Não tomemos o nome de Deus em vão

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Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” Êxodo 20:7. [i]

Eu sei que muitos cristãos se sentem constrangidos quando ouvem ou veem piadas que vão de encontro à fé que professam ou ao Deus que seguem. Neste texto nossa intenção é abordar a falta de observância de muitos cristãos que quebram constantemente o 3º mandamento sem observar a seriedade, severidade e exigência do mesmo. A observância e a obediência deste mandamento estão ligados estritamente ao nosso relacionamento correto com Deus, é o verdadeiro testemunho da santidade de Deus e, também, está relacionado ao nosso culto pessoal ao Deus triúno.

Neste 3º mandamento aprendemos sobre a santidade de Deus e que o mau uso do nome de Deus é irreverência. Todo cristão sério deve pensar e se expressar levando em consideração a devida sobriedade e reverência. Não se deve difamar o nome de Deus ou jurar falsamente em nome de Deus, nem muito menos usar piadas levianas levando o nome do Deus Santo. Somos instados pelas Escrituras a cultuar a Deus com a disposição de espirito que seja compatível com a dignidade e solenidade de tal exercício, levando em consideração a majestade de Deus com sinceridade, humildade e reverência. “Para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 28.58).

Precisamos entender que o nome de Deus diz muito a respeito de sua natureza e seus atributos. O nome de Deus é tomado em vão quando o usamos sem a devida consideração e reverência, quando lemos a Bíblia podemos observar que os serafins velam seus rostos diante da infinita majestade e glória de Deus. A.W Pink [ii] nos diz:

Existem apenas duas finalidades que podem autorizar o nosso uso de qualquer um de seus nomes, títulos e atributos: para a sua glória e para a nossa própria edificação e de outros. Qualquer coisa além disso é frívolo e perverso, não fornecendo base suficiente para fazermos menção de tão grande e santo nome, que é cheio de glória e majestade.

A citação acima aponta a seriedade e profundidade deste mandamento, precisamos afastar de nós toda hipocrisia. Precisamos destacar que é pecado seríssimo quando professamos hipocritamente em relação ao nome de Deus. O pecado do povo de Israel muitas vezes foi usar o nome de Deus e não obedecer à revelação contida neste nome, assim violava o mandamento.


O cristão deve levar em consideração a solenidade do nome santo de Deus, assim evitaríamos sermos chamados de levianos, irreverentes e praticantes do crime de perjúrio. R. Alan Cole [iii] comentando a passagem de Exôdo 20.7, nos diz o seguinte:

Não tomarás... em vão. No judaísmo mais recente, esta proibição envolvia qualquer uso impensado e irreverente do nome YHWH. Este só era pronunciado uma vez por ano, pelo sumo-sacerdote, ao abençoar o povo no grande Dia da Expiação (Lv 23:27). Em sua forma original, o mandamento parece ter-se referido a jurar falsamente pelo nome de YHWH (Levítico 19:12). Este parece ser o verdadeiro sentido do texto hebraico.

Ao voltarmos para o texto bíblico somos exortados a pensar seriamente e solenemente sobre nosso Deus e como nos relacionamos com Ele e com as pessoas em nosso dia a dia. É quase impossível andar nas ruas e não ouvir o nome de Deus sendo tratado com desprezo blasfemo. As novelas, programas televisivos e redes sociais são terríveis detratores do nome de Deus. Cabe a nós como povo de Deus, eleitos em Cristo, honrar e cultuar o nome santo do nosso Deus. Cessem todas as piadas e brincadeiras inoportunas usando o nome santo de Deus.


Portanto, a finalidade do 3º mandamento é afirmar a santidade de Deus. Não devemos profana-lo nem trata-lo irreverentemente. Este mandamento proíbe qualquer uso do nome de Deus de forma leviana, blasfema e insincera. Devemos reverenciar o nome divino porque tal nome revela o próprio caráter de Deus.

Soli Deo Gloria!

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Notas:
[i] https://www.bibliaonline.com.br/acf/ex/20
[ii] Pink, Artur Walkington, 1986-1952. Os Dez Mandamentos; Tradução Claudino Batista Marra e Felipe Sabino de Araújo Neto – Brasília, DF: Publicações Monergismo, 2009. p.36.
[iii] R. Alan Cole, Exôdo. Ed. Vida Nova, 1981, p. 151.

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Autor: Samuel Alves
Fonte: Electus
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A nossa esperança nos faz perseverar e fazer boas obras

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Texto base: Tito 2:11-14

Qual a nossa motivação principal para perseverar e fazer boas obras? Será que existe a possibilidade de uma pessoa verdadeiramente salva não perseverar e, muito menos, fazer boas obras? A perseverança e as boas obras provam que nós somos salvos ou são meios para que nós alcancemos a salvação? O que nos faz confiantes de que Deus trabalhará em nosso favor para que possamos ter um futuro glorioso?

Ao olharmos para a carta do Apóstolo Paulo a Tito, vemos que Paulo dá um único motivo – e mais que necessário - para encorajar o crente a perseverar e fazer boas obras: a manifestação da glória de Cristo.

Em resumo, aquele que persevera constantemente e suas boas obras são manifestas a todos, demonstra expressões visíveis da graça de Deus.

Portanto, para entendermos a passagem; podemos vê-la como a Graça de Deus manifestada na perseverança (2.11-13) e a Graça de Deus manifestada nas boas obras (2.14). Imagine um lanche, dois pães e um recheio. As duas fatias de pães são os versos 11/12 e o verso 14. Entre eles está o verso 13, o qual direciona todo o sabor. E é assim que Paulo vai mostrar.

A Graça de Deus manifestada na perseverança (2.11-13)

As instruções que Paulo passa a Tito no capítulo 2.1-10 são resumidas de forma simples, em sua primeira parte, nos versos de 11 a 13, mostrando que a graça de Deus manifestada nos educa a renegar a impiedade e as paixões mundanas, partindo do negativo para o positivo. Em resumo, da parte negativa, como citado por Calvino, podemos dizer que impiedade é a “negligência religiosa em relação a Deus [...] Pois ainda que professem alguma sorte de religião, nunca temem a Deus e o reverenciem sincera e verdadeiramente; senão que, ao contrário, têm suas consciências adormecidas”¹. E, assim, como consequência de uma vida ímpia e longe de Deus, as paixões mundanas significa os desejos da carne que faz com que caracterize ainda mais o distanciamento de Deus.

No entanto, nós sabemos que essa luta é difícil e podemos questionar, dizendo: Como perseverar constantemente neste mundo mal? Um personagem bíblico pode nos dar resposta usando ele mesmo como ilustração. Veja Gn 5.21-23. O texto mostra que Enoque era o sétimo depois de Adão (Jd 1.14), e que ele andou com Deus. A intensidade do verbo “andar” significa que ele tinha prazer em andar com Deus constantemente. Mas, será que a época em que Enoque andou com Deus era igual a nossa, pecaminosa, ou será que o pecado ainda estava crescendo?

Quando olhamos para o texto de Judas 1.14, 15 vemos que Enoque foi também alguém que anunciou a vinda do Senhor Jesus para um povo que praticava obras de impiedade (v.15). Veja, qual palavra no verso 15 se repete constantemente? Ímpio! Ou seja, o tempo em que Enoque vivia era de impiedade, da mesma forma, Judas escreve para igreja daquela época e, da mesma forma, em nossa época. Por que Enoque andou na presença de Deus? Porque ele tinha prazer nisso! Mesmo em meio a impiedade do mundo, Enoque andou com Deus. Mesmo quando o desemprego bateu à porta e quando os filhos foram desobedientes, ele andou com Deus.

Portanto, da mesma forma que Enoque disse ao povo “vejam, o Senhor”, na sua expectativa da vinda do Senhor, Paulo mostra positivamente a Tito que a manifestação de Cristo é o que nos motiva a viver de forma sensata, justa e piedosamente. Essa foi a primeira fatia do pão junto ao recheio.

A Graça de Deus manifestada nas boas obras (2.14)

A segunda fatia de pão que Paulo coloca é relacionada às boas obras, partindo novamente do negativo para o positivo. De forma negativa, Paulo mostra a Tito que a graça de Deus, manifestada na morte de Cristo, veio para que possamos ter uma vida redimida da iniquidade e, positivamente, ser um povo exclusivo do Senhor, zeloso de boas obras (v.14). Ou seja, se antes nós dedicávamos todo o nosso ser às paixões mundanas, Paulo diz que, ao recebermos essa graça, nós devemos dedicar tudo o que fazemos a Deus. Não para alcançar algo, mas em forma de gratidão. A ordem é essa: Deus nos salva para fazermos boas obras, nunca o contrário. Pois, se quisermos nos justificar em nossas obras, a Escritura é clara em mostrar que elas são trapos de imundícia (Is 64.6).

Se nós desejamos fazer boas obras para ganharmos a salvação em troca, nós estaremos reduzindo a obra de Jesus na Cruz. Mas se as nossas boas obras estão em forma de gratidão a Deus, nós temos entendido que Cristo morreu por nós e fez com que as nossas atitudes, quer seja por palavras, pensamentos e ações, glorifiquem a Deus.

Conclusão

Você já imaginou pensar estar vivendo para a glória de Deus, mas na verdade não? Vamos voltar ao caso de Enoque. Vimos que ele teve prazer em andar constantemente com Deus. Mas nós, quase sempre, não damos atenção necessária as genealogias. Se nós observarmos com calma e fizermos alguns cálculos, veremos que quando Enoque nasceu, Adão já estava vivo. E quando Enoque foi tomado, Adão ainda estava vivo[2].

Já pensou? Adão foi criado e esteve no jardim de onde foi expulso. Adão tinha a presença de Deus na viração do dia, mas um dia perdeu o posto. No entanto, Enoque, em meio a um mundo mal, viveu na presença de Deus o qual lhe proporcionou a glória de não provar da morte para estar eternamente com Deus.

Que a nossa esperança, a gloriosa manifestação da glória de Cristo, seja o motivo pelo qual nós perseveramos e façamos boas obras.

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Notas:
[1] CALVINO, João. Série comentário bíblicos João Calvino: Pastorais. Ed. Fiel. São José dos Campos, p. 337
[2] Enoque foi o melhor homem das primeiras gerações. Numa sociedade indizivelmente perversa, ele “andou com Deus”. Nascido 622 anos após a criação de Adão, foi contemporâneo dele durante 308 anos. “Deus o havia arrebatado” já aos 365 anos de idade. Halley. 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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A Importância da Teologia Sistemática Para o Aconselhamento Bíblico

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Introdução

A prática do aconselhamento Pastoral¹ tem sido estudada por muitos teólogos como uma atividade pastoral e cristã. O aconselhamento bíblico é ensinado nas Sagradas Escrituras e é também um meio de ensino da Palavra. Ao tratarmos do aconselhamento pastoral, no entanto, precisamos partir de algum lugar. Esse ponto inicial deve ser, de fato, alicerçado na rocha e não em areia. Ao observarmos todo o conteúdo das epístolas no NT notaremos que a estrutura que encontramos em parte teológica (teórica) e em parte prática, se bem que essa divisão se dá por uma necessidade pedagógica, mas, toda teologia de fato redunda em doxologia. Ao tratar teologicamente, por exemplo, no início de Colossenses sobre a divindade do Filho e o conhecimento de Deus, isso é a base, o fundamento para se tratar de questões práticas que virão na epístola, a seguir nos capítulos posteriores.

Série Credo Apostólico - Parte 8: A Santa Igreja Universal

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INTRODUÇÃO

“Creio... Na santa Igreja universal, a comunhão dos santos”.

Depois de firmar o credo na Trindade, o símbolo de fé passa então a falar da obra do Deus triúno, começando por afirmar a crença de que a Igreja é universal, palavra que passamos a usar para substituir o termo “católica”. Mas, embora muitos evangélicos torçam o nariz para a palavra, devemos reafirmar o conceito de catolicidade, algo que os próprios reformadores reafirmaram. Assim sendo, o que devemos ter em mente quando dizemos crer na Igreja católica ou universal?

O conceito de catolicidade evoca a união da igreja que transcende o tempo e a geografia. Esta Igreja por quem Cristo morreu é composta de pessoas de todos os tempos e vindas de muitos lugares distintos, vinculadas uns aos outros pelo sangue de Jesus. Nesta massa de gerações e culturas diferentes, por uma ação sobrenatural do Espírito, existe unidade, que devemos nos esforçar para preservar, como nos diz o texto sagrado:

Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos”. - Efésios 4:3-6

Outro aspecto da catolicidade - ou universalidade – da Igreja é que a sua membresia é diversificada no que diz respeito a idade, gênero e posição socioeconômica, mesmo assim, o Espírito de Cristo produz unidade na diversidade, operando em nós a fé salvífica depositada no Filho de Deus. “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). Portanto, é de extrema importância pôr em prática este postulado do Credo, pois, a Igreja é o povo de Deus, comprado e remido por Cristo, que se ajunta solenemente em adoração ao seu SENHOR. É neste ajuntamento que Deus se manifesta, e por meio dele opera neste mundo caído.

DESIGREJADO, ISSO PODE?

Existe um movimento que está crescendo nos últimos anos. São os desigrejados, ou os “sem-igreja”. Estes saíram da Igreja por focarem nos problemas institucionais, por terem sido machucados em alguma congregação e até mesmo por nutrir uma visão romântica (e deturpada) da igreja primitiva. Eles parecem não se dar conta de que uma igreja como a que havia em Corinto também faz parte deste período, e nem por isso estava isenta de problemas.

Não devemos deixar de congregar (Hb 10:25). Como disse o teólogo Michael Horton: “A igreja não é apenas para onde vão os discípulos; é o lugar onde são feitos os discípulos”. É na convivência com pessoas diferentes – e algumas delas até não cristãs, embora pareçam ser (lembre-se da parábola do joio e do trigo), que exercitamos a ética do reino: amando o próximo, servindo-o com nossos dons, perdoando quando somos ofendidos e confessando nossos pecados uns aos outros, na disposição de sermos mentoriados. Também é na igreja que recebemos os sacramentos (batismo e ceia) e a partir deles somos identificados como o povo da aliança, desfrutando da fidelidade do Senhor, estando debaixo de suas bênçãos pactuais.

E AS DENOMINAÇÕES?

Dando uma volta a pé ou de carro pela avenida de qualquer cidade grande no Brasil, veremos mais de uma igreja, algumas quase coladas umas às outras. E cada uma portando um nome diferente. A pergunta é: o denominacionalismo não fere a catolicidade da Igreja?

Em algum sentido, as muitas denominações demonstram mais divisão do que união, e isso deve ser lamentado. Pois, as explosões de novas igrejas surgiram de questões que são secundárias (isso entre os séculos XVII e XIX), e o espírito sectário fez com que o caminho mais fácil, queé a divisão ao invés da reconciliação, promovesse esta enxurrada de igrejas distintas. Mas não advoguemos o fim das denominações. Ao invés disso, vejamos como pode ser possível manter a unidade em meio desta miscelânea de igrejas que pensam diferente em algumas questões.

VISÍVEL E INVISÍVEL

A Igreja católica, que é una, geralmente é chamada de igreja invisível. Este termo reflete a questão de que somente Deus conhece aqueles que são seus e os mantém perseverantes até o dia final. Desta igreja há gente de toda língua, tribo e nação (Ap 5.9), todos arrebanhados por Cristo, ligados uns aos outros como membros de um só corpo. Veremos esta igreja, tal como ela é, apenas no Reino dos Céus, após a volta de Cristo que vem para julgar as nações, mas também buscar a sua amada igreja para estar com ele na eternidade.

Já o que chamamos de igreja visível é esta que vemos atuando na terra. As congregações locais e as várias denominações contêm pessoas que são verdadeiramente cristãs e outras não. Lembremos da advertência de Jesus ao dizer que "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus” (Mt 7:21). Na parábola do trigo e do joio, ambos crescem juntos e serão separados apenas na colheita. Quando Jesus explica a parábola, vemos que a colheita refere-se ao dia do juízo final, assim, só neste evento que serão separados os verdadeiros dos falsos membros da Igreja.

Na presente era, a igreja será imperfeita e as pessoas vão se deparar com pessoas dentro dela que nem regeneradas são. E até mesmo os cristãos, ainda em processo de santificação irão falhar nas relações interpessoais. Mas lembremos que o laço que nos une vem do SENHOR. Por isso podemos superar as nossas diferenças e, mesmo com nossas particularidades, alcançamos a unidade por estarmos debaixo do mesmo pacto.

Engraçado é que olhando para a história, vemos que todo o grupo que se levantou contra as denominações acabou criando uma nova, logo, não é a abolição do denominacionalismo que vai nos garantir unidade, mas podemos nos aproximarmos cientes de que aquilo que nos une é maior do que o que nos separa. Batistas, Presbiterianos, Anglicanos, Congregacionais, Livres e outros podem somar esforços para promover os valores cristãos que são inegociáveis, evitando que questões secundárias sirvam de empecilho para trabalharmos juntos na promoção do Reino.

BASTA DE IGREJAS SEGMENTADAS

Outra frente de batalha para manter firme a catolicidade da Igreja de Cristo é evitar segmenta-la. Recentemente, influenciados pelo modelo de mercado, muitos líderes acabam desmembrando suas igrejas, focalizando determinados nichos para tentar alavancar o número de membros. Com isso surgiram diversas igrejas que focalizam os jovens e fazem com que a sua agenda gravite em torno de muito entretenimento para seduzir o seu público alvo. Outros segmentam o que já está segmentado, e daí temos a igreja dos surfistas, dos skatistas, dos universitários, dos tatuados, dos solteiros e etc.

A Igreja é a composição de velhos e novos, ricos e pobres, homens e mulheres, com tantas diferenças que se não fosse obra divina, seria impossível de se conviver. Todavia, é assim que Deus quer que nos ajuntemos para adorá-lo. Basta de igrejas segmentadas, sejamos unidos em meio as nossas peculiaridades.

UM POVO SANTO

Um dos papéis distintivos da Igreja nesse mundo é que ela remete a santidade de Deus. A Igreja é santa e esta santidade não é propriamente nossa. Assim como a luz que faz a lua brilhar vem do sol, somos santos porque o Deus que nos arregimentou é santo. Pedro nos diz, em carta:

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. - 1 Pedro 2:9

Portanto, é necessário nos portarmos de maneira digna, como requer a nossa vocação para a santidade. A Igreja precisa manter a distinção do mundo e deve perseverar para manter-se pura em meio a uma geração corrompida. A santidade aqui não significa perfeição, ela é gradativa, embora, posicionalmente, já somos santos em Cristo, pois Ele nos santificou quando nos lavou com seu sangue na cruz.

Deus em sua infinita sabedoria, fez da Igreja o local ideal para o desenvolvimento de nossa santificação. Os meios de graça, que são a pregação da Palavra mais a administração dos sacramentos, nos santificam. E na administração destes meios, o nosso Sumo Pastor separou co-pastores para servir as suas ovelhas diligentemente. É dever destes pastores inculcar nos fiéis, pela pregação e pelo exemplo, o estilo de vida santificado. Daí a importância de fazer parte de uma igreja local, se submetendo a liderança que o próprio SENHOR instituiu para dar conta da disciplina na Igreja.

CONCLUSÃO

A Igreja é o Israel de Deus, seu povo santo, que não é mais uma etnia, como na antiga aliança. As fronteiras foram enlanguescidas e não há mais a distinção entre judeus e gentios, pois dos dois povos o Senhor fez um só rebanho (Ef 2.14).

Por sermos povo, não caiamos na tentação da individualidade. A igreja é como se fosse o ecossistema de Deus. É preciso uma relação de interdependência, de modo que todo cristão individualmente precisa estar inserido numa igreja local para desenvolver a sua fé. Assim como determinados seres não se reproduziriam se não houvesse os elementos que compõem o seu ecossistema, não há desenvolvimento de fé no cristão que se exclui - por vontade própria - do ajuntamento dos santos.

O reformador João Calvino costumava dizer que a Igreja é a mãe de todos os crentes, visto que pela Palavra de Deus, ela nos conduz ao novo nascimento, nos educando e nutrindo, através no ministério pastoral ordinário. A Igreja é a coluna da verdade (1 Tm 3.15), pois por meio de seu trabalho evangelístico no mundo, chegamos a conhecer a Cristo, verdadeiro Deus e salvador dos que nele depositam sua fé.

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 7: O Espírito Santo em Ação
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Como lutar contra o pecado sexual - Parte 1

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Percebo que muitos jovens, mais precisamente os rapazes cristãos, tem tido medo de entender sua própria sexualidade e desejo, rejeitando a existência deste ou o rotulando como algo perverso que deve ser combatido a todo custo. Nisso, muitos têm criado métodos para suprimir os próprios desejos e buscar, assim, o que seria uma santidade perfeita.

Da mesma forma que deixar de pensar sobre uma dor passada não gera perdão, apenas o ato de fugir de uma tentação não tem poder eficaz de mortificar os desejos impuros.

Para o perdão devemos ter uma atitude consciente da vontade para gerá-lo ao encarar a dor e as consequências dos atos dos outros, da mesma forma, para mortificarmos uma reação pecaminosa deve-se agir contra ela ativamente.

Alguns dizem que o beijo, por exemplo, por poder despertar desejos antes da hora deveria ser abolido do namoro e só existir em um contexto de casamento, tal pensamento é errado e se prova ineficaz, uma vez que temos em países islâmicos mulheres que usam a burca que lhes cobre todo corpo, para impedir os desejos sexuais de quem as observam, e os homens dessa sociedade desenvolvem desejos sexuais e fantasias até pela forma que a burca balança ao andar destas mulheres, e se masturbam pensando nisso.

A expressão sexual se manifestará de qualquer forma quando você busca refreia-lá de modo artificial, pois assim poderá agir apenas em um ato, não no fator que o origina.

Quem nunca se excitou sexualmente ao ver a pessoa que ama ou mesmo ao falar com ela ao telefone? Se a intenção de não beijar antes do casamento é válida e eficaz em impedir o despertar sexual antecipado, todas as coisas que também possibilitam isso devem ser abolidas antes de se casar, o que nos levaria de volta aos casamentos onde os noivos só se conheciam no dia do casório, de modo semelhante ao que tínhamos nos tempos bíblicos e, que as famílias faziam a escolha para os noivos e estes apenas obedeciam. O simples contato físico de andar de mãos dadas ou abraçar de modo afetivo pode despertar o desejo no indivíduo. Então, criar esses "sistemas", "métodos" que tem por finalidade prevenir desenvolvimentos de desejos se mostram apenas arbitrários e parciais, nunca se direcionando ao cerne da questão: o coração do homem é impuro, e pode macular qualquer ação por melhor que seja. Tiro por exemplo o casamento que é uma criação de Deus, que disse que não era bom que o homem vivesse só, porém o coração corrompido transforma casamentos (e todos os relacionamentos) em ídolos, onde o "amor" pelo cônjuge se torna a primazia da vida do indivíduo, colocando-o no lugar de adoração que deveria pertencer unicamente a Deus. O casamento que era bom se torna em um problema para esta pessoa.

Chegamos a tal conclusão, de modo claro, ao examinar as Escrituras, onde temos na carta aos Colossenses:

"Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: 'Não manuseie!' 'Não prove!' 'Não toque!'? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne." -Colossenses 2:20-23

Atentemos para o final:
"tais regras não possuem valor algum para refrear os impulsos da carne."

Esses métodos, como a ideia já citada de não beijar antes do casamento, não possuem a eficácia de impedir a impureza ou desejo errado, pois este encontrará uma forma de se manifestar. O que temos são regras tratando de uma atitude exterior, mas esquecendo do interior, do motivador que temos, exatamente o que os fariseus faziam, onde temos apenas uma formalidade com aparência de ética cristã e de novo viver, pois nada diante retira um hábito se o coração não for tratado. Uso "coração" aqui como forma livre de me referenciar aos desejos interiores do indivíduo.

Então, como agirmos sobre coisas que podem nos levar ao pecado? Mais uma vez, voltemos às escrituras:

"O Senhor disse a Caim: Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo." -Gênesis 4:6,7

Aqui vemos bem claro a indicação de como devemos lidar com os próprios desejos errados: mortifica-los como ato racional e ativo. A palavra nos manda mortificar os desejos errados.


Um erro que nós, cristãos, temos assumido é nos recusarmos a assumir que nos deixamos levar, facilmente, por conceitos que temos de nós mesmos, pois fica claro que para muitos basta não fazer algo para serem corretos.

Claro que apoiar-se apenas em nossa vontade contra a carne é um erro, por isso a vida de oração a Cristo e busca é tão importante.

"Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão" - Romanos 8:13

Pelo Espírito devemos fazer morrer os desejos. Não por métodos artificiais, não auto suficiência, mas pelo Espírito, e todo resto é vão. O que nos remete a uma vida de oração e luta contra o pecado que nos aflige tão constantemente. E, pelo Espírito, não permitimos que algo comum se torne pecado em nossas vidas.

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Autor: Felippe Chaves
Divulgação: Bereianos
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Aconselhamento cristão versus psicologia?

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Já passa do limite. Do jeito que a coisa vai, muitos psicólogos e conselheiros precisarão de ajuda para resolver problemas de ira e de maledicência. Digo isso entre jocoso e sério. A parte séria, pelo menos, merece uma resposta satisfatória. Mas como satisfazer ambos os lados? A única maneira que vejo, será por meio de romper a barreira e permitir uma boa conversa que provavelmente não convencerá quem não quiser entender, mas que esclarecerá qual seja o limite.

Primeiro, consideremos a relação entre a Bíblia e a psicologia. Explicando aos meus alunos, costumo perguntar: Entre a Bíblia e um livro de psicologia, qual você escolheria? A resposta dos cristãos, na maioria das vezes, é: A Bíblia, lógico! Por mais piedosas que pareçam, qualquer das escolhas é inadequada. Quem diz preferir a psicologia, terá exaltado o livro à altura da Bíblia; quem preferir a Bíblia terá rebaixado a Palavra de Deus à altura da psicologia. Isso é por que os dois são elementos de diferentes categorias. A psicologia é o estudo observacional do homem e a Bíblia é a revelação do criador sobre o conhecimento dele mesmo e da criatura, em uma relação essencial. A Bíblia foi dada ao homem para, entre outros usos decorrentes, ser o critério para interpretação da vontade de Deus, do homem e do mundo – incluindo o livro de psicologia. Não é fato que existem diversos tipos de aconselhamento (vocacional, profissional, legal, médico etc.)? Não existe a expressão aconselhamento psicológico? Poderíamos dizer aconselhamento aconselhar ou psicologia psicológica? Isso mostra que são termos diferentes.

Segundo, consideremos as psicologias. Estranho o uso do plural? Mas é isso mesmo. Cada teoria de psicologia expõe e defende interpretação e processo diferentes e, à vezes, antagônicos. Ora, há uma razão para isso. Deixe-me ilustrar. Imagine uma estrada plana e reta em que, onde a vista alcança, você enxerga algo como uma metade de uma esfera. Um besouro? Uma quenga (meia casca de coco)? Um capacete de soldado? Aproximando-se o objeto, você advinha mais. Uma tartaruga? Um tatu galinha? De repente, você percebe: é um fusca! Bem próximo, a satisfação do conhecimento enche os olhos. Mais perto, um metro, é uma raridade, sem amassado e com a cor original. Quase junto, dois centímetros, e tudo que você vê, agora, é o brilho de um pedaço bem pequeno de cor e luz, impossível de descobrir a natureza. Se existisse elefante polido e pintado, poderia ser um deles. Imagine, então, que diferentes observadores estejam olhando para estradas diferentes, tentando elaborar teorias sobre a natureza de objetos parecidos que se movem na direção deles? Certamente teríamos tantas teorias quantos fossem os observadores. Assim, temos tantas psicologias quantos são os estudiosos dos movimentos internos e externos dos homens. Isso é mau? Não por isso. O Dr. J. Adams, pioneiro da reabilitação do aconselhamento bíblico disse, em What About Nouthetic Counseling (Grand Rapids: Baker, 1976, p. 31), que ele mesmo tirou proveito de estudos psicológicos sobre o sono, e que não vê com maus olhos a psicologia observacional (método científico honestamente aplicado). Ele rejeita, sim, o uso impróprio de abstrações das psicologias como métodos de redenção do ser humano.

Essa perspectiva nos leva a uma terceira consideração: o que é que a Bíblia diz sobre aconselhamento e psicologia? Em 1Coríntios 2.9-16, o apóstolo Paulo disse que nem olhos viram nem ouvidos ouviram, nem o coração humano pode entender o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Isso, ele disse sobre o conhecimento do homem pelo próprio homem, tanto do incrédulo quanto do crente, dando como referência o conhecimento do Criador. Os crentes, ele continua, recebem revelação do Espírito que a tudo perscruta – as profundezas de Deus e do homem. O método desse conhecimento é, portanto, espiritual e não natural. Aqui, Paulo estabelece a distinção feita acima: o espiritual não é paralelo ao natural nem somente uma questão de divisão interna do homem. Na verdade, espiritual e natural são conceitos que pertencem a categorias diferentes. Além disso, o espiritual é uma totalidade abrangente que compreende e deveria reger o natural. Hoje, tal como os observadores das estradas, vemos algo com forma de homem, mas não entendemos sua natureza nem sua condição. Se o Espírito não no-lo revelar, concluiremos qualquer coisa.

O fato é que o Espírito nos revela, na Palavra, que o homem foi criado bom, que presentemente se encontra decaído por causa do pecado, e que ele é passível de redenção. Ocorre que o homem decaído não entende nem discerne as coisas espirituais. Paulo disse que o homem espiritual escrutina todas as coisas e ele mesmo não é escrutinado por ninguém; o homem natural, por sua vez, não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. A palavra grega traduzida como natural, nesse texto, é psuchikos (psíquico). Você vê outra interpretação senão que o aspecto interior do homem sem Deus, a psique, é o objeto de estudo das psicologias? Não estou esbordoando os psicólogos, mas apenas, dizendo que a consideração do homem somente sob o critério psicológico é considerá-lo fora de sua natureza, descartando sua condição e sem possibilidade de tratar seu verdadeiro problema. Tudo o que as psicologias podem fazer, é tentar adivinhar. Muitas vezes, o gênio que Deus concedeu a todos, crentes e incrédulos, não pode evitar o reconhecimento de coisas verdadeiras no homem e no mundo. Contudo, se falha em considerar a Deus e sua revelação quanto ao homem e ao mundo, ele fica como quem imagina diferentes coisas a diferentes distâncias.

Nem toda a sabedoria deste mundo poderá entender a totalidade do que Deus tem para os seus. Nenhuma psicologia poderá resgatar o homem de seu problema básico. Só Deus, em Cristo, é Redentor e Senhor da humanidade. É certo que, uma vez conhecido o fusca, alguém poderá lavá-lo, consertar suas partes e dirigi-lo, mas jamais poderá lhe conceder vida, mente, vontade e sentimentos. Lembre-se do que Paulo também disse: Ninguém, senão Deus, no Espírito, poderá assegurar a salvação; ninguém, senão Deus Trino poderá assegurar o anseio último da alma, isto é, um senso de dignidade, pertencimento, uma imaginação interpretativa acurada e criativa, nem uma operação interior e exterior que reflita a razão de sua própria criação. Fomos criados para habitar em Deus, para pensar seus pensamentos e para atuar em verdade e amor sobre as obras de Deus.

Você percebe, então, que não se trata de uma rivalidade entre aconselhamento bíblico e psicologia secular? Como Paulo disse em outro lugar, nossa luta não é contra o sangue e a carne (Efésios 6.12). Deverá haver uma psicologia bíblica – biblicamente teológica, antropológica e soteriológica, – que não seja uma visão reduzida do homem de maneira secularmente antropológica, sociológica ou fisiológica. Antes ela deve vir de Deus, ser revelada na Bíblia e ser testemunhada ao coração pelo Espírito Santo. O aconselhamento cristão pretende ter essa noção, mas não está limitado ao homem interior ou exterior. Ele trabalha em todos os limites que Deus preparou e

...manifestou aos seus santos aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo... (Colossenses 1.26b-28).

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Autor: Rev. Wadislau Martins Gomes
Fonte: Coram Deo
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Sobre os “Iluminados” de Hebreus 6

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O texto em foco diz:

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.” (Hb 6.4-8)

A primeira observação que deve ser feita a respeito de Hebreus 6.4-8, é que, trata-se, nos dizeres de Geerhardus Vos, de uma “difícil e importante passagem” sobre a aliança de Deus com o seu povo.[1] A razão dessa dificuldade está no fato de o autor da epístola mencionar especificamente o aspecto fenomenológico da religião nessa perícope.[2]

Os “.” de Hebreus 6.4-8 eram pessoas que “abandonaram esta assembleia dos santos”.[3] Eram pessoas não-regeneradas, não-eleitas, incrédulas que durante algum tempo fizeram parte de uma igreja visível, mas que apostataram. Muito se questiona acerca de como pessoas ímpias puderam “provar” de vários benefícios, como por exemplo:

1) do dom celestial; 2) da participação comum do Espírito Santo; 3) da boa palavra de Deus; e 4) dos poderes do mundo vindouro. Como tais pessoas puderam desfrutar, em alguma medida, de bênçãos destinadas àqueles que foram os beneficiários diretos do sacrifício substitutivo de Cristo?

D. Mathewson, no seu artigo intitulado Reading Heb 6:4-6 in Light of the Old Testament, lança luz sobre esse questionamento, ao afirmar que, “a linguagem do autor em 6.4-6 é colorida por referências do AT que aludem e ecoam como citação direta”.[4] De forma específica, Mathewson sugere que a referência àqueles que foram “iluminados” lembra a coluna de fogo que alumiou os israelitas através do deserto.[5] Algumas passagens veterotestamentárias podem demonstrar o ponto. Neemias 9.12,19 diz o seguinte:

Guiaste-os, de dia, por uma coluna de nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir [...] Todavia, tu, pela multidão das tuas misericórdias, não os deixaste no deserto. A coluna de nuvem nunca se apartou deles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de noite, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir.

O “dom celestial” lembra o dom celestial do maná, que foi dado por Deus ao seu povo quando este se encontrava no deserto (Êxodo 16.15). Em Neemias 9.15 é dito que o pão celestial foi dado aos israelitas “na sua fome”. Por sua vez, a referência àqueles que “se tornaram participantes do Espírito Santo” ecoa a experiência dos peregrinos do deserto, que “tinham extensiva interação com o Espírito de Deus”[6], como é testemunhado em Neemias 9.20: “E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar; não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua sede”.

Após considerar os elementos descritos em Hebreus 6.4-6, Mathewson conclui:“O autor não está apenas aludindo a textos fragmentados e a vocabulário isolado para apresentar uma retórica colorida, mas por aludir a textos que pertencem a uma enorme matriz de idéias ele está evocando o contexto inteiro e história da experiência de Israel no deserto”.[7]

Quando se leva em consideração que os destinatários dessa epístola eram cristãos judeus, essa interpretação se mostra bastante plausível. O autor de Hebreus utiliza a linguagem do Antigo Testamento para descrever um abandono doloroso de uma congregação por parte de algumas pessoas.

Dessa forma, a iluminação recebida, o dom celestial provado e o Espírito compartilhado se mostram bênçãos da graça comum de Deus destinada a pessoas ímpias ou, nas palavras de Charles Hodge, “influências do Espírito concedidas a todos os homens”.[8] Tais pessoas, “tiveram um claro entendimento do juízo de Deus sobre o mundo, das promessas de Deus, o desvendar do mundo futuro; tiveram uma clara distinção do juízo, bem como provaram dos milagres da era apostólica”, afirma o teólogo genebrino Matthew Poole.[9]

No seu comentário a respeito do versículo 4, João Calvino endossa a opinião de que mesmo os réprobos recebem algumas chispas da luz divina:

Mas aqui surge uma nova questão, como pode que aqueles que fizeram tal progresso venham a apostatar depois de tudo? Pois Deus, isso pode ser dito, não chama ninguém eficazmente a não ser os seus eleitos, e Paulo testifica que eles realmente são seus filhos e que são guiados por seu Espírito (Romanos 8.14) e ele nos ensina que, é um seguro penhor de adoção quando Cristo nos faz participantes do seu Espírito. O eleito também está além do perigo da apostasia final; pois o Pai que o elegeu para ser preservado em Cristo é maior do que tudo, e Cristo promete vigiar por eles de maneira que nenhum pereça. A tudo isso, eu respondo que Deus, de fato, favorece apenas os seus eleitos com o Espírito de regeneração e que, por isso eles são distinguidos dos réprobos; pois eles são renovados segundo a sua imagem e recebem a seriedade do Espírito na esperança da herança futura, e pelo mesmo Espírito o Evangelho é selado em seus corações. Mas eu não posso admitir que tudo isso seja alguma razão pela qual Ele não conceda também aos réprobos algum sabor da sua graça, que Ele não irradie suas mentes com algumas chispas da sua luz, ou não lhes dê alguma percepção da sua bondade, e de alguma maneira grave sua palavra em seus corações. De outra forma, o que viria a ser a fé temporal mencionada em Marcos 4.17? Portanto, existe algum conhecimento mesmo nos réprobos, o qual posteriormente vem a desvanecer, porque não possui raízes suficientemente profundas, ou porque elas murcham ao serem sufocadas.[10]

O que pode ser apreendido a partir desse comentário é que, de acordo com Calvino, bênçãos fluidas da obra expiatória de Cristo e destinadas diretamente aos eleitos e salvos como, por exemplo, a iluminação, o dom celestial da Palavra e a comunhão no Espírito, podem ser destinadas, ainda que de forma indireta a pessoas ímpias e incrédulas. Como Grudem acertadamente frisa, “a graça especial, que Deus dá aos salvos, leva a maior parte das bênçãos da graça comum aos incrédulos que vivem no campo de influência da igreja”.[11]

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Notas:
[1] Geerhardus Vos. The Teaching of the Epistle to the Hebrews. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1956. p. 28.
[2] Ibid.
[3] Moisés Bezerril. A Queda dos Iluminados de Hebreus 6.4-6. p. 16. Acessado em 18/08/2011.
[4] D. Mathewson. “Reading Heb 6:4-6 in Light of the Old Testament”, In: Westminster Theological Journal. Ed. 61. 1999. p. 214.
[5] Ibid. p. 216.
[6] Ibid. p. 217.
[7] Ibid. p. 223.
[8] Charles Hodge. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001. p. 981.
[9] Matthew Poole. A Commentary on the Whole Bible: Matthew – Revelation. Vol. 3. Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 2003. p. 737.
[10] John Calvin. Commentary on Hebrews. Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, 2000. p. 94. Acessado em 25/Ago/2011. 
[11] Wayne Grudem. Teologia Sistemática. p. 554.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Electus
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Versículos bíblicos sobre a Trindade

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O objetivo deste artigo é analisar os dados bíblicos sobre a doutrina da Trindade a fim de extrair conclusões logicamente dedutíveis desses versículos. As Escrituras são essencialmente trinitárias, mas a fim de não redigir um texto demasiadamente longo, foram selecionados sete versículos bíblicos que ajudam a raciocinar sobre o assunto:

1. Gênesis 1.26: Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão’.” 

Logo no início das Escrituras encontramos uma descrição de Deus em termos plurais de modo que o Criador deve ser tanto uma unidade quanto uma diversidade. O texto diz: “E disse [singular - unidade] Deus [plural - diversidade]” (hebraico: wayyomer Elohim) Façamos (naaseh) [plural] o homem [unidade - adam] à nossa [plural] imagem (besalmenu) e à nossa [plural] semelhança (kiḏmuṯênu) “[1] e o verso seguinte (v.27) diz: “E criou [singular] Deus [plural] o homem [unidade – ha adam] à sua [singular] imagem (besalmow): macho (zakar) e fêmea (uneqebah) [diversidade]”[2]. Desse modo, o texto faz um jogo entre singular (unidade)/ plural (diversidade), tanto em relação a Deus, quanto em relação ao homem criado semelhante a Deus. Deus cria uma só espécie (humana) com dois sexos distintos (macho e fêmea) a fim de refletir a unidade e a diversidade de Deus. Outras passagens veterotestamentárias também usam nomes e verbos plurais para falar de Deus (Gênesis 3.22; 11.6,7; Jó 35.10; Salmos 149.2; Isaías 54.5; Eclesiastes 12.1; Provérbios 9.10;  30.3; Josué 24.19). Em Isaías 6.3, 8 a apresentação de Deus em termos plurais aparece junto com a adoração tríplice “Santo, Santo, Santo”.[3] Considerar essas construções como plurais de majestade parece improvável pois se isso fosse assim deveríamos esperar encontrar o uso de plurais de majestade no contexto das monarquias de Israel e de Judá[4].

2. Deuteronômio 6.4: Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.”

O texto afirma inequivocamente a unidade absoluta de Deus: “Yahweh elohenu Yahweh ehad” (“O Senhor, nosso Deus, o Senhor é Um” [5]). Deus é nomeado como “Yahweh”, o nome pactual do Senhor que o apresenta como um Deus de relacionamento e de Aliança. Yahweh é essencialmente um Deus de relacionamento pessoal e pactual[6]. Além de apresentar o Senhor como um Deus Pessoal, o nome Yahweh também carrega os significados de imutabilidade, eternidade e autoexistência (Êxodo 3.14)[7]. A palavra Um (ehad) significa uma unidade que pode admitir uma diversidade de pessoas (Gênesis 2.24)[8]. Assim, Yahweh é um Ser Pessoal não apenas ad extra, mas também em Sua própria essência, em Si mesmo Ele É um relacionamento pessoal e pactual. Provavelmente aduzindo a esta confissão do Shemá (“Yahweh é Um’’), o apóstolo Paulo declarou que a Igreja crê em “Um só Deus, o Pai” (Grego: Heis Theos ho Pater) e “Um só Senhor, Jesus” (Heis Kyrios Iesous)[9]. Isso é dito em um contexto no qual o apóstolo está tratando da questão dos sacrifícios aos ídolos. Paulo chama os ídolos de “deuses (theoi) e senhores (kirioi)”[10] e nega a existência real dessas divindades pagãs. Assim quando Paulo chama o Pai e o Filho de “único Deus e único Senhor”, ele está afirmando que a Igreja não cultua os deuses falsos, mas sim o único Deus Verdadeiro, o Pai e o Filho[11]. Kyrios é um sucedâneo do nome Yahweh, de modo que a confissão de Jesus como “um só Kyrios” reflete a confissão do Shemá do “um só Yahweh”[12]. De fato, o Pai e o Filho existem em uma unidade essencial e relacionam-se eternamente de maneira pessoal e pactual[13]. Paulo também identifica o Espírito Santo como Yahweh: “Ora, Jeová [Kyrios][14] é o Espírito, e onde está o Espírito de Jeová, ali há liberdade. E todos nós, ao passo que com o rosto descoberto refletimos como um espelho a glória de Jeová, somos transformados nessa mesma imagem, com mais e mais glória, exatamente como Jeová, o Espírito, o faz.”[15] Assim, há uma só essência divina autoexistente, eterna e imutável na qual existe um relacionamento pessoal entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. 

3. João 1.1: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.

Neste versículo o Filho é chamado de “Logos”, que no pensamento judaico se referia ao envolvimento e à presença ativa e pessoal de Yahweh no mundo [16].A expressão “No Princípio” aduz ao princípio de Gênesis 1.1 e está intimamente relacionada com o início da criação do espaço e do tempo. Desse modo, o Filho (a Palavra) é colocado junto com o Pai na “eternidade passada”, ou melhor, na atemporalidade. Isso é confirmado pelo verso 3 que diz que absolutamente nada veio a existência, senão através do Filho. Assim, se o Filho é temporal, algo teria vindo a existência antes dele, a saber, o espaço e o tempo. Outras expressões bíblicas usadas para descrever a “eternidade passada” são usadas com respeito ao Filho. Ele existe antes de todas as coisas (“pro pranton” – Colossenses 1.17)[17] e por meio dele, Deus formou os tempos (“aionas” – Hebreus 1.2)[18]. O texto não diz que o Filho veio a existir no Princípio, mas que Ele era (En arché en ho Logos). O verbo “en - era” está no tempo imperfeito indicando uma ação contínua no passado, assim a Palavra existia na “eternidade passada”[19]. A Palavra estava com o Deus de modo que ela precisa ser outra Pessoa distinta que existe na eternidade com o Deus Pai. A Palavra não pode ser o próprio Pai. Isso é confirmado pelo fato do Pai ser chamado de “o Deus” (com artigo) e o Filho de “Deus” (sem artigo), o que insinua uma distinção entre eles. Por outro lado, os vocábulos “Deus” e “o Deus” são usados lado a lado (ton Theón, kai Theós[20]) sugerindo uma unidade semântica essencial: o Logos é Deus no mesmo sentido em que o Pai é Deus, embora eles sejam duas pessoas distintas. Assim, o Filho é eterno, atemporal e igualmente Deus com o Pai, embora seja outra Pessoa em relação ao Pai. 

4. João 8.58:Respondeu Jesus: ‘Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!’”

É importante notar que Jesus não diz “antes de Abraão nascer, eu nasci”, nem, “antes de Abraão nascer, eu vim a ser”, mas “antes de Abraão nascer, ‘Eu Sou’” (Ego Eimi)[21], afirmando Sua eternidade. A expressão “Eu sou”, usada por Jesus, tem como plano de fundo as declarações “Eu Sou” de Yahweh no livro de Isaías (41.4; 43.10, 13, 25; 46.4; 48.12, 51.12; 52.6), note as construções “para que saibais que Eu Sou” e “para crerdes que Eu Sou” (João 8.24,28; 13,19 – Isaías 43.10). Ao se declarar como o “Eu Sou”, Jesus se identifica como Yahweh, o Deus Imutável, Eteno e Autoexistente (Êxodo 3.14)[22]. No Evangelho de João, a expressão “Eu Sou” é relacionada a sete metáforas redentoras: “Eu Sou” o Pão da Vida (6.35,48,51), a Luz do Mundo (8.12; 9.5), a Porta (10.7,9), o Bom Pastor (10.11,14), a Ressurreição e a Vida (11.25), o Caminho, a Verdade e a Vida (14.6) e a Videira Verdadeira (15.1,5)[23]. Essas e outras metáforas, tais como, Semeador, Diretor da Colheita, Rocha e Noivo, empregadas por Jesus para falar de si mesmo, têm como fundo as parábolas que o Antigo Testamento usa para descrever Yahweh, desse modo Jesus estava se identificando com Jeová [24].

5. João 1.18: Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido.

Jesus é o Filho Unigênito de Deus. Sempre que Cristo é chamado de “Unigênito”, isso é associado com o nascimento espiritual dos crentes (João 1.12, 13,14,18; 3.6, 16, 18; 1 João 4.7, 9; 5.18)[25]. Desse modo, Jesus “nasceu espiritualmente” do Pai em um sentido único. Ele é o Verbo ou a Sabedoria que nasceu do Senhor na eternidade (Provérbios 8.22-26) e Sua origem está na eternidade (Miquéias 5.2). No ato da geração, o Filho recebe do Pai, por comunicação, “vida em si mesmo”, isto é, a essência divina completa e autoexistente (João 5.26). Assim, por ter a mesma essência do Pai, ele é a perfeita revelação do Deus invisível. Na medida em que essa geração é eterna, o Filho não veio à existência, Ele sempre existiu, existe e existirá sendo continuamente gerado do Pai em um ato eterno, porém sempre completo [26].

6. João 15.26:Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.”

“É importante notar que diferente dos verbos no futuro usados para falar do envio do Espírito (João 14.26), o verbo “procede” (grego: “ekporeuetai”) está no presente, isto é, a emanação do Espírito do Pai é contínua e estava acontecendo no momento em que Jesus estava falando. A ideia é que Jesus enviará o Espírito da parte do Pai no tempo (economia) porque na eternidade (imanência) o Espírito procede do Pai. O Filho diz que ele é quem enviará o Espírito, de modo que o Espírito também deve proceder do Filho. Levando em conta a primeira parte da Regra de Rahner (“A Trindade Econômica é a Trindade Imanente”) que diz que a revelação da Trindade no tempo reflete aquilo que Deus é na eternidade, o envio do Espírito da parte do Pai pelo Filho corresponde a uma relação de emanação do Espírito do Pai e do Filho na eternidade.”[27] Assim, o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho. Ele é apresentado como o outro Paracleto que viria para substituir o Paracleto Jesus (1 João 2.1), de modo que temos um Intercessor Divino na Terra (o Espírito Santo – Romanos 8.26 – 27) e um Intercessor Divino nos Céus (Jesus Cristo – Hebreus 7.25) e ele também é chamado pelo pronome neutro ekeinos (“Ele”) o que o revela como um Ser Pessoal[28].

7. Mateus 28.19:Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Esse versículo faz parte dos 50 padrões trinitários do Novo Testamento[29]. Eles são importantes, não pelos simples fato de mostrar as três pessoas divinas juntas, mas porque são padrões que geralmente aparecem associados com as obras da Divindade, como por exemplo, a salvação (Efésios 1.3-14; 2.13-14; 1Pedro 1.2), a expiação (Hebreus 9.14), a adoção (Gálatas 4.6) e a distribuição de dons espirituais (1 Coríntios 12.4-6). A bênção apostólica, por exemplo, provavelmente tem como plano de fundo a tríplice bênção araônica, o que identifica os membros da Trindade com Yahweh (2 Coríntios 13.13; Números 6.24-26). O nome, no contexto bíblico, está fortemente relacionado com a identidade de um indivíduo. O Nome de Deus o identifica como o Eterno e o Imutável “Eu Sou”, que é uma só Essência una e indivisível. “Nome”, aqui, aparece no singular, ainda que o texto mencione três pessoas (Pai, Filho e Espírito), ressaltando a unidade da essência divina. Ao mencionar cada membro da Trindade o texto repete “(e) do” de modo a distinguir cada Pessoa. Esta distinção evita a falsa ideia do “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo” como designações de uma mesma Pessoa. Assim o texto fala de três Pessoas distintas (Pai, Filho e Espírito) designadas por um só Nome, isto é, que compartilham de uma e a mesma Essência [30].

Considerações finais

    
Os textos bíblicos analisados [31] nos permitem concluir que: (i) Há absolutamente um só Deus, um só Ser divo, que é uma só substância una e indivisível. (ii) Na Unidade da essência divina há três Pessoas distintas que se relacionam entre si: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. (iii) O Filho é eternamente gerado do Pai e (iv) O Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho:

“Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” - Confissão de Fé de Westminster II.III[32]
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Notas:
[1] http://biblehub.com/interlinear/genesis/1-26.htm
[2] http://biblehub.com/interlinear/genesis/1-27.htm
[3] http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/10/cristao-ao-ler-as-escrituras-devepartir_9.html
[4] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 80.
[5] http://biblehub.com/interlinear/deuteronomy/6-4.htm
[6] Revista do Professor – Nossa Fé – Os Patriarcas, p. 18. 
[7] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, pp. 77-79.
[8] http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=140
[9] http://biblehub.com/interlinear/1_corinthians/8-6.htm
[10] http://biblehub.com/interlinear/1_corinthians/8-5.htm
[11] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 94.
[12] http://brunosunkey.blogspot.com.br/2015/10/jesus-cristo-o-senhor-jeova.html
[13] Existe um Pacto Eterno entre o Pai e o Filho chamado “Aliança da Redenção”, confira: BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, pp. 115-118.
[14] http://biblehub.com/interlinear/2_corinthians/3-17.htm
[15] 2 Coríntios 3.17-18 adaptado da Tradução do Novo Mundo: https://www.jw.org/pt/publicacoes/biblia/nwt/Nomes-e-ordem-dos-livros/2-Cor%C3%ADntios/3/
[16] Neves, Itamir. Comentário Bíblico de João. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2011. (Série Através da Bíblia), pp. 28-29.
[17] http://biblehub.com/interlinear/colossians/1-17.htm
[18] http://biblehub.com/greek/165.htm
[19] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 105.
[20] https://pt.wikipedia.org/wiki/No_princ%C3%ADpio_era_o_Verbo
[21] http://biblehub.com/interlinear/john/8-58.htm
[22] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, pp. 107-108.
[23] Neves, Itamir. Comentário Bíblico de João. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2011. (Série Através da Bíblia), p. 21.
[24]  GEISLER, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p. 794.
[25] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, p. 100.
[26] BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 63.
[27] Como já havia analisado este versículo em outro artigo, apenas copiei sua análise: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/11/a-processao-eterna-do-espirito.html
[28] FERREIRA, F. & MYATT (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, pp. 682 -684.
[29] Estes padrões podem ser encontrados em: João 14.26; Mateus 12.31-32. Mateus 3.16,17; Mateus 28.19; Lucas 1.35; Lucas 3.21-22; Marcos 1.9-11; Lucas 4.1-12; João 14.16-20; João 15.7-26; João 20.21-22; Atos 1.1-6; Atos 2.31,32,38,39; Atos 5.31-32; Atos 7.55-56; Atos 10.38, 46,47,48; Atos 15.8-11; Atos 20.23,24,28; Atos 28.23,25,31; Romanos 1.4; Romanos 5.5-6; Romanos 8.2,3,9,16,17; 1 Corintios 6.11; 1 Coríntios 12.4,5,6,12,13,18; 2 Coríntios 1.21-22; 2 Coríntios 13.14; Gálatas 3.11,13,14; Gálatas 4.6; Efésios 1.2,3,13; Efésios 2.18,20; Efésios 3.16,17,19; Efésios 4.4,5,6; 1 Tessalonissenses 1.4,5,6; 2 Tessalonissenses 2.13; Tito 3.4,5,6; Hebreus 2.3-4; Hebreus 6.4,5,6; Hebreus 9.14; Hebreus 10.10,12,15; 1 Pedro 1.2; 1 João 3.21,23,24; 1 João 4.13-14; Judas 20-21 - http://mcapologetico.blogspot.com.br/2012/07/50-textos-biblicos-no-nt-que-ensinam.html
[30] SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014, pp. 90. 123.
[31] Para uma análise de versículos bíblicos geralmente e equivocadamente utilizados contra a Trindade, confira: http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/01/10-versiculos-biblicos-contra-trindade.html
[32] http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm

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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Divulgação: Bereianos
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