O Mito da Neutralidade

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Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. (Mateus 12:30)

1. PREOCUPAÇÕES CENTRAIS

Você é um cristão. Você crê em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Você o adora em tudo o que faz. Você procura obedecer a Sua Palavra. Você quer honrá-lo em tudo o que faz e como filho de Deus quer que outros creiam em Cristo e sirvam a Deus. Você sabe como desafiar outros que não creem em Jesus Cristo, Senhor e Salvador para que também submetam as suas vidas a Ele.

A principal pergunta a ser considerada é como pode dar melhor testemunho do Senhor. O EUA foi fundado como uma nação cristã[1], e hoje a maioria das pessoas se declaram cristãos. Há igrejas quase em cada esquina e muita gente que você conhece pessoalmente diz ser cristã.[2] Como alcançar essas pessoas? Como deveria raciocinar com eles? Que método deve seguir para mostrar-lhes que Deus existe? É disso que trata este livro.

Peregrinos de Plymouth: socialistas ou pioneiros da liberdade?

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[Nota: O texto a seguir, em grande medida, é apenas uma adaptação do texto do dr. Paul Jehle, "Economic Liberty in America: a Legacy of the Pilgrims", com algumas informações adicionais que julguei úteis.]

Alimenta-se o mito de que os peregrinos que trabalharam e fundaram a colônia de Plymouth, onde hoje fica o estado de Massachusetts, eram socialistas. A verdade, contudo, é outra. Além de não terem sido, por natureza, socialistas, os peregrinos de Plymouth lançaram algumas das pedras de fundação da liberdade americana. De acordo com o Dr. Charles Wolfe, historiador dos Peregrinos, citado pelo Dr. Paul Jehle [1], a partir de insights providenciais como consequência de seu compromisso com as Escrituras, eles deram seis importantes passos para a liberdade:

“Me ocorreu que eles (os Peregrinos) tomaram seis passos corajosos para a liberdade, que esses são passos que cada geração de Americanos deve continuar tomando... que junto a estes seis aspectos da liberdade, resulta a aplicação do... auto-governo cristão.”[2]

A Bíblia ou nossa geração goma de mascar?

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Uma grande tragédia lentamente foi se apoderando de toda a nossa geração. Vivemos numa era de amigos instantâneos, relações superficiais, namoros superficiais, casamentos que se desfazem com a mesma rapidez que começaram... tudo vira humor descompromissado, tudo leve, tudo sem peso ou importância real, tudo passageiro, pulando de um entretenimento a outro, sucessos musicais instantâneos que rapidamente passam... Você está imune?

No meio disso tudo os cristãos estão perdendo completamente o senso da santidade de Deus. Oramos contra o ruído de fundo da televisão, meditamos na Palavra enquanto conversamos no Facebook, nosso senso de santidade divina é tão fraco que estamos num lugar de culto enquanto nos alongamos e mascamos nosso chiclete. Eu sei, você dirá que isso é normal, mas quando diz isso você expressa a Bíblia ou nossa geração goma de mascar? Até a defesa da verdade é mero humorismo e descontração em nossos dias - tudo por uma boa gargalhada!

Quando Jacó fugiu da casa de seu pai depois de enganá-lo, pegar o que não era seu, ele vai dormir de tão cansado. Eu diria que aquela, para ele, é uma noite profana... comum, como os dias se arrastam em nossa sociedade profana e superficial que tem sido um espelho da relação de nossa geração (na igreja) com Deus. Temor? Senso de santidade divina? Percepção da presença de Deus? Não! Ali está apenas um homem cansado e focado na vida a sua frente. Mas então ele tem um sonho – um sonho que nossa geração não tem sonhado – e por isso age e vive (mesmo os cristãos) sem a percepção de Jacó naquele instante.

Então Jacó acordou do sonho – Acordamos nós também? “E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão...” - Gênesis 28:12-13. Quem dera estivéssemos acordados! Jacó disse: “Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.” - Gênesis 28:16-17. Era terrível, não era mais comum. Ele se encheu de temor.

Que percepção, senão esta, devia ser o sentimento constante no coração regenerado? “Quem é como tu, glorificado em santidade? -  Êxodo 15:11. Que denúncia mais terrível poderia ser feita aos “adoradores” de nossos dias do que sua superficialidade que faz comum e não terrível a presença de um Deus santo?

Como pecadores que viram a realidade do pecado podem chegar diante de Deus a não ser com a percepção que Jacó teve? Eu sei, falaremos da Graça, mas a graça não diminui o espanto, o senso da perfeição da santidade de Deus e de nossa indignidade, pelo contrário. Mesmo a alegria dos santos é cheia de tremor: “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor.” Salmos 2:11. Na graça a nossa salvação é operada nestes termos: “...assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” - Filipenses 2:12

Isto deve ser assim, pois Deus é infinitamente santo, transcendentalmente santo, superlativamente santo, imutavelmente santo, gloriosamente santo. Em Cristo somos totalmente santos – como imputação – mas olhamos para as nossas vidas – Ah! O que vemos? Orgulho misturado em nossa humildade, incredulidade misturada em nossa fé, impertinência misturada na doçura, carnalidade misturada a espiritualidade, dureza misturada com ternura.

Se os querubins, serafins, em sua santidade se tapam e clamam: “Santo, santo, santo...” – de onde tiramos “intimidade afetada?”. A santidade de Deus é pura e sem qualquer mistura – “Só Ele é santo!” – Toda santidade, mesmo do céu, é derivada. “Deus é luz e nele não há treva alguma” – 1 João 1.5. Nele está toda luz sem nenhuma escuridão, toda santidade sem qualquer vestígio de mal, toda sabedoria sem nenhuma loucura. Ele é santo em todos os seus caminhos, em todas as suas obras, em todos os seus preceitos e leis, em todas as suas promessas... santo em todas as suas ameaças, santo em toda a sua ira, todo o seu ódio contra o pecado expressam a perfeita santidade. Sua natureza é santa, seus atributos são santos, suas ações são todas santas.

Ele é santo ao exercer misericórdia (não faz isso sem propiciação) – portanto, Ele é santo ao poupar e também santo ao punir eternamente. Ele é santo ao justificar alguns e santo na condenação dos outros, pois “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus!” – Ele é santo ao levar um povo ao céu e santo ao atirar multidões no inferno.

Jacó, ao perceber a verdade sobre o ser de Deus, disse: “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar!”. Não percebemos mais isso? Deus já estava lá, Jacó é que não tinha a percepção disso – será essa a história de nossa “geração de adoradores?”

Deus é santo em todas as suas palavras, em todos os seus atos, em tudo que Ele põe a mão, em tudo que Ele decide em seu coração. Sua face de desaprovação e ira é santa, seu sorriso é santo.

Quando Ele dá, suas dádivas são santas. Quando Ele tira é sua santidade que está operando. “Eu não sabia!” – disse Jacó. Podemos dizer o mesmo depois da perfeita revelação de Deus em Cristo? Depois da clareza dessa revelação no Novo Testamento? Depois da cruz mostrando que mesmo ao ver o pecado colocado sobre Seu Filho amado e santo, ele teve que derramar sua ira sobre Ele?

Santo, santo, santo é o Senhor Todo-Poderoso! – Isaías 6:3. Sua santidade está além de toda possibilidade de ser sondada por homens como nós, não há medição possível, não há compreensão exaustiva, pois infinito é o mar da santidade que Deus é e que está em Deus. Não podemos concebê-la em sua totalidade. Seria mais fácil apagar o sol, ressuscitar os mortos, fazer um mundo, contar as galáxias, esvaziar o mar com um balde, do que expressar a santidade perfeita e transcendente de Deus.

Sua santidade é simplesmente infinita – sendo assim não pode ser limitada, nem diminuída ou aumentada. Só Ele é fonte de toda santidade e pureza. Toda santidade do céu, dos anjos, dos redimidos é apenas reflexo da Sua santidade infinita. Podemos orar por uma igreja santa, por filhos santos, mas não podemos comunicar santidade. Só Deus é o doador de santidade. Só Ele pode causá-la e só d'Ele ela pode fluir. Só Ele pode infundir santidade no homem.

Não devíamos nós, que somos descritos por Isaías assim: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam”  Isaías 64:6. Falar como Jacó? “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar!”

Deus é santo! E apenas um Deus totalmente e perfeitamente santo pode iluminar nossa mente, mudar nossa vontade, derreter e quebrantar nossos corações, criar novas afeições, purificar nossas consciências e reformar completamente nossas vidas.

Como eu disse no início, oramos contra o ruído de fundo da televisão, meditamos na Palavra enquanto conversamos no Facebook, nosso senso de santidade divina é tão fraco que estamos num lugar de culto enquanto nos alongamos e mascamos nosso chiclete. Toda essa verdade sobre a santidade de Deus não é a ênfase do que chamamos culto, ela foi esquecida ou não tem qualquer peso sobre nós. Temos sido um espelho de nossa cultura que esqueceu Deus e não um espelho da glória da santidade de Deus.

Está na hora de acordarmos e, como Jacó, dizer: “Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia. E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar!

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Autor: Josemar Bessa
Fonte: Site do autor
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Como Manter a Igreja Viva

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Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, em que o profeta repreende a Igreja do A. T., chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter prazer em receber o culto dele.

Infelizmente, esse quadro de decadência da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes. O povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo. Devemos evitar que a decadência espiritual entre em nossa vida. Existem quatro coisas que podemos fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja, com a graça de Deus:

(1) Tratar o pecado com seriedade. Nada arruína mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem ser tratados como deveriam. Lemos na Bíblia que, quando Acã desobedeceu a Deus, toda a comunidade sofreu as consequências. Nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados e arrependidos constituem-se num tropeço espiritual que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé.

(2) Zelar pela sã doutrina. A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. O erro religioso envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser tolerante para com os falsos mestres que a infestavam com falsos ensinos (Ap 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticarem a imoralidade (Ap 2:20). Devemos ser pacientes e tolerantes, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino claro do Evangelho.

(3) Andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que, se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras, a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente. A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja.

(4) Estar aberta para reformar-se. A Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através de João, Jesus determinou às que estavam erradas a que se arrependessem (Ap 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado. Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo a chama da fé pela frequência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão.

Queira nosso Deus dar-nos vigor para mantermo-nos e à nossa igreja sempre vivos espiritualmente.

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Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Boletim Informativo PIPG - Ano XX - Nº 39
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Os Mandatos Criacionais

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Introdução

O registro da revelação apresenta-se com três mandatos específicos: Cultural, Social e Espiritual. Estes mandatos são os condutores da aliança de Deus com seu povo. Estes fios condutores da aliança configura a vida humana em sua totalidade. Dentro desta concepção insere-se a ideia da tríplice estruturada bíblica de uma cosmovisão que envolve: a criação, queda e redenção.

A tríplice estrutura e os mandatos criacionais são discutidos e apresentados pela Teologia Bíblica.  A definição desta ciência é a seguinte: “Teologia bíblica é aquele ramo da teologia exegética que lida como o processo da auto revelação de Deus registrada na Bíblia”.[1]  

Razões para rejeitar o inclusivismo (Parte 1)

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Os defensores da visão conhecida como inclusivismo argumentam que, embora ninguém seja salvo fora da obra redentora de Jesus, não é necessário ter conhecimento sobre o evangelho ou crer em Jesus para a salvação. O inclusivismo elimina o problema de que aqueles que não ouviram o evangelho não serão salvos, mas isso de maneira alguma significa que o inclusivismo é verdadeiro ou bíblico. Paulo, de fato, ensinou em Romanos 1-3 que apesar do conhecimento geral sobre um Criador estar disponível a todos através da luz da criação, esse conhecimento não traz salvação. Apenas a revelação especial sobre Deus, sobre o pecado, sobre Jesus e a salvação dada aos profetas e apóstolos e que está registrada na Bíblia fornece as informações necessárias para a salvação. Os inclusivistas afirmam que o conteúdo da fé não é crucial e que os não-evangelizados podem até ser salvos praticando suas religiões não-cristãs. No entanto, Paulo fala em Romanos 10:9-10 que um conhecimento de informação verdadeira faz parte da fé salvadora. Paulo também fala claramente que nem ele nem as pessoas incrédulas a quem ele pregou foram salvos antes de acreditar em Jesus Cristo.

Os inclusivistas argumentam que, se Deus salva os bebês e os que tem problemas mentais, que morrem sem nunca ter tido fé em Jesus, então Ele pode salvar aqueles que não foram evangelizados. Este ponto de vista, no entanto, ignora o fato de que os não-evangelizados são responsáveis por seus pecados, enquanto que os bebês e os deficientes mentais não são. Os inclusivistas também tentam apontar para os crentes do Antigo Testamento como exemplo de pessoas salvas que não tinham conhecimento sobre Jesus, mas só porque eles não tinham esse conhecimento explícito não significa que eles não tinham nenhuma outra revelação especial (como os não-evangelizados).

A visão inclusivista de que aqueles que nunca ouviram o evangelho serão salvos tem um impacto negativo sobre as missões cristãs. À luz destes e de outros problemas, o inclusivismo não deve ser considerado uma opção viável aos cristãos.

A grande maioria dos cristãos evangélicos sustentam a opinião de que a crença em Jesus é necessária para a salvação. Esse ponto de vista, conhecido como exclusivismo, pode ser resumido em quatro proposições: (1) Jesus é o único Salvador; (2) a fim de serem salvos, os seres humanos devem saber que eles são pecadores que precisam de salvação e perdão; (3) a fim de serem salvos, os seres humanos também precisam saber quem é Jesus e que Sua morte e ressurreição fornecem a base para essa salvação; e (4) os seres humanos devem colocar sua fé e confiança em Jesus como o único Salvador. Os dois textos seguintes tipificam as muitas passagens bíblicas que indicam que o conhecimento sobre (e a fé em) Jesus são essenciais para a salvação: (1) “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10:9,10); (2) “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus” (João 3:17,18). Não há outro Salvador além de Jesus, e nenhuma outra religião além do cristianismo bíblico que possa levar os seres humanos até a graça salvadora de Deus.

[…] Se o inclusivismo é verdade, ele elimina um problema que preocupa muitos cristãos: E aquelas pessoas que morrem sem nunca terem ouvido o evangelho? Pense na responsabilidade que é tirada das nossas costas quando adotamos essa visão. Pense no quão mais fácil podemos dormir à noite. No entanto, como cristãos pensantes, reconhecemos que só porque o inclusivismo torna a vida mais fácil ou elimina um problema intrigante, isso não significa que ele seja verdade. Sabemos, sim, que (1) um sistema de crença verdadeiro deve concordar com as Escrituras e (2) que ele deve ser coerente e logicamente consistente. Será que o inclusivismo passa nesses dois testes? Vamos começar a nossa investigação, olhando para o que o inclusivismo tem a dizer sobre o conhecimento.

SERÁ QUE O CONHECIMENTO É NECESSÁRIO PARA SE TER UMA FÉ SALVÍFICA?

Os inclusivistas nos dizem que milhões de pessoas serão salvas sem saber nada sobre a Bíblia ou sobre Jesus. Poderíamos perguntar, então, será que as pessoas não evangelizadas precisam saber de alguma coisa para serem salvas? Pareceria estranho se os inclusivistas argumentassem que a alternativa para entrar no céu por meio do conhecimento sobre Jesus é por meio de um conhecimento sobre nada em particular. Até mesmo John Sanders parece reconhecer o papel do conhecimento quando ele afirma que “algum grau de informação cognitiva é essencial para a fé salvadora” [No Other Name (Grand Rapids: Eerdmans, 1992), 229].

Ao ler autores inclusivistas, no entanto, nunca se deve aceitar a primeira palavra deles sobre um assunto. Eles costumam dar algo com a mão direita e pegá-lo de volta com a mão esquerda. Neste caso Sanders menciona a importância do conhecimento no que diz respeito à salvação, mas em outros lugares ele denigre o lugar do conhecimento na religião. Ele se opõe à crença de que os seres humanos devem possuir certos tipos de conhecimento objetivo como uma condição necessária para entrar em um relacionamento de confiança com Deus. Ele iguala essa crença ao Gnosticismo, um antigo inimigo do cristianismo que considerava a posse de “conhecimento secreto” como chave para a salvação. No entanto, sob esse sentido anti-histórico que Sanders prega, Paulo (Rom. 10:9-10), João (João 20:30-31), e até mesmo Jesus (Mt 16:13-17) seriam culpados de terem ensinado o gnosticismo já que os três reconheciam o conhecimento sobre Jesus como essencial para a salvação.

DUAS FONTES DE CONHECIMENTO

Suponhamos que a fé salvífica exija uma certa medida de conhecimento, ainda que os inclusivistas não façam ideia do que seria o conteúdo mínimo dele. Isso nos leva a fazer a seguinte pergunta: Qual é a fonte desse conhecimento?

Os pensadores cristãos fazem distinção entre duas fontes de conhecimento: a revelação especial e a revelação geral. As revelações extraordinárias que Deus fez a pessoas como Abraão, Moisés e Paulo tipificam a revelação especial. Esse tipo de revelação é “especial” porque Deus a deu a determinadas pessoas em determinadas épocas e lugares. Essa revelação também tem uma função especial, ou seja, a de fornecer aos seres humanos um conhecimento sobre o Deus em três Pessoas (e que não pode ser obtido pelo simples exercício da razão humana), tornando possível uma relação salvífica com Ele. A revelação especial foi registrada e preservada na Bíblia. A revelação geral, como o próprio nome indica, é a revelação que Deus coloca à disposição de todos os seres humanos à parte da revelação especial. A última metade de Romanos 1 afirma que os seres humanos podem vir a conhecer certas coisas sobre o Criador (Deus) com base no conhecimento de Sua criação. A revelação geral também dá aos humanos a uma compreensão moral geral, de modo que, mesmo sem a Bíblia certos tipos de conduta são entendidos como sendo errados.

Os inclusivistas acreditam que a revelação geral é suficiente para levar as pessoas a salvação. Eles insistem que a salvação é acessível a todos os seres humanos, incluindo os milhões que não têm qualquer contato com a revelação especial; portanto, o conhecimento que medeia a salvação para os não-evangelizados não tem que provir da Bíblia. Uma vez que os não-evangelizados, por definição, não possuem a revelação especial, os inclusivistas são forçados a encontrar um papel da revelação geral (que está disponível a todos e que todos podem entender) na salvação. Sanders, por exemplo, argumenta que a palavra “evangelho” tem um significado mais amplo do que simplesmente a boa notícia sobre Jesus. O evangelho, de acordo com os inclusivistas, também pode conter uma luz que está disponível para os não-evangelizados através da revelação geral. Obviamente, essa “luz” não contém informações sobre Jesus. Na verdade, é difícil dizer qual seria o conteúdo informativo contido nessa luz.

Aqui está o problema que os inclusivistas criaram para si mesmos: eles precisam de uma fonte de conhecimento alheio a qualquer informação nas Escrituras, e a única fonte para tal conhecimento é a revelação geral; no entanto, a passagem mais relevante das Escrituras no tocante da revelação geral nos diz claramente que ela não pode salvar! Paulo começou sua carta aos Romanos, explicando que uma das razões pelas quais todos os seres humanos são condenados é porque eles têm resistido a mensagem da revelação geral (Romanos 1:18-20). Ele ensinou que ainda que Deus tenha tornado disponíveis informações importantes para todos os seres humanos através da revelação geral, ela não trouxe salvação a eles. Paulo escreveu: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10); “Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rom. 3:23). O raciocínio de Paulo em Romanos 1-3 claramente contradiz a crença inclusivista de que pessoas de religiões não-cristãs podem ser salvas por responder ao conteúdo da revelação geral. Uma vez que nenhum ser humano vive de acordo com a luz da revelação geral, a revelação especial é extremamente necessária.

Os inclusivistas não possuem apoio bíblico claro e inequívoco em favor de sua opinião de que a revelação geral é suficiente para a salvação. Eles simplesmente assumem esse ponto de vista e, em seguida, o usam para comprometer outros ensinamentos bíblicos importantes, tais como a identificação de Paulo com a morte e ressurreição de Cristo como um componente essencial do evangelho (por exemplo, 1 Coríntios 15:1-4).

O OBJETO DA FÉ SALVÍFICA

Os inclusivistas acreditam que um ato de fé é necessário para a salvação mas nega que Jesus deva ser o objeto dessa fé salvadora. Eles acreditam que a salvação das pessoas não-evangelizadas depende de como eles respondem à luz que lhes foi dada. De maneiras que os inclusivistas acham difíceis de explicar, a luz da revelação geral leva muitos dos não-evangelizados a uma confiança no verdadeiro Deus – uma confiança que não tem nada a ver com Jesus Cristo. É a fé (confiança) que salva, não o conhecimento. A fim de serem logicamente consistentes, os inclusivistas devem ensinar que as pessoas são salvas pela fé e que o conteúdo ou o objeto dessa fé é irrelevante; e, uma vez que ter o único Deus verdadeiro como objeto de fé é irrelevante e, em muitos casos impossível, o fator-chave sobre a fé salvadora deve ser o seu aspecto subjetivo. O que conta é o sentimento, não o conhecimento ou a verdade objetiva. Considere estas afirmações feitas por Pinnock: “A fé em Deus é o que salva, mesmo sem possuir determinadas informações mínimas” (A Wideness in God’s Mercy (Grand Rapids: Zondervan, 1992), 157); “Uma pessoa é salva pela fé, mesmo que o conteúdo dessa fé seja deficiente … . A Bíblia não ensina que se deve confessar o nome de Jesus para ser salvo” (Ibid., 158 – esta afirmação contradiz claramente Romanos 10:9,10). Parece que Pinnock pegou emprestado essa vertente do liberalismo protestante moderno: “Não importa o que você acredita, é a sua sinceridade que conta” (Ibid.).

Os inclusivistas, portanto, argumentam que a fé possa salvar as pessoas, embora o seu conteúdo teológico seja deficiente ou mesmo falso. Não há nenhum lugar nas Escrituras, no entanto, que afirme isso; na verdade, as Escrituras ensinam exatamente o oposto. É verdade que as pessoas não são salvas ao simplesmente concordar mentalmente com certas informações teológicas; no entanto, as Escrituras dizem claramente que a fé salvadora possui uma consciência de informações verdadeiras. É imprudente, perigoso e anti-bíblico levar as pessoas a pensar que a pregação do evangelho (que deve conter detalhes sobre a pessoa e a obra de Cristo) e a fé pessoal em Jesus não são necessárias para a salvação.

Se não podemos aceitar a visão da fé sem conteúdo pregada pelos inclusivistas, tampouco podemos aceitar outros pontos do sistema inclusivista. No próximo post iremos examinar alguns deles.

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Autor: Ronald H. Nash
Fonte: The Christian Research Institute
Tradução/adaptação: Erving Ximendes
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O que todo presbiteriano precisa saber sobre: Sacramentos

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Introdução

Se alguém o perguntasse quais são os dois meios ou instrumentos utilizados, fora a Palavra e oração, para o seu crescimento espiritual, qual seria sua resposta? Alguns poderiam dizer que ouvir alguns louvores seria um dos meios de crescimento, e outros poderiam dizer que evangelismo pessoal também ajudaria. E entenda bem, não estou dizendo que isso não nos ajude, mas a cada dia surge um modismo novo que substitui aquilo que a própria Escritura estabelece como um “culto racional” para algo do “coração”, esquecendo-se das bênçãos que Deus concede na coletividade da igreja. 

É proibido sofrer!

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"É proibido sofrer!" Esta é a mensagem que vemos sendo anunciada em quase todos os lugares. Talvez nem sempre dita assim tão explícita, mas percebemos suas variações quando também se diz: "pare de sofrer!", "tenha uma vida vitoriosa!", "Você nasceu para ser cabeça e não cauda!", "decrete e profetize sua vitória!", "tome posse pela fé!" e tantas outras ordens e palavras que, na cabeça de muita gente, vira uma espécie de anestésico contra as dores que os problemas da vida provocam na gente.

A sociedade atual se esconde do sofrimento e o nega porque ele desmascara nossas fragilidades. A questão é que a ferida continua aberta, a infecção vai se alastrando cada vez mais, a doença emocional vai se enraizando, vai matando lentamente, mas seus efeitos são maquiados pela não sensação de dor. Se esquecem que o próprio sofrimento pode ser uma bênção, pois ele nos avisa sobre a necessidade de que algo deve ser feito.

Embora haja fundamento bíblico para nos dizermos mais do que vencedores por meio de Jesus, esta palavra "vencedores" não segue o modelo e o padrão moderno de entendimento do que seja vencedor segundo a ganância dos homens. O perfil do vencedor moderno é aquele que até pode passar por alguma dificuldade, mas consegue tudo o que quer. Sempre vence as dificuldades virando o jogo com palavras mágicas. Nunca demonstra em público suas fraquezas. Este é o vencedor das externalidades, da futileza, do terno Armani, da bolsa Louis Vuitton, do carro de luxo, de ter dinheiro, poder e influência sobre a vida das pessoas. É o que se faz vencedor pela força bruta, é o indestrutível. Infelizmente, este tipo de vencedor é anunciado adoecida e insistentemente em muitos púlpitos. Quem não se enquadra nesse padrão é rapidamente chamado de "sem fé", amaldiçoado, fraco ou derrotado.

Já, o Vencedor, segundo o Evangelho, é aquele que também sofre, também passa por algum tipo de privação, pode até vencer de alguma forma material, mas sabe discernir entre o momento de rir e o de chorar. Aprende a viver cada um destes momentos reconhecendo que há um Deus que não somente assiste, mas participa com a gente, ao nosso lado, de cada riso ou lágrima e usa essas coisas também como ensino e crescimento para cada um de nós.

Perder ou ganhar, ser fraco ou forte, no entendimento bíblico, não depende do troféu humano, das honrarias, homenagens, recompensas e reconhecimentos que se recebe em vida.

Vencer não tem a ver necessariamente com possuir bens ou ser curado de uma doença terminal. Estas coisas também, mas elas não tratam da essência. Estão na superfície de uma vida muito mais profunda, muito além de ter ou não os seus sonhos e pedidos realizados.

Aqueles que vencem ou venceram, nas Escrituras, perderam o mundo para ganhar a Vida. Alguns foram perseguidos, torturados, mortos, tiveram seus bens espoliados, famílias separadas. A maioria não foi nenhum exemplo de sucesso de empreendedorismo, de força de vontade ou estabilidade emocional. Passaram fome, fugiram, tiveram medo, alguns desistiram ou abandonaram seus projetos e chamados missionários, antes do tempo. Tiveram crises existenciais, ficaram deprimidos, se sentiram enfraquecidos, desejaram morrer mas foram salvos e reencaminhados não por suas próprias forças, mas pela Graça infinita, teimosa e amorosa de Deus. O verdadeiro vencedor é aquele que vence não por ele mesmo, mas vencido, vence em Deus.

O vencedor, segundo as Escrituras, sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas nem por isso deixa de se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Vive cada sentimento de forma verdadeira, sem máscaras e consciente.

Nesta vida ainda vamos perder e achar muitas coisas, muitas vezes. Alguns sonhos pessoais jamais serão alcançados, outros virão como que presentes de Deus para nossas mãos. Não se permita ser julgado pelos outros ou pela própria consciência por causa do que você ganha ou deixa de ganhar. O importante é, como diria nosso irmão Paulo, o apóstolo: "quer vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Romanos 14.8). Em outras palavras, desta vez, ditas por Jó "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o seu nome." (Jó 1.21).

O sofrimento em si não nos torna derrotados. Podemos, sim, aprender e sermos aperfeiçoados por causa dele. O rótulo é sempre algo imposto de fora pra dentro. Nem sempre expressa uma realidade. Não se auto impute um desmerecimento ou supervalorização falsos. O verdadeiro vencedor aprende a dar nomes às suas responsabilidades, projeta sua esperança não nas coisas que se veem, mas naquelas que são eternas. Assume seus erros, mas também consegue se alegrar com cada pequenino passo em direção à Vida. Sabe perdoar e também pedir perdão. O sofrimento dói, mas nos amadurece, nos ensina a reconhecer o que de fato podemos chamar de vitória.

O Deus que venceu por todos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente! 

Ave Crux, Unica Spes!

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Autor: Pablo Massolar
Fonte: Ecclesia Semper Reformanda Est
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Deus, ateísmo e a ciência

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Ateus afirmam que a ciência favorece a posição deles. Eles vão argumentar que a ciência tem refutado muitas das reivindicações centrais do cristianismo: por exemplo, que a teoria da evolução tem desacreditado o relato bíblico das origens. É importante que o cristão enfrente esses desafios. E o que eu pretendo fazer aqui é cavar abaixo da superfície destas objeções nos fundamentos da própria ciência. Vou argumentar que a ciência só é possível porque Deus existe. E o avanço científico cada vez mais tem favorecido a visão de mundo cristã.

Raramente é reconhecido que a ciência repousa sobre uma série de pressupostos filosóficos sobre o universo e os seres humanos que a própria ciência não pode justificar. Sem esses pressupostos, a ciência seria fútil.

A investigação científica baseia-se em duas suposições: primeiro, que o universo é um lugar ordenado e racional, e segundo, que a racionalidade do universo se alinha com a racionalidade de nossas mentes. A ideia de que as nossas mentes estão equipadas para descobrir e compreender as leis básicas do universo depende de ambos pressupostos.

Pense nas leis da natureza por exemplo. Quando formulamos a lei da gravidade, presumimos que essas leis se aplicam da mesma forma em todo espaço e tempo. Presumimos que essas leis vão ser o mesmo no futuro como eles foram no passado. Presumimos que essas leis operam em outras galáxias, da mesma forma que eles operam em nossa própria galáxia. Em suma, supomos que a natureza é basicamente ordenada e uniforme, visto que podemos descobrir leis gerais da natureza.

Porém, é impossível que a ciência prove que a natureza é ordenada e uniforme. É impossível o ser humano observar todo o universo em cada ponto do espaço e tempo. Só Deus pode criar o universo de maneira racional e uniforme. Pois se o universo é um gigantesco acidente metafísico, com nenhuma mente racional dirigindo – como os ateus creem – por que supomos que a terra funciona de maneira ordenada e racional? E por que nós devemos assumir que nossas mentes estão equipadas com precisão para entender a realidade?

A visão cristã de mundo, em oposição ao ateísmo naturalista, fornece uma base sólida para a ciência. Se o universo é a criação de um Deus pessoal, cuja mente é extremamente racional e ordenada, e se nossas mentes são projetadas e equipadas por Deus para descobrir verdades sobre o mundo natural, então faz todo sentido exercer a ciência – e temos uma explicação de por que a ciência tem sido tão bem sucedida.

Nenhuma outra espécie neste planeta tem a capacidade de compreender o mundo como nós. Nós somos capazes de raciocinar, somos capazes de reconhecer e refletir sobre nossa habilidade de raciocinar. Nós podemos raciocinar sobre a própria razão, como estamos fazendo agora. Mas de onde veio essa capacidade de compreender o mundo?

A cosmovisão ateísta enfrenta grandes dificuldades para explicar a existência da razão. O problema central pode ser facilmente percebido: o ateísmo está comprometido com a ideia de que a razão veio da não-razão. O universo físico não tem nenhuma mente. Não tem um intelecto ou quaisquer faculdades racionais. O naturalista tem que acreditar que a racionalidade dos seres surgiu de processos materiais inteiramente não-racionais.

A explicação que um evolucionista poderia oferecer é: “Nós humanos gradualmente desenvolvemos a capacidade de raciocinar durante milhões de anos por um processo de seleção natural. Nossa razão nos dá uma vantagem de sobrevivência.” Essa explicação enfrenta várias objeções notáveis.

Podemos facilmente notar que a maioria dos organismos neste planeta sobrevivem e se reproduzem perfeitamente sem a menor capacidade de razão. Sob uma perspectiva evolucionista, não importa se um organismo tem crenças verdadeiras ou crenças falsas.

Se a evolução não é dirigido para nossa mente atingir a verdade, então não temos base para supor que as nossas faculdades intelectuais podem ser confiáveis para guiar-nos para a verdade. Nesse caso, devemos duvidar da verdade de nossas próprias crenças – incluindo a crença no naturalismo. No final, a questão é: qual visão de mundo nos dá o relato mais razoável da própria razão. Uma em que a nossa razão tem sua origem em uma Razão Maior, ou uma em que nossa razão tem sua origem na não-razão? Se nossa capacidade de atingir a verdade depende de Deus, nada pode ser mais incoerente que negar Deus.

Além disso, a cosmovisão cristã fornece a estrutura moral, dentro do qual a ciência pode promover o bem comum. Acreditar que a moral veio da não-moral é tão desastroso quanto pensar que a razão veio da não-razão.

Então se a ciência depende de Deus, quanto mais aprendemos sobre o universo natural mais evidências encontramos para uma cosmovisão bíblica. Por exemplo, aprendemos com as leis da termodinâmica que o universo não existiu sempre. O universo passou a existir. Então, ele simplesmente veio a existência sem motivo ou explicação, ou foi trazido a existência por alguma causa transcendente.

Nós também aprendemos que o universo como um todo e o nosso próprio sistema solar em particular, parece ser afinado em inúmeras formas para possibilitar a existência de vida orgânica. Se as leis da natureza tivessem sido, mesmo que ligeiramente, diferentes do que são, planetas habitáveis ou sistemas solares nunca teriam se formado. A evidência indica que nosso sistema solar é afinado não apenas para oferecer suporte a vida orgânica, mas para acomodar organismos conscientes e para promover a investigação científica por esses organismos conscientes. E a probabilidade disso tudo acontecer por pura sorte é tão minúscula que a hipótese é descartada como uma explicação séria.

Outras descobertas como em química e biologia estão apontando na mesma direção que a física e a astronomia. A origem do DNA é desconcertante para os ateus, porque o DNA carrega informação codificada complexa análogo ao software de computador. Informações só podem ser geradas por fontes inteligentes, não por processos naturais irracionais. Como fazer um software sem um programador? Com o progresso do conhecimento científico, perdeu-se a credibilidade do ateísmo.

O ateu tem promovido um conflito entre ciência e a crença em Deus, mas o conflito é ilusório. O verdadeiro conflito situa-se entre a ciência e a descrença em Deus. A visão de mundo ateísta não pode fornecer qualquer justificação racional para os pressupostos fundamentais da ciência. Ironicamente os cientistas ateus precisam viver pela fé! Estão dependendo de uma visão de mundo centrada em Deus sempre quando se envolvem em seu trabalho científico.

Não é nenhuma surpresa que os pioneiros da ciência moderna como Johannes Kepler, Robert Boyle, Isaac Newton e Michael Faraday eram crentes em Deus, que olharam para o mundo natural através da lente de uma cosmovisão bíblica. A ideia de que o cristianismo é anti-ciência não podia estar mais errada. Quando buscamos ver mais profundamente qual visão de mundo sobre qual a ciência repousa, podemos ver que o oposto é verdadeiro. A própria ciência depende de Deus.

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Autor: Gabriel Reis
Fonte: Gospel Prime
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Crentes em um mundo de descrentes – Parte 2

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A besta que surge da terra - Apocalipse 13.11-18

Nos versículos anteriores, vimos João descrevendo a Besta que surge do mar, referindo-se a uma Besta que surge do meio da humanidade. Observamos, que essa Besta que surge do mar se mostra como a perversão completa da humanidade, como se fosse o braço de Satanás. Vimos também que, a primeira Besta parece se referir ao quarto animal que Daniel vê (Dn 7.7), o qual é descrito como uma fusão de um leão, um urso e um leopardo (Ap 13.2). 

Com toda essa autoridade que a primeira Besta recebe, ela faz com que o povo a adore, mostrando ser incomparável a qualquer coisa (13.4), pronta para desmoralizar a Deus com suas blasfêmias e perseguição contra o povo de Deus (13.6,7), tendo autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação (13.7), confirmando a perdição da humanidade, pois não adorarão a Deus, mas, sim, a Besta (13.8). 

Se, a primeira Besta parece ser a imagem de Satanás, mostrando-se digna de adoração plagiando a Deus, a segunda Besta se coloca como aquele que leva a humanidade a adorar a primeira Besta, como sendo uma falsificação de Cristo. Encorajando a humanidade a buscar a salvação em sistemas humanos, ao invés de buscarem na graça de Deus, em Cristo. Por fim, a segunda Besta vai se levantar de forma inofensiva, mas, ao abrir a boca se revelará e levará muitos para o abismo. A visão que João tem da segunda Besta, a qual é descrita mais à frente como o falso profeta (16.13; 19.20), revela três elementos fundamentais: a sua pessoa (13.11); o seu poder (13.12-14); e o seu programa (13.15-18). 

A sua pessoa – 13.11

Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres...”

Se, para entender o início do capítulo 13, precisamos olhar para Daniel 7, de igual modo, para compreendermos essa última parte, precisamos olhar para Daniel 8. Essa Besta com dois chifres mostra seu poder, mas não igual ao da primeira Besta, que tinha dez chifres.

Ela, a segunda Besta, mostra seu governo maligno, como uma paródia das duas testemunhas, que são os dois candelabros – a igreja. Ou seja, enquanto a igreja proclama que só há salvação em Cristo, a segunda Besta proclamará que a salvação estará na primeira Besta, a qual deve ser digna de adoração.

Ao invés de surgir do mar, essa besta surge da terra como se fosse uma oposição ao céu, ao trono de Deus. Sua mensagem é eivada de mundanismo, a qual massageia o ego do homem, levando-os a adorarem o sistema humano.

“...parecendo dragão, mas falava como dragão.” 

Ou seja, é um lobo com pele de cordeiro. Parece ser inofensivo, mas é pura destruição. Os falsos profetas possuem esse estilo. Falam de maneira sorrateira, de forma bonita e agradável. No entanto, sua mensagem se mostra contraria à Palavra de Deus, pois, quem o está usando é Satanás.

E aqueles que derem crédito às suas mentiras, entrarão em terrível julgamento com Deus (Ap 14.9-11). 

O seu poder – 13.12-14

Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal foi curada” (v.12).

A segunda besta não é uma contradição da primeira, mas, um complemento. Ela faz uma propaganda da primeira besta, lembrando que a ferida mortal da primeira Besta foi curada. Porém, a segunda Besta não quer plagiar a Cristo ou ao Espírito Santo, somente. Pois, percebam, ela quer agir igual a Cristo, sendo a mediadora entre a humanidade e a primeira Besta; e quer agir como o Espirito Santo, convencendo o mundo de que a primeira Besta deve ser adorada.

Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu” (vv. 13-14)

As ações da Besta parecem ser ecos irônicos, primeiro de Moisés com grandes sinais (como a igreja também é descrita em Ap 11), e, depois, com Elias, ao dizer que fazia descer fogo do céu como uma demonstração profética, mas aqui será um falso profeta. 

Infelizmente, o povo é levado a acreditar em todo e qualquer tipo de sinais e maravilhas. E, esses sinais, serão o meio pelo qual a segunda Besta seduzirá o povo e os desafiará para que façam uma imagem em honra para a Besta, pois tinha sido ferida e foi curada. 

No entanto, precisamos entender uma coisa. Os milagres que a Bíblia relata que os apóstolos fizeram, bem como Moisés/Josué e Elias/Eliseu, foram para confirmar o que estava sendo transmitido. Quando Moisés/Josué fizeram milagres extraordinários, foi para confirmar a validade daquilo que eles estavam trazendo ao povo: a Lei. Da mesma forma, Elias/Eliseu, os quais representam a classe dos profetas. E assim, Cristo e os apóstolos. Eles estavam trazendo as boas novas de salvação da Nova Aliança. 

Contudo, alguém dirá: “mas a besta fará milagres para validar a sua mensagem também, e agora?”. Nós cremos que Deus faz milagres, pois, Ele controla todas as coisas. No entanto, se cremos na Escritura, saberemos que não haverá nenhuma nova revelação e muito menos alguém que tome o lugar de Cristo.

“...e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da Besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta.” (v.15)

Mas, a segunda besta é audaciosa. Quando olhamos para algumas advertências do Antigo Testamento, vemos Deus mostrando que os ídolos nada são, pois, têm boca, mas não falam. Têm pés, mas não andam e som algum saí de sua garganta (cf. Sl 115.1-8). No entanto, a imagem dessa besta terá fôlego para que possa se comunicar. Deus permitirá que isso aconteça para mostrar como estará a humanidade antes da volta do Seu Filho, pois, o próprio Salmo 115.8, nos diz que todos quantos adoram uma imagem tornam-se semelhantes a ela.

Seu programa – 13.16-18

A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhe seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.”  (vv.16-18)

De modo que, a humanidade está, e estará, ainda mais cega nesses últimos dias, a imagem da besta que terá fôlego para que possa se comunicar com o povo, também matará aqueles que não a adorarem. No entanto, todos que lhe prestarem culto receberão a marca da besta. 

Diversas interpretações foram dadas ao que seria essa marca. Alguns cristãos, fazendo a somatória dos valores numéricos das letras, entendiam que o número 666 simbolizava Nero, Napoleão, Hitler, entre outros. Há algumas décadas, afirmava-se que essa marca seria o código de barra, pois, havia um valor numérico escondido e sem aquele código ninguém compraria nada. Outros, anos depois, entendiam que a marca da besta era o cartão de crédito, pois, com a mão você manuseava o cartão e na mente você gravava a senha. E, por fim, hoje em dia é dito que a marca da besta é um microchip, implantado na mão, o qual irá conter todos os nossos dados, e com esse chip implantado poderemos ou não, comprar ou vender algo. 

No entanto, essas interpretações não possuem fundamentação bíblica. Como mostra-nos o capítulo, a Besta quer falsificar, plagiar a Deus. Ou seja, ela copia a Deus, mas o copia de forma distorcida. E a Marca não é diferente. Na Lei, lemos que Deus a atará, a qual servirá como um sinal, nas mãos e entre os olhos. Ou seja, tudo aquilo que eu faço e tudo aquilo que eu penso, deve refletir a Lei de Deus. Assim sendo, a marca de Cristo é viver de conformidade com a Lei de Deus. Não obstante, a marca da besta é contrária a marca de Deus. Se a marca de Deus é viver em santidade, a marca da besta é viver em impiedade. Por isso que é o número 666. Enquanto Deus faz tudo perfeito, e essa perfeição é descrita pelo número 7, o número da besta é 6 porque é imperfeito, logo, é número de homem e não do Deus perfeito. 

Portanto, o número da Besta não se refere ao anticristo em si, mas creio que, na verdade, se refira ao seu programa (de como ele conduzirá as coisas). Ou seja, como diz o texto - não poderemos comprar ou vender sem a marca -, o povo de Deus será excluído do convívio da sociedade. 

Conclusão

Antes da volta de Cristo, a igreja não somente passará por uma perseguição física, como também por uma perseguição ideológica, sendo tentada, por todos os lados, a negar a Cristo.

Aplicação

Não devemos temer qualquer tecnologia que surja, conjecturando ser a marca da besta. A marca da besta é oposta a marca de Deus. Se nós temos o selo do Espirito, garantindo que pertencemos a Deus, estaremos para sempre com Cristo. A marca da besta garante que tal pessoa pertence ao Diabo. A marca de Deus é demonstrada por nossa vida de total confiança em Cristo e na sua obra. Aqueles que possuem a marca da besta confiarão no Diabo e em suas obras.

Quem nossas obras têm refletido? Em quem mais colocamos a nossa confiança? 

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Autor: Denis Monteiro
Revisão: Malvina Oliveira
Fonte: Bereianos

Leia também: Crentes em um mundo de descrentes – Parte 1
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A difusão do evangelho: o uso de Gênesis 1.28 em Colossenses 1.6

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Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós, desde que ouvimos falar da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes a todos os santos, por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo o mundo, frutificando e crescendo, assim como entre vós desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Cl 1. 3-6).

Introdução

“A melhor defesa é um bom ataque”, é o que alguns dizem, e é certamente o que Paulo fez nessa carta. Um de seus propósitos era encorajar a igreja em Colossos a resistir ao falso ensino que se propagava entre eles. Pelo fato de ser ocasional, a carta aos Colossenses possui uma Cristologia elevada, por causa da redução funcional e menosprezo ontológico de Jesus Cristo que aquela heresia ensinava. Paulo a combate com veemência, e como é característico em suas cartas, o apóstolo deixa ecoar logo nas saudações e orações iniciais de suas cartas vários temas que irá desenvolver no corpo epistolar.    

Como podemos notar em 1.6, ao contrário daquele falso ensino, possivelmente circunscrito apenas em Colossos, a verdade do evangelho apostólico crescia e se multiplicava em todo o mundo.

O propósito deste artigo é tentar descortinar o significado das palavras “frutificar e crescer” (v.6). Através do desdobramento da revelação da redenção na história, iremos investigar esse “motif” ao longo das Escrituras, para nos aproximarmos com a maior precisão possível do que Paulo tinha em mente quando descreveu a atuação do evangelho nesses termos.

Frutificando e crescendo

Esta perícope possui uma estrutura concêntrica onde Paulo elabora a experiência dos Colossenses no evangelho, refletindo as circunstâncias em que eles ouviram o evangelho pela primeira vez (v. 7-8), e o poder transformador que opera não somente neles, mas em todo o “mundo” (v.6), este último consiste no centro dessa ação de graças (v. 3-8).

A linguagem de “frutificar e crescer” é uma reminiscência alusiva à história da criação em Gênesis. Deus ordena que a raça humana “frutifique e se multiplique” (Gn 1.28; cf. 1.22).

Gênesis 1.28
Colossenses 1.6

Crescei [auxanõ] e multiplicai-vos [plêthyno] e enchei a terra [...] e dominai sobre [...] toda a terra [pasês tês gês]” (LXX).

Frutificai [pârã] e multiplicai-vos [rãbâ] e enchei a terra [...] e dominai [...] a terra” (TM)

Em todo o mundo [panti tõ kosmõ], ela [a palavra da verdade, o evangelho] está frutificando [karpophoreõ] e crescendo [auxanõ]”.

Parece que Paulo se foca no texto hebraico (TM), ainda que a tradução da Septuaginta (LXX) seja viável. Dando um sentido mais literal, Paulo traduz “pãrâ” por “karpophoreõ” (frutificando) e “rãbâ” (multiplicar) por “auxanõ”. 
Podemos notar ainda que Paulo usa uma tradução própria, independente da LXX, reproduzindo a expressão “em toda a terra” por “em todo o mundo”.

Tendo definido os paralelos textuais, passamos agora a ver como esse “tema” de “frutificar e crescer” se desenvolve no Antigo Testamento.

“Frutificar e crescer” no Antigo Testamento

Analisaremos o uso e desenvolvimento de Gn 1.28 no Antigo Testamento, e perceberemos que esse é um tema Bíblico-teológico. 

Após o dilúvio esse mandato é reiterado a Noé e sua família:

“...povoem abundantemente a terra e frutifiquem, e se multipliquem sobre a terra” (cf. 9.1, 7).

A mesma linguagem é usada posteriormente na promessa de Deus a Abraão e aos patriarcas:


E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; E te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão” (Gn 28.3-4).
Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos” (Gn 35.11).

O povo de Israel alcançou parcialmente essa benção no Egito:

E me disse: Eis que te farei frutificar e multiplicar, e tornar-te-ei uma multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em possessão perpétua.” (Gn 48.4)
E os filhos de Israel frutificaram, aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles.” (Ex 1.7)

Entretanto, Israel pecou e continuou a pecar, e por causa disso sofreu o julgamento e a dispersão. E é no exílio que a fórmula reaparece e Deus promete reunir Seu povo novamente:

E eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão, e se multiplicarão” (Jr 23.3).

O uso de Gênesis 1.28 em Colossenses 1.6

Uma dúvida pode surgir quanto a essa alusão: Qual a relação entre os textos se Gn 1.28 se refere ao aumento dos seres humanos em “toda a terra” e ao domínio deles sobre ela, ao passo que Cl 1.6 refere-se a palavra do evangelho “frutificando e crescendo em todo o mundo” (Beale, 2014)? Paulo estaria apenas se utilizando do texto com fins retóricos sem se importar com o sentido e contexto original de Gn 1.28?

Para uma resposta satisfatória, precisamos adentrar com maior profundidade ao texto. Gn 1.26-28 é um mandato para Adão refletir a imagem de Deus, uma reflexão implicitamente ontológica e explicitamente funcional (Beale, 2014). Na criação de Adão e Eva, Deus os dotou com capacidades internas para que fossem capazes de sujeitar, dominar e encher a terra com a glória de Deus. Reproduzir filhos para se unirem nessa reflexão da imagem Divina fazia parte do mandato da sujeição/dominação.

De acordo com G. K. Beale, Adão, Eva e sua prole seriam vice-regentes que agiriam como filhos obedientes de Deus, refletindo seu glorioso e pleno reinado sobre a terra. O que se evidencia já em Gn 1 – 3, sendo também relevante para Colossenses 1.6 (e 10), é que a obediência à palavra de Deus era crucial para realizar a incumbência de Gn 1.26,28 (2014, p. 1042).

Adão, Eva e sua descendência deveriam refletir a imagem de Deus e espalhar Sua glória por toda a terra. Mas como sabemos, tanto o primeiro casal como sua descendência falhou miseravelmente.

Paulo se apropria de forma alusiva a um dos enredos mais importantes da história da redenção. O apóstolo foca na função da palavra de Deus em Gn 2-3 em relação ao cumprimento da comissão adâmica (ibid., p. 1043). A palavra da verdade finalmente começou sua expansão global, conforme Adão foi ordenado a fazer. Não somente no mundo, mas “nos” Colossenses, que foram “libertos do império das trevas” (1.13), o engano e domínio da antiga serpente já não opera em seus corações.

Assim vemos que Paulo não está forçando o texto de Gênesis, antes o interpreta de uma perspectiva histórico-salvífica, e da culminação do evento Cristo. De fato, Jesus é o novo e último Adão, o portador da imagem de Deus (Cl 1.15; 3.10), e os cristãos, pela fé n'Ele, são identificados com Ele através da união pessoal com Cristo.

O objetivo da comissão renovada em Cristo é espalhar a glória de Deus através de uma humanidade renovada (cf. N. T. Wright, 1986, p. 53-54). Como descendência espiritual do Adão escatológico, os fiéis, como participantes da nova criação inaugurada, dão inicio ao cumprimento do mandato outorgado ao primeiro Adão. 

Concluímos que o uso de Gn 1.28 em Cl 1.6 não é meramente analógico. Estamos diante de uma tipologia, pois a repetição da falha em cumprir a comissão de Gênesis apontava para uma humanidade escatológica que finalmente obedeceria ao mandato de Gênesis (Beale, ibid.). 

Conclusão

Concluo esse breve artigo com algumas aplicações práticas. Em primeiro lugar, será oportuno uma análise pessoal do leitor sobre sua própria fé, à luz do verdadeiro evangelho. A fé espúria que se propaga no meio evangélico é fruto do falso evangelho que domina várias denominações. Nada além e nada aquém do puro evangelho bíblico/apostólico deve ser crido. Somente ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Porém crer num falso evangelho é correr em vão e por isso deve ser anátema mesmo se tiver uma suposta origem “angelical” (Gl 1.8). Em segundo lugar, devemos combater esses falsos evangelhos com o verdadeiro. Foi exatamente isso que Paulo fez. Quer fosse o falso evangelho destruindo os gálatas, ou a heresia corroendo Colossos, ou o triunfalismo dividindo Corinto, Paulo sempre estava lá, combatendo o engano da antiga serpente com a palavra da verdade. Ele mesmo diz que foi posto para defesa do evangelho (Fl 1.17). Todos nós temos esse mesmo dever que Paulo, e é por isso que Judas nos exorta a “batalhar pela fé que de uma vez por todas foi dada aos santos” (Jd 1.3). Em terceiro e último lugar, não devemos ficar apenas na defensiva, mas temos que partir para o ataque. E com isso quero chamar nossa atenção para o dever e responsabilidade de cada cristão em proclamar o evangelho em “todo o mundo”. Deus em Sua soberania usa meios para a difusão global de Sua Palavra. Paulo não poderia falar sobre o crescimento do evangelho se ele e os demais tivessem ficado quietos. Como vimos, somos o povo escatológico de Deus, novas criaturas nas quais a imagem de Deus se renova dia após dia em Cristo. E o propósito disso é espalhar a glória de Deus na face de Cristo, avançando o evangelho do reino neste mundo caído.  

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Bibliografia:
Arnold, Clinton E. The Colossian Syncretism. WUNT 2/77. Tübingen: J. C. B. Mohr (Paul Siebeck), 1995.
Beale, G. K. Colossenses, em “O uso do Antigo Testamento no Novo Testamento”, org. D. A. Carson e G. K. Beale. Vida Nova, SP, 2014.
Bruce, F. F., The epistle to the Colossian, to philemon and to the ephesians. NICNT. Grand Rapids: Eerdmans, 1984.
Dunn, James D. G. Epistle to the Colossians and to philemon. A commentary on the greek text. NIGTC. Grand Rapids: Eerdmans, 1996.
Francis, F. O., and Wayne Meeks, eds. Conflict at Colossae. Sources for Biblical Study 4. Missoula: Society of Biblical Literature, 1973
Garland, David E. Colossians and philemon. NIVAC. Grand Rapids: Zondervan, 1998.
Lightfoot, J. B. Saint Paul’s Epistles to the Colossians and to Philemon. Grand Rapids: Zondervan, 1959 (da edição revisada de 1879).
Martin, Ralph P. Colossians and Philemon. NCB. London: Oliphants, 1974.
Moule, C. F. D. The Epistles to the Colossians and to Philemon. CGTC. Cambridge:Cambridge Univ. Press, 1968.
O’Brien, Peter T. Colossians, Philemon. WBC. Waco, Tex.: Word, 1982.
Wright, N. T. Colossians and Philemon. TNTC. Grand Rapids: Eerdmans, 1986.

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Autor: Willian Orlandi
Divulgação: Bereianos
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