lá para celebrar, celebre a nova via hoje.

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Autor: Rev. Welerson Duarte
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Epistemologia cristã contra o relativismo

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De acordo com o Relativismo epistemológico, não existem verdades absolutas e universais, mas todas as “verdades” são construídas socialmente e dependem de um determinado contexto histórico-cultural. Michael Foucault dizia que a verdade era apenas uma questão ideológica de manutenção do poder (Reis, Assis, Cardoso e Borges, 2014):

Não existe a verdade, mas verdades. A verdade é alguma coisa subjetiva, na mente de quem interpreta um texto, mas não no texto propriamente. A verdade está na forma como eu a vejo, mas não objetivamente. O que é verdade para mim pode não ser verdade para outra pessoa. Por essa razão, ninguém pode reivindicar estar com a verdade objetivamente. Ela não está em nenhum lugar que não seja na mente do indivíduo. O pós-modernismo tem sido caracterizado por "uma aversão endêmica pelas questões da verdade." (Campos, 1997)

Um expoente do pós modernismo, Jacques Derrida, defendia um método hermenêutico livre para a linguagem, seja falada ou escrita (Reis et al., 2014). O pós-modernismo não tem qualquer interesse de se aproximar da verdade: “Apesar de nossas teorias não se moverem inexoravelmente em direção a uma maior fidelidade com a natureza e nós não chegarmos mais perto da ‘verdade’ neste processo, oferecemos então para a cultura (...) uma amplitude crescente de inteligibilidades e práticas” (Gergen, 1997, p.92 apud Rasera e Japur, 2005).

Argumenta-se a favor do Relativismo Epistemológico com analogias de como uma imagem pode causar diferentes percepções entre as pessoas, como pessoas podem ter diferentes acessos a diferentes partes de uma mesma "coisa" e assim oferecer descrições contraditórias sobre um mesmo fenômeno, mas igualmente verdadeiras, levanta-se também a questão de como algo pode ser válido para um contexto histórico específico mas não para outro. A partir dessas falácias argumentativas, concluem os relativistas: “Todas as verdades são relativas”. A verdade é que isso não é verdade. Essa asserção que propõe uma esquisita forma de dogmatismo (aliás, uma pressuposição que se propõe ser a única verdadeiramente verdadeira entre tantas pressuposições relativas), é totalmente estranha para o pensamento cristão. Basicamente o argumento contra o Relativismo epistemológico é este:

1. Ao afirmar que não há uma verdade absoluta, o pós-modernismo faz, paradoxalmente, uma afirmação absoluta. 
2. Nenhum sistema filosófico pode ser sustentável se possui uma contradição interna.
3. Logo o pós-modernismo não é sustentável (Reis et. al., 2014, p.13)

Analisemos mais de perto cada uma das premissas. A primeira afirma que o Relativismo Epistemológico ao propor ser um princípio universal (“todas as verdades são relativas”), já se apresenta como uma verdade absoluta, criando um contradicto in adjecto. A própria alegação da relatividade da verdade fere o próprio princípio epistemológico do relativismo e acaba por assumir tacitamente uma asserção de correspondência de verdade. Alguns afirmariam que a pressuposição de que a verdade é relativa também é relativa, mas isso é autodestrutivo e levaria a uma regressão infinita:

Aqui está o dilema: Um relativista íntegro não pode dizer: “Trata-se de uma verdade absoluta para todas as pessoas o fato de que a verdade é relativa somente para mim”. Se ele disser isto, será absolutamente verdadeiro que o Relativismo é verdadeiro, mas ele não será mais relativista, mas um “absolutista”. Se por outro lado, ele disser: ‘O fato de o Relativismo ser verdadeiro é uma questão relativa” não poderemos saber se o relativismo é mesmo correto, pois ele será relativamente verdadeiro para ele (e não para todos), então o relativismo pode ser falso para mim. Por que, então, ele deveria ser aceito como verdadeiro? (Geisler, 2005, p.111).

A segunda premissa atenta para o fato de que um sistema filosófico não se sustenta se for autocontraditório. De fato, o Relativismo fere a lei da lógica aristotélica da não-contradição, e algo que fere a lógica não é racionalmente sustentável.

A razão disso é que a lógica é essencial ao discurso inteligível. [...] O que é ilógico representa o caos, não o cosmos. E o caos absoluto não pode ser conhecido de maneira ordenada, o que torna o conhecimento ou scientia uma impossibilidade manifesta (Sproul, 2002 p. 43 apud Oliveira, 2014).

A conclusão é inevitável: O pós-modernismo não se sustenta. O relativismo epistemológico não tem base ontológica para afirmar um relativismo conceitual. Só existiria base ontológica para afirmar o contrário, isto é, o conhecimento de semelhanças compartilhadas universalmente se existisse um Deus verdadeiro e racional (cf. Rasera e Japur, 2005). Mas refutando o relativismo conceitual, temos uma Mente universal que sirva de base ontológica para o conhecimento de semelhanças universalmente compartilhadas. Concluímos, então, a necessidade da existência de um Deus verdadeiro e racional. Entre algumas refutações ao relativismo conceitual estão os contradictos in adjectos autodestrutivos do relativismo epistemológico, visto que a própria pressuposição relativista seria relativa, gerando um segmento infinito. Se afirmarmos o relativismo conceitual o impossível seria real, mas isso não é possível. A única forma de fugir dessa confusão do relativismo epistemológico seria afirmar o conhecimento de semelhanças universalmente compartilhadas, e assim admitir que existe verdadeiramente um Deus racional. E claro, verdadeiro em sentido absoluto, universal e objetivo.

Resumindo a Epistemologia Cristã adota que a verdade: (i) não é inventada, mas descoberta; (ii) é transcultural, (iii) é imutável; (iv) não depende das crenças subjetivas de alguém; (v) não pode ser afetada pelas atitudes de quem a professa  e (vi) são todas absolutas (Forti, 2014).


REFERÊNCIAS:

• Campos, H. C. (1994). O Pluralismo do Pós-modernismo. Fides Reformata 2/1

• Forti, F. (2014). Verdade e Moralidade - Relativos ou absolutos?  [On-line]. Disponível: http://pacocapessoal.tumblr.com/post/89735402446/verdade-e-moralidade-relativos-ou-absolutos Recuperado em: 26 de setembro de 2015.
•  Geisler, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
• Oliveira, L. A. (2015). Introdução à Lógica Aristotélica. [On-line]. Disponível: http://panaceiateoreferente.blogspot.com.br/2014/05/o-surgimentoda-logica-uma-das-maiores.html Recuperado em: 26 de setembro de2015.
• Rasera, E. F. e Japur, M. (2005). Os sentidos da construção social: O convite Construcionista para a Psicologia. Paidéia, 2005, 15(30), 21-29.
Reis, D., Assis, L. G., Cardoso, M. e Borges, M. (2014). O Resgate da Verdade. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira.

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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos
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Os perigos que devemos evitar no Natal

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O dia 25 de dezembro em quase todo o mundo é uma data muito especial, a qual se comemora popularmente o nascimento de Jesus. Mas, por onde passamos vemos casas e estabelecimentos comercias com árvores enfeitadas, luzes e um Papai Noel que parece transmitir certa alegria. E não é somente isso que o Natal, supostamente, nos proporciona. Ele também faz com que as pessoas tenham um “espirito natalino” que dura, em média, 48 horas.
 

Mas esses não são os únicos perigos que o Natal pode nos levar. Uma volta em qualquer shopping center da cidade, veremos um local extremamente enfeitado, com o velhinho de roupa vermelha e barba branca, rodeado de criancinhas querendo tirar foto com ele. E, se já não bastasse isso, muitos entram no embalo e ensinam os seus filhos que este velhinho de barba branca mora no Polo Norte, que têm ajudantes (elfos ou duendes) e que no dia 25 de dezembro ele sairá por todo o mundo presenteando as boas criancinhas.

No entanto, a enganação não para por aí. Pois, além de propagar essas mentiras, tais pessoas fazem com que o foco do Natal seja mudado – de Cristo para Noel – ensinando que: 

• O Papai Noel é onipresente: Porque quando der a meia-noite do dia 24 para o dia 25, este bom velhinho estará em todo mundo presenteando cada criança; 

• O Papai Noel é onisciente: Pois tais criancinhas que receberão os presentes são aquelas que se comportaram bem, obedecendo ao papai e a mamãe, e que fizeram a lição de casa. E o Papai Noel sabe quem são cada uma; 

• O Papai Noel é especial (único): Este bom velhinho tem um trenó com renas que voam e um saco que contém presentes para todas as boas criancinhas. Mas não é somente isso. O Papai Noel recebe cartinhas (como se fosse orações) de pedidos para serem atendidos. 

Não, isso não é uma teoria da conspiração! O que eu quero mostrar é que até aquilo que pode fazer uma ligação com uma verdade bíblica, se for usada para substituir Jesus, é pecaminoso. Pois estaremos trocando a realidade de Cristo por um folclore. 

Não obstante, devemos ensinar às nossas crianças que o verdadeiro sentido do Natal não é somente dizer que Cristo nasceu, mas que o Seu nascimento teve um propósito, para que fôssemos salvos da escravidão do pecado. Ele sofreu na cruz a nossa morte - o Inferno que era para nós - para que tivéssemos vida e vida com abundância diante de Deus. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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A essência singular da fé - 1/2

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Tendo visto o objeto da fé, partamos agora em direção à forma ou à essência singular e natureza da fé. A essência de algo é aquilo que faz com que este algo seja o que é. A essência de uma coisa a identifica e a distingue de todas as demais coisas. Uma coisa pode possuir apenas uma única essência. Logo, se há duas essências, há também duas coisas. Portanto, de semelhante modo, a fé possui uma essência que lhe é exclusiva.

Neste ponto, devemos notar em que consiste (e também em que não consiste) a natureza essencial da fé.

Em primeiro lugar, a fé não consiste em amor, que é aquilo que os papistas e os arminianos afirmam. O amor não é a essência da fé, pois 1) fé e amor são duas virtudes distintas: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13:13). É demasiado óbvio que uma virtude não pode ser a essência de uma outra. 2) O amor é o fruto da fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gl 5:6). A fé, portanto, não extrai sua eficácia do amor, antes, a fé é eficaz para a operação do amor, assim como a prática de toda virtude por meio do amor. Atentem também para o ímpeto da palavra ἐνεργέω (energeo) (cf. Rm 7:5; Cl 1:29). O resultado de algo não pode ser sua essência.

Em segundo lugar, a fé não consiste na obediência e observância dos mandamentos de Deus, que é algo que as partes supramencionadas afirmam. Pois a fé se distingue expressamente das obras (1Co 13:13). E também: Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” (1Tm 1:5). Sim, na questão da justificação, as obras e a fé são contrastadas. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:28). Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras” (Tg 2:18).

A fé verdadeira é a fonte das boas obras. Estas são frutos e característica da fé, tornando-se evidente, portanto, que onde as boas obras estão ausentes, também a fé verdadeira está ausente. “Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2:26). Certamente o corpo está morto, caso a respiração tenha cessado. Semelhantemente, tal fé está morta, isto é, a verdadeira fé não está presente quando ela não se manifesta.

Mesmo se sustentarmos que o amor e a observância dos mandamentos não são a forma ou natureza essencial da fé, longe esteja de nós sustentar que a fé pode existir sem o amor. Quando um homem torna-se um crente, ele não apenas recebe iluminação aos olhos do entendimento e em certo grau se torna familiarizado com o Mediador e os benefícios da aliança, mas também se torna, desse modo, amorosamente cativo. O crente se regozija no fato de que há salvação, perdão de pecados e um Espírito que o santifica. Ele se regozija no fato de que há um Cristo e que Ele lhe é oferecido. Ele tem amor pela verdade (2 Ts 2:10). Tendo agora recebido e tendo sido unido a Cristo pela fé, seu amor para com Deus e Cristo é inflamado, e com toda sua disposição ele deseja ser obediente. Nós amamos porque ele nos amou primeiro (1Jo 4:19).

Em terceiro lugar, a essência mesma da fé não consiste em confiar que Cristo é meu Salvador, uma vez que:

(1) Cristo não morreu por todos os homens. Todo indivíduo precisaria, portanto, de fundamentos sólidos a partir dos quais seria capaz de concluir que Cristo morreu por ele e é, pois, seu Salvador.

(2) Deus de fato ordenou que todos que ouvissem Sua palavra cressem, mas Ele não ordenou que todos cressem que Cristo é seu Salvador. Não há um único texto na Bíblia para apoiar isso, de maneira que é simples imaginação afirmar que todos devem crer que Cristo é seu Salvador. Se assim fosse, ele creria numa mentira e iria para o inferno ao aderir a tal ilusão.

(3) Crer que Cristo é meu Salvador pertence à certeza, que é um fruto da fé, o qual pode variar em grau e pode, pois, estar inteiramente ausente. Portanto, a fé verdadeira permanece, e aquele que a possui permanece um verdadeiro crente.

(4) Vários indivíduos que creram temporariamente estão plenamente seguros de si mesmos e não possuem a menor dúvida de que Cristo é seu Salvador e morreu por eles. Eles, todavia, não possuem fé verdadeira e irão se encontrar em engano. Segue, pois, que a fé verdadeira não consiste em confiar que Cristo morreu por mim.

Em quarto lugar, a essência da fé não consiste em desejar ter Jesus como Salvador. Desejar, ou se dispor, pode ser considerado como um ato interno. Uma pessoa percebe a verdade, a necessidade e a excelência de ter Jesus como seu Salvador, e assim deseja tê-Lo como tal. Esse desejo interno incide no objeto em si, mas não nas circunstâncias concomitantes – tais como a necessidade de se abandonar a vida mundana, de buscar Cristo em verdade (agindo assim frequentemente), de entrar verdadeiramente em aliança com Cristo, encontrando somente n'Ele seu deleite. Também é necessário ao crente tomar o mundo como seu inimigo, testemunhando e batalhando contra ele, e estar disposto, por amor a Cristo, a suportar toda pobreza, nudez, perseguições e zombaria. Isto, contudo, não condiz com tais pessoas, e, portanto, eles abandonam por aquilo que Ele é, cedendo, portanto, às suas concupiscências. Destarte, o desejo deles nada mais é do que o desejo de Balaão: Que eu morra a morte dos justos, e o meu fim seja como o dele” (Nm 23:10).

Tal desejo pode ser também de uma natureza extrovertida, isto é, o ser que se expande em direção a Cristo, por meio do qual determinada pessoa demonstra ao Senhor Jesus seu desejo vertical por Ele e Seus benefícios, com o esquecimento de tudo o mais. Uma vez que seu coração não o condena, isso lhe dá liberdade para ir a Cristo e recebe-Lo pela fé como seu Salvador. Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22:17). Desse modo, visto que o desejo não precede o exercício da fé, na medida em que se considera a natureza da questão, embora onde quer que exista um desejo tão expansivo, existe também a verdadeira fé.

Em quinto lugar, a essência da fé não consiste num assentimento da verdade do Evangelho. Uma pessoa pode ter uma compreensão bastante clara de todos os mistérios da fé, na medida em que diz respeito tanto às suas verdades quanto à sua excelência. Deixemo-lo aquiescer com plena confiança a essas verdades como verdades, bem como à excelência delas – mesmo isto não é verdadeira fé. De fato, é verdade que os crentes também possuem conhecimento e assentimento, contudo, não podem se apoiar nisso. Eles sabem e têm experiência que esses elementos não os levam a se tornar participantes de Cristo, e, portanto, eles vão além e se apropriam de Cristo. Eles se apoiam n'Ele, confiando seus corpos e almas a Cristo, para que Ele possa justificá-los, etc. Portanto, se um homem não possui nada mais do que o conhecimento e assentimento, ele pode estar certo de que possui meramente a fé histórica ou temporal. Porém, se um indivíduo percebe dentro de si mesmo o exercício real da confiança em Cristo, considerando-a como um fruto de seu assentimento (tomando-o como o ato essencial da fé), ele de fato possui a verdadeira fé. Contudo, ele está equivocado ao considerar que o conhecimento é a natureza essencial da fé. Ilustraremos isto mais adiante na questão que se segue. A essência singular ou forma da fé não consiste, pois, nessas seis questões supramencionadas. Devemos, portanto, considerar agora em que consiste o ato singular e essencial da fé.

Questão: O ato essencial da fé consiste em assentir às verdades divinas e às promessas do Evangelho, ou, antes, consiste numa confiança sincera em Cristo para ser justificado, santificado e conduzido, por Ele, à felicidade?

Resposta: Antes de respondermos, queremos afirmar que:

(1) Não entendemos esse confiar em Cristo como equivalente à certeza – a convicção de que se é pessoalmente um participante de Cristo e todas Suas promessas, ou a paz e quietude resultantes dentro da alma, pois todas estas são frutos da fé, que são mais evidentes em um, e menos em outro. Pelo contrário, entendemos por confiar o ato expansivo [dinâmico] do coração por meio do qual o homem, ao se render e receber a Cristo, Lhe confia corpo e alma, a fim de que Ele possa salvá-lo. Podemos compará-lo a um credor que confia seu dinheiro a alguém, dando-o. De semelhante modo, podemos também compará-lo a alguém que, colocando-se sobre os ombros de um homem robusto a fim de ser carregado através de um rio, confia nele, inclinando-se e fiando-se nele, permitindo-se, desse modo, ser conduzido ao local designado.

(2) Afirmamos que um conhecimento das verdades do Evangelho e o assentimento às mesmas são os pré-requisitos necessários para tal confiança. Sustentamos, ainda, que, posteriormente, a fé também se foca continuamente sobre e é ativada pelas promessas.

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Autor: Wilhelmus à Brakel
Fonte: The Christian's Reasonable Service
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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A vontade de Deus pode ser resistida?

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Nada pode ser resistido se não estiver nos planos de Deus. O homem não é uma deidade semelhante a Deus para que passe por cima de seus planos quando quiser, pois se fosse assim, o homem agiria independentemente de Deus e cuidaria de sua própria vida.

Escrevo isso pelo fato de eu ter lido um breve texto dizendo que nós, os calvinistas, "não entendemos que a Graça pode ser resistida", entretanto, ignorante são os próprios arminianos, os quais não entendem que todas as coisas foram criadas por Deus, que a história e o tempo estão todos submetidos ao Soberano Senhor, e cremos como dizem nas Escrituras Sagradas, que tudo Ele determinou; ninguém resiste a sua vontade, "pois querendo Ele quem impedirá?".

A cada dia que se passa, muitos homens falam e dizem mil palavras afirmando que amam a Deus, que servem e Ele e etc, mas o que está maquinado em seus corações é o ego. Estão endurecidos em suas vontades carnais, lutam por coisas humanas e a satisfação de suas vontades, sem saber que estas são as suas sentenças.

Lembrem-se, a graça só é resistida se estiver nos planos de Deus, e Ela só é aceita se também estiver em seus planos. Portanto, saibamos que tudo acontece por meio d'Ele, conforme Ele determinou.

Eu posso dizer dessa maneira porque um dia eu fui um arminiano e graças a Deus pude enxergar através do viés das Escrituras, e, iluminado pelo seu Santo Espírito, entendi que "Livre Arbítrio" é ilusão. Pois, segundo o entendimento, quem possuí esse atributo age e escolhe sem alguma influência de um agente determinante, que não tenha alguém dirigindo a sua vida (Leia Sl 139.16; Pv 19.21; Pv 21.1). Por este fato, compreendo que quem possuí esse atributo é somente Deus, sendo notório o por que Ele é a vida, é o poder, é a misericórdia, é o tempo (passado, presente e futuro; perfeitamente Eterno) e que Ele também é o próprio amor encarnado.

Não vejo algumas dessas qualidades no ser humano, e no amor e misericórdia, nestas, também somos imperfeitos. Por estes fatos não possuímos "livre arbítrio"; se possuíssemos este atributo valeria a pena Deus ter criado o inferno? Desde quando alguém que possuí esse atributo iria querer ir para lá? Já que é assim, Deus está sendo injusto em condenar os que estão lá, pois houve uma violação do "Livre arbítrio" de muitas pessoas.

Acredito que muitos arminianos não concordarão com isso, e outros serão iluminados e entenderão. Seja como for, posso ficar tranquilo sabendo que cada detalhe foi minunciosamente arquitetado pelo Senhor Jeová (Deus), a quem eu amo. Pois, se não fosse por meio de Cristo eu jamais conheceria a sua salvação e propiciação pelos meus pecados, n'Ele sou justificado.

Antes que eu encerre, duas coisas irei aqui escrever:

1- Deus é soberano, e, por meio d'Ele tudo foi predeterminado, entretanto, somos agentes responsáveis por nossos atos. Se você estudou sobre paradoxos, com certeza você me entenderá. Mais a frente passarei outros textos falando sobre isso detalhadamente;

2- A Graça salvadora não é preveniente, como disse antes, e falo isso sabendo do que se refere "preveniente". Pois, se fosse assim, ao analisarmos esta soteriologia, vários textos bíblicos como Jonas 2.9; João 6.37,44; João 10.27,28; Rm 9; Ef 1.3-14; João 1.12-13; Ef 2.8-10 estariam equivocados. Por isso fico com a Eleição Incondicional, a qual tange toda a Escritura, sem nela fazer alguma deturpação; os atributos imutáveis de Deus e a Expiação Limitada.

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Autor: Klarystone P. Leal
Divulgação: Bereianos
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Os “sonhos” de Deus jamais vão morrer

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É comum ouvirmos que o Senhor está comprometido em “restaurar” nossos sonhos e, ao mesmo tempo, que “os sonhos de Deus jamais vão morrer”. Dedicarei este post para ponderar sobre esse assunto. Inicio fornecendo alguns significados do vocábulo “sonho”, a relação entre sonho e revelação e a evidência bíblica de que somente os seres humanos sonham. Em 2012 eu já avaliei o uso da palavra “sonho” no cântico Arde Outra Vez, de Thalles Roberto.

Algumas acepções da palavra “sonho”

Como podemos entender o vocábulo “sonho”? Sem entrar na abordagem psicanalítica, simplesmente consultando um dicionário, lemos que sonho é “um conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono”.[1] Esta acepção apresenta o sonho como experiência ocorrida enquanto dormimos, algo meramente fisiológico e neutro.

Um segundo modo de entender define sonho como uma “sequência de ideias soltas ou incoerentes às quais o espírito se entrega, devaneio, fantasia […]; plano ou desejo absurdo, sem fundamento”.[2] Aqui o sonho é um fluxo de impulsos desconexos e nem sempre edificantes. Um “sonhador”, por esta ótica, é um tolo, alguém que não segue um caminho responsável e racional. É sobre esse tipo de sonho que se pronuncia o sábio em Eclesiastes 5.3 e 7.

O sonho pode ser entendido ainda como um “desejo vivo, intenso e constante, anseio”.[3] Não se trata aqui de algo sem fundamento, mas de uma expectativa até legítima, um objetivo que almejamos alcançar e que é precedido, via de regra, por um plantio: “Estudo porque meu sonho é tornar-me um profissional qualificado”, ou “estou guardando dinheiro para realizar o sonho de adquirir um imóvel”.

Sonho e revelação

Na Escritura, com exceção do exemplo citado acima, extraído de Eclesiastes, o sonho, juntamente com a visão, é normalmente um meio de divina revelação: “Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos” (Números 12.6 — grifo nosso). Esse padrão se repete no restante do AT, que se encerra com a empolgante promessa proferida por Joel. O Espírito seria derramado de tal forma sobre o povo que os “filhos” e “filhas” profetizariam, os “velhos” sonhariam e os “jovens” teriam “visões” (Jl 2.28-29). O que se diz nesta profecia é simples: Nos últimos dias Deus concederia a plenitude de revelação sobre a vida e obra de Jesus — o Senhor daria a seu povo a revelação do NT (At 2.16-20; Hb 1.1-2).

Somente os seres humanos sonham

Sempre que sonhos são mencionados na Escritura, estão relacionados a uma atividade humana. Mesmo que, no caso de revelação, Deus seja o agente que revela mediante o sonho, o ser humano é quem sonha — sempre. Não há uma ocasião sequer em que Deus seja descrito sonhando. Se do ponto de vista fisiológico o sonho é uma atividade que ocorre enquanto dormimos, Deus não dorme (Sl 121.4). Se do ponto de vista psicológico o sonho é um anseio da alma, Deus tem “pensamentos”, “vontade” e um “propósito” para conosco (Jr 29.11; Sl 40.8; Rm 8.28). No entanto, a Bíblia evita com cuidado o uso de qualquer palavra que possa ser interpretada como “sonho” da parte de Deus. O uso de uma linguagem bíblica exige que abandonemos o uso da palavra sonho referindo-se a Deus e passemos a utilizar os termos bíblicos pertinentes — “plano”, “propósito” ou “vontade”. O Senhor não trabalha com possibilidades e sim com o cumprimento de seu decreto soberano (Is 46.9-11).

A redenção e os nossos sonhos

Depois de conhecer alguns significados do vocábulo “sonho”, a relação entre sonho e revelação e a evidência bíblica de que somente os seres humanos sonham, temos de pensar sobre a implicação da redenção para os nossos sonhos.

A obra de Jesus consiste em restaurar nossos sonhos? Essa é uma questão pertinente porque temos ouvido exatamente isso. Uma música evangélica muito tocada convoca-nos à confiança em Deus afirmando:

       Não desista, não pare de lutar, não pare de adorar;
       Levanta teus olhos e vê,
       Deus está restaurando teus sonhos e a tua visão.[4]


Eis o vídeo:



O que isso significa?

O ponto é: Não sabemos ao certo. Faça o teste; converse com dez pessoas sobre esta estrofe e prepare-se para receber uma dezena de respostas que, ainda que diferentes, revelam a absorção de uma interessante mensagem, algo como “não estou derrotado; Deus acredita em mim”, ou “posso levantar a cabeça e tocar em frente”, ou ainda “a coisa está feia, mas, vai melhorar!” e coisas semelhantes. O apresentador Faustão (no vídeo lincado nas notas) entendeu que se trata de uma mensagem sobre fraternidade entre as diferentes religiões e pessoas! O fato é que, sem um construto doutrinário sólido, afirma-se uma palavra de autoajuda, uma bênção psicológica de autoafirmação.

Entenda-se isso não como crítica maldosa, mas como convite a uma avaliação teológica respeitosa da música em questão. Eu mesmo, dado à melancolia, já me peguei chorando ouvindo esta canção; ela é indubitavelmente boa para elevar nosso ânimo e nos empurrar para o enfrentamento de desafios.

Observe-se que são unidos “sonho” e “visão”, dois vocábulos da profecia de Joel 2.28-29. O problema é que, como expliquei anteriormente, o sentido da profecia de Joel não é “Deus vai restaurar seus sonhos e visão” e sim “cumpriu-se a antiga promessa; chegou a hora de Deus descortinar plenamente o evangelho, a totalidade da revelação do NT”.

O propósito de Deus e os nossos sonhos

E o que diz o evangelho aos nossos sonhos?

Primeiro, o evangelho mata os sonhos como “sequência de ideias soltas ou incoerentes às quais o espírito se entrega, devaneio, fantasia […]; plano ou desejo absurdo, sem fundamento”.[5] A obra de Cristo produz a derrocada de nossas inconsistências psicológicas, existenciais, morais e volitivas. O processo que o Espírito Santo usa para produzir isso é denominado santidade prática. Um exemplo bíblico disso é encontrado no pedido de Tiago e João, registrado em Marcos 10.35-40. Ambos queriam desfrutar da honra de assentar-se à direita e esquerda do Redentor, por ocasião da manifestação definitiva de seu reino (reconheçamos que era um belo sonho!). Jesus afirmou-lhes que não era possível prometer-lhes isso e terminou por confirmá-los na comunhão de seu sofrimento. Deus nos ajuda a compreender o quão tolas e até mesmo perigosas são nossas fantasias e coloca-nos sob o seu governo, destruindo tudo aquilo que é danoso ao nosso bem-estar espiritual. Nesses termos, Deus não restaura nossos sonhos e sim os extingue.

Segundo, quanto aos sonhos como “desejo vivo, intenso e constante, anseio”, Deus os alinha ao seu propósito. Isso implica em profunda transformação. Certamente Pedro, como pescador, tinha suas aspirações. É possível que Paulo tivesse sonhos relacionados à sua carreira no judaísmo como fariseu respeitável e, pensando na história da igreja, lemos sobre um jovem, João Calvino, que viajava com destino a Estrasburgo, tencionando dedicar-se aos estudos e que foi forçado pela Providência a comprometer-se com o serviço divino em Genebra, até o fim de seus dias. E esses são apenas poucos exemplos. Uma olhada ainda que rápida na galeria dos crentes listados em Hebreus 11 ou nos anais da história evangélica revela um dado comum: Deus não “restaurou” os sonhos daqueles homens, mas alinhou-os ao seu querer.

Sendo assim, o que o evangelho faz? Sem dúvida, com base nas promessas de Deus, podemos dizer que o Senhor nos anima, nos levanta do pó, nos motiva a prosseguir com uma vida produtiva na qual constem projetos e boas realizações (Sl 113.7; cf. Sl 1.3, 37.3-6). Entendamos, porém, que o evangelho diz a cada um de nossos sonhos: Submeta-se a Deus ou morra, ou, nas palavras de Jesus, “[…] se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará” (Lc 9.23-24; cf. Pv 16.1).

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Notas:
[1] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. (Ed.). Sonho. In: Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 1.0. Editora Objetiva Ltda., 2009. CD-ROM).
[2] HOUAISS, op. cit., loc. cit.
[3] Ibid., loc. cit.
[4] FERBER, Ludmila. Recebe a Cura. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aUeOLYonanY>. Acesso em: 21 mai. 2015. Grifo nosso.
[5] HOUAISS, op. cit., loc. cit.

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Autor: Rev. Misael nascimento
Fonte: Somente pela graça
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